sexta-feira, 11 de abril de 2008

ALBERGUES - POUSADAS - MUNDO

ALBERGUES / POUSADAS


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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Lambari - MG - Relação dos eleitores do Distrito das Águas Virtuosas, inscritos em 1898, e suas profissões.

Açougueiro : Eduardo José de Paiva
Agências: Abílio Rodrigues Bastos Américo Albino de Almeida Antônio Custódio Rios Artur Albino de Almeida Joaquim dos Santos Teixeira José Wenceslau Pimentel Júlio da Cunha Mendes Júlio Rodrigues Marques Lafaiete Augusto Nogueira Nicolau Tolentino Neves Gonzaga Raul Rodrigues Bastos Rufino Gomes de Moraes
Agentes :
agente comercial: Artur Monteiro de Queiroz
agente. do correio: Manuel Gomes Nogueira
agente da estação: Augusto Duarte de Oliveira
Alfaiates:Armênio Braga / Egídio Ieno
Ismael Moreira de Souza / João Mendes Bitati / Manoel Antonio Lopes
Artistas : Adolfo Luiz Gonçalves de Noronha / Augusto Rodrigues Duarte / João Barbosa Rodrigues / José Antônio da Fonseca
Barbeiro: Braz Ponzo
Caixeiros: Antônio Augusto Pinto / João Batista dos Santos / José Luiz Gonçalves / José Rita de Oliveira / Prudente Afonso Fernandes / Teófilo José dos Santos
Caldeireiro: Cilente Biasi
Capitalistas: Antônio Eugenio de Paiva / Pedro José de Siqueira
Carpinteiros: Antônio Grandinetti / César da Silveira Machado / Francisco Xavier da Fonseca Júnior / Francisco José Clementino / Henrique de Capua / João Crisóstomo de Souza / José Garção Stockler / Juvêncio de Assis Toledo / Lino José de Oliveira / Messias Machado da Silveira / Maximiano Alves da Silva / Pedro Raposa Pereira de Lima / Roberto Silveira da Silva
Carreiros;
Marcolino Pinto / Antonio Valentim de Jesus
Carroceiros ;
Antonio da Silva Coelho / Antonio Valentim de Jesus / José Rodrigues Fernandes / Joaquim Braga de Siqueira / Marcolino Moreira de Souza
Cobrador: João Leite de Ataíde
Copeiros:
Armando Gomes de Moraes / Antonio Pinto Moreira / Antonio Olinto do Nascimento / Carlos Pereira Magalhães / João Batista de Carvalho / João Pedro de Souza / Joaquim Augusto do Nascimento / José Gaspar dos Reis / Teófilo Eliseu de Araújo
Cozinheiros: Bento Cirilo Sobral / Manuel Máximo da Silva / Teodoro Francisco Inácio
Duchistas: Joaquim Pinto Moreira / José Chagas
Empregado particular: Nicolau Basile
Empregados públicos: César de Almeida Lisboa / Luiz Candido Rangel
Empregados da Estrada de Ferro: agente da estação: Augusto Duarte de Oliveira
chefe de trem: Augusto de Faria
conferente: Artur Jacinto de Oliveira
feitor: Manuel da Silva
maquinistas: Antônio Benedito / Francelino Cardoso / Manuel Pereira da Costa / Manuel Teixeira de Castro
mestre de linha: João Veríssimo Tavares
Engenheiros: Dr. Américo Werneck / Dr. Heitor de Sá
Estafêta: João Batista Xavier da Cruz
Farmaceuticos : Alfredo Ribeiro de Almeida Luz / Antônio de Sanches Pitaguari / João de Almeida Lisboa Júnior
Fazendeiros : Francisco Libânio Moreira da Costa / Manuel da Silva Passos
Ferreiros: Joaquim Basílio Ferreira da Rocha / Severiano Batista Policarpo
Fotógrafo: João Gomes de Almeida
Guarda-livros: Augusto Gomes Nogueira
Gerente da emprêsa de águas: Álvaro Carneiro Geraldes
Hoteleiros : Antônio Olinto Ribeiro / Bebiano José da Silva / Domingos Pereira Pinto / Joaquim Albino de Almeida / Joaquim Cândido de Araújo / Joaquim Leonel de Azevedo / Joaquim Manuel de Melo Júnior / Júlio Xavier de Araújo / Lúcio Augusto Nogueira / Mateus Gomes de Paiva / Paulino Lúcio de Lemos / Oscar Paes Pinheiro
Industriais : Henrique d'Espalanque / José Rodrigues Bastos / Manuel Fernandes Pinto /Ulisses Maglioni
Jornaleiros: Alencar Moreira de Souza, Antônio Pinto Gonçalves ,Antônio Francisco de Souza ,Celestino Sabino da Silva, Cirino José de Souza, José Claudino da Costa, José Delfino Nogueira, Luiz Beltrão Mendes, Luiz Pinto, Leônidas Batista Pereira, Manuel Martins Coelho, Saturnino Ribeiro, Tito Nogueira ,Virgílio José Ribeiro
Lavradores: Adolfo José do Espírito Santo .Alcebíades Antônio de Carvalho. Alexandre Antônio de Carvalho. Albertino Maia da Silva. Alfredo Batista Pereira. Alfredo Alves de MeIo. Américo Martins da Silva. Ananias Antônio de Oliveira. Aniceto Antônio de Oliveira. Antônio Cândido de Souza Maia. Antônio Gonçalves Pinto. Antônio Joaquim do Nascimento. Antônio Martimiano de Souza. Antônio Luiz Fernandes. Antônio Batista Teixeira
Antonio Batista de MeIo, Antonio Honório Teixeira, Antonio Pereira Rodrigues, Antonio Teixeira de Oliveira, Antonio Rodrigues de Souza, Antonio Paulino Cantuaria, Antonio Batista Pereira, Antonio Gonçalves Mendes Neto, Antonio José Cardoso, Antonio Bernardes da Costa, Antonio Vicente da Silva, Antonio Joaquim de Oliveira, Antonio Garcia de Oliveira, Antonio Sabino da Silva, Antonio Vicente Ferreira, Antonio Marciano Nogueira, Antonio Pedro da Silva, Antonio Hilário, Antônio Eduardo da Silva, Anselmo José Pereira, Atalívio de Sá e Silva, Artur Ernesto Pereira,, Aurélio Arlindo Vilas Boas da Gama Aurélio Batista Pereira, Avelino da Costa Rios, A veIino Alves de MeIo, Basílio Francisco Gama, Belarmino José Ribeiro, Cândido Ribeiro de Matos, Cassiano Bernardes da Fonseca, Carlos Dupin, Cipriano Ferreira Furquin,
Cirino Alves Fernandes, Domingos Ribeiro de Matos, Domingos Teixeira de Oliveira Júnior, Domingos Francisco Lobo, Eugênio Barcelos, Eugênio Gonçalves Pinto, Evaristo Dias de Souza, Evaristo Pereira da Veiga, Ezequiel Ribeiro de Matos, Francisco Paulino Vilas Boas da Gama, Francisco Vicolino de Almeida, Francisco Rodrigues da Silva, Fernando Antonio Flávio, Francisco José da Silva, Félix José Gonçalves, Félix José Gonçalves Júnior, Francisco Custódio Ferreira, Francisco Teotonio dos Santos, Francisco Antonio da Silva, Felipe Santiago Gama, Felipe dos Reis, Georges Charles Dupin, Horácio José do Espírito Santo, Isaías Bueno da Silva, Isaías Carlos da Fonseca, João Batista Teixeira, João Luiz Gonçalves, João Batista da Silva, João Batista de MeIo, João Batista de Melo Júnior, João Batista Pinto, João Severiano dos Reis, João Batista Rodrigues, João Alves da Silva, João Batista de Carvalho Sobrinho, João Batista Pereira, João Batista Mendes, João Garcia de Oliveira Campos, João Quintino de Oliveira, João Quintino de Oliveira Campos, João Borges da Costa, João Procópio da Silva Nogueira, João Antonio Guerra, Joaquim Flâvio de Carvalho, Joaquim Flávio Fernandes, Joaquim Gonçalves de Magalhães, Joaquim Alfredo Monte, Joaquim Cândido da Silva, Joaquim Francisco Martins, Joaquim Francisco Martins Júnior, Joaquim Braz Lemes, Joaquim Teixeira de Campos, Joaquim Moreira de Souza Sobrinho, Joaquim de Miranda, Joaquim Batista de MeIo, Joaquim Ribeiro de Matos, Joaquim Virgílio Dias, Joaquim Martins Dias, Joaquim Borges da Silva Júnior, Joaquim Severino Teixeira, Joaquim da Silva Sobrinho, Joaquim Vicolino de Almeida, Joaquim Vilela de Magalhães, Joaquim Vilela de Magalhães Júnior ,
Joaquim Ribeiro de Paiva Magalhães, Joaquim Caetano da Silva, Joaquim José de Oliveira ,Joaquim Vicente Ferreira, Joaquim Francisco de Oliveira, Joaquim Fernandes da Silva, Joaquim José Martins, Joaquim Gonçalves Sobrinho, Joaquim Inácio da Silva, Joaquim José Eusébio Júnior, Joaquim Olímpio da Silva, Joaquim Dias Pereira ,Joaquim Pedro de Godói, Joaquim José Guerra, Joaquim Antônio Guerra, José Braz Lemes, José de Vilhena Paiva, José Batista Pereira, José Gonçalves de Noronha, José Francisco Martins, José Lourenço da Silva, José dos Reis Nogueira, José Candido da Silva, José Delfino Garcia, José da Silva Passos, José Antônio da Silva Amoroso ,José Batista de Carvalho Sobrinho, José de Assis Pereira, José Joaquim Pereira, José Procópio de Oliveira, José Ribeiro de Magalhães, José Amaro de Oliveira ,
José dos Santos Ferreira, José Gomes da Silva, José Paulino de Souza, José Amaro de Oliveira J únior, José Vicente Ferreira, José Garcia de Oliveira, José de Paula Viana, José Bernardes da Fonseca, José Xavier da Silva, José Custódio Ferreira Sobrinho, José Marciano de Faria, José Mariano de Paiva, José Simão de Moraes, José Joaquim Pereira, José Joaquim Guerra, José Ribeiro da Silva, José Anacleto, Justino José da Silva, Juvenal Gonçalves de Carvalho, Loreto Batista de Souza, Luiz José Gonçalves de Noronha, Luiz Carlos da Fonseca, Luiz César, Luiz Martins de Araújo, Manuel Sérgio de Assis, Manuel Gonçalves da Silva, Manuel Serafim Teixeira, Manuel Moreira de Souza, Manuel Teixeira de Pinho Campos, Manuel Batista Pereira, Marciano josé da Silva, Miguel Cantuária dos Santos ,
Manuel Antônio de Oliveira ,Olimpio de São Miguel Bacelar, Olímpio Bonifácio Dias, Osório Herval Vilas Boas da Gama, Procópio Candido da Silva, Pedro Alves de Melo, Pedro Vicente Rodrigues, Paulino Ferreira Negrão, Plácido Januário de MeIo, Rafael Ribeiro de Matos, Salviano Mendes, Serafim Alves da Cunha, Saturnino Gonçalves Mendes, Sebastião José do Espírito Santo, Tertuliano Batista de MeIo, Tertuliano Ribeiro de Maios, Tertuliano Amaro de Oliveira, Tomé Francisco de Oliveira Lôbo, Vitorino Venancio de Oliveira,
Marceneiros: Aniceto José Madeira, Ernesto Sgarbi, Fioravante Sgarbi, Joaquim Pinto Chagas, José Martins de Oliveira, José Nunes Brigagão, Marcílio Pereira lardim
Médicos: Dr. Eustáquio Garção Stockler, Dr. Duarte Peres Rêgo Monteiro, Dr. Francisco Ferreira Rodrigues Netto, Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior.
Negociantes:
primeiro quarteirão:
Afonso de Vilhena Paiva, Artur Rebelo dos Santos, Antônio Flávio Fernandes, Antonio Luiz Gonçalves de Noronha, Diaulas Ferreira de Azevedo, Domingos José Alves da Cunha, Fernando Antônio Flávio Fernandes, Galdino Augusto de Oliveira, Heitor Carline, Henrique Levy, Inácio Pedro da Silva, Joaquim Moreira de Souza, José Teixeira Palhares, Filadelfo josé de Souza, Rosário Mileo, Serafim Antônio de Paiva Pereira, Serafim Duarte.
segundo quarteirão: Vicente Teodoro Martins ,Azarias Macário dos Santos, Egídio Giacoia ,Flávio Augusto Fernandes, Francisco Honorato de Assis, José Sebastião Gonçalves, José Gonçalves de Siqueira, José Coelho de Assis, José Pereira da Rosa, Manuel Cardoso Machado, Manuel Coelho Pinheiro, Samuel Levy
terceiro quarteirão: Custódio Gonçalves Borlido, Egidio de Lorenzo, João Pedro Ferreira Mendes, João Teodoro de MeIo, José Paulino da Silva, José Rita de Oliveira, Martinho Vaz Tostes, Miguel Giacoia, Osório José Ribeiro, Vicente Diego, Vicente Plantuli,
quarto quarteirão: Antônio Augusto Xavier, Generoso Xavier da Cruz, João Antônio dos Santos, Manuel Joaquim Rodrigues da Costa,
Oficial de farmácia: Joaquim Honorato de Assis, José Manuel de Almeida Lisboa, Pedro Augusto Pinto
Oficiais de Justiça: Balbino Daniel da Silva, Olímpio Carneiro da Silva
Padeiros: Francisco Moreira de Souza, José Fernandes de Barros
Pedreiros: Antonio Batista Ferreiro, Antônio José de MeIo, Casimiro Manuel dos Santos, Domingos Tavares do Nascimento, Ernesto Batista Ferreira, Estêvão Donato CareIi, Joaquim Mendes Bitati, José Gomes Corrêa, Vicente de Lorenzo
Pintores: Antônio Batista de Campos, Adolfo Leite Meireles, Anicésio de Souza Pinto, Francisco Batista de Campos, Manuel FeIipe Pereira
Professôres :
Alípio Augusto de MeIo, Antônio Bráulio Moinhos de Vilhena, Diógenes José de Souza, Francisco Ribeiro Pinto, Joaquim Francisco de Souza
Proprietàrio : João Ferreira Rodrigues
Sapateiro, :
Françisco Buon Cristiano, Gustavo Lamberti, Nicolau Franceschini
Seleiros : Francisco das Chagas Pinto, Francisco Xavier da Fonseca, Domingos Teixeira de Oliveira
Tipógrafo: Américo Josino Sales Júnior
Vigàrio: Pe. Marciano Carlos da Rocha Brandão
Violeiros : José Astério, Joaquim Rosa de Lima
(OBS) Escrito na linguagem da época

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Lambari - MG - 1890 - Vinda de novos elementos da colônia italiana e de portuguêses. Inauguração da estação ferroviária.

Paralelamente aos importantes acontecimentos políticos, as iniciativas particulares que vinham surgindo aceleraram o desenvolvimento da povoação, em toda década de 1890. Em agosto do ano de 1890, o Dr. Eustáquio Garção Stockler obteve da Intendência Municipal de Campanha a aprovação de seu plano de saneamento e de embelezamento da vargem, extensa área de terreno pantanoso e alagadiço, situado em ponto central da povoação, mediante a obrigação de serem cumpridas as seguintes cláusulas:
«primeira: cessão por parte da Intendência de toda vargem da povoação das Aguas Virtuosas comprehendida entre o leito do Rio Mumbuca e os fundos das casas da rua do Comercio.

segunda: esta cessão se faz sem onus municipaes durante vinte anos, findos os quaes ficarão todas as construções sujeitas ao Que em lei fôr estabelecido.

terceira: o concessionario por si, empreza ou companhia que organisar abrirá ruas e praças conforme fôr mais conveniente, construindo edificios para habitações, officinas ou para qualquer outro fim que não seja nocivo à saude publica, podendo tambem construir para terceiros.

quarta: obriga-se' o concessionario a drenar a Vargem e atterrar os pontos baixos de modo que fique seca e livre de cheias ordinarias, podendo para esse fim alargar o leito do rio limpal-o ou mudal-o para facilitar o escoamento das aguas.

quinta: terá o direito de tirar terra em qualquer logar da area pública para os atterros que fôr obrigado a fazer, sem prejuizo de terceiros.

sexta: terá o direito de desapropriação de conformidade com as leis em vigôr para utilidade ou embelezamento, sendo-lhe permitido utilizar as aguas potaveis, encanando-as para fornecimento dos edificios ou qualquer outro uso.

setima: fica obrigado a formar um jardim convenientemente fechado, gramado e arborizado com ruas areadas, não tendo menos de quarenta metros de largura e setenta de comprimento, conservando-o durante o prazo de contrato.

oitava: o concessionario terá dous annos para começar as suas obras sendo obrigado a dar prompto o jardim no prazo de cinco a contar da data do prezente contrato.

nona: as construções de predios começarão obrigatoriamente no fim do prazo marcado na clausula precedente, sendo facultativo o começo antes desse prazo podendo a conclusão das ultimas prolongar-se até dous antes do prazo findar-se.

decima: a transferencia desta concessão a terceiros não se poderá fazer sem que o concessionario entre com a quantia de dous contos para os cofre da Intendencia.

decima primeira: faltando o concessionario ao cumprimento de qualquer clausula sem motivo justiticada sofrerá a multa de cincoenta a cem mil réis por cada infração imposta pela Intendencia em sessão».
Em janeiro de 1891, visando completar o plano de saneamento da povoação, iniciado com o saneamento da Vargem, o Sr. Olímpio Baptista Pinto de Almeida, residente em Pouso Alto, em ofício dirigido à Intendência Municipal de Campanha, propos por si ou por Emprêsa a ser organizada, instalar rêde de abastecimento de água potável com uso facultativo de hidrometro no suprimento, e a rêde geral de esgotos em Campanha e na povoação das Águas do Lambari, sendo que para Campanha seria aproveitada a água do rio Palmela e de outro julgado conveniente para as Águas do Lambari. A despeito do plano não ter sido levado em consideração pelo podêres públicos municipais, vale a referência para mostrar que o proposto em 1891 por um particular, foi realizado em Lambari em 1968, pelo Ministério da Saúde.

Por tôda década de 1890 chegaram novas famílias italianas e elementos da colonia portuguêsa, muitos dos quais foram trazidos pela expansão das obras da estrada de ferro. Ao se fixarem na povoação a grande maioria se estabeleceu no comércio, e outra parte se destinou a trabalhar como artífices, empregados no comércio ou nas oficinas da estrada de ferro, não se tendo conhecimento de elementos que se destinaram aos trabalhos da agricultura. Na segunda metade da década estabeleceram-se na povoação alguns elementos da colônia francêsa que se dedicaram ao comércio com venda de quinquilharias e pequenos objetos de fantasia, muitos dos quais confecionados pelos mesmos e que traziam o nome de Lembrança de Lambari.

O ano de 1894 se caracterizou por realizações de muita importância para a vida da localidade como estância hidro-mineral. A Companhia União Industrial era detentora de contrato de exploração da água e nesse ano terminou a construção do galpão destinado ao engarrafamento da agua, o assentamento das maquinas para sua gaseificação e sua melhor conservação, o reaparelhamento do estabelecimento balneário com instalações de aparelhagem moderna para uso de água mineral fria ou quente em banhos locais ou gerais e em duchas, o aumento do parque deixando-o com uma área de 5.530 mts.2 todo cercado por grades de ferro. Construído o barracão de engarrafamento para fora da área do parque, seu prédio se localizava na atual praça Conselheiro João Lisboa, para onde as garrafas eram transportadas em vagonetes fechados, que deslisavam em trilhos com 0,90 de bitola, e onde se procedia ao arrolhamento, à rotulagem, selagem e encaixotamento das garrafas.

Outra grande realização do ano de 1894 se refere à inauguração da estação ferroviária em 24 de março de 1894, quando o povo em meio de grande júbilo e de festa, assistiu à chegada do primeiro trem de passageiros da Estrada de Ferro Muzambinho. O tráfego normal de trens facilitou a vinda de veranistas, e consequentemente, a frequência às aguas aumentou, exigindo a instalação de novos hotéis, o que se veriticou a partir de 1895. Dêsse ano em diante, ombreando-se com o Hotel MeIo que já vinha funcionando desde 1884, surgiram o Hotel Central de propriedade de Joaquim Cândido de Araújo, os Hotéis Bebiano e dos Estados de propriedade de Bebiano José de Silva, o Hotel Brasil de propriedade de Oscar Paes Pinheiro, o Hotel União de propriedade de Domingos Pereira Pinto, o Hotel Lambari de propriedade de Antônio Olinto Ri~ beiro, o Hotel Mineiro de propriedade de Mateus Gomes de Paiva, o Hotel Muzambinho de propriedade de Lúcio Augusto Nogueira, os Hotéis de Joaquim AIbino de Almeida, de Joaquim Leonel de Azevedo, de Júlio Xavier de Araújo e a Pensão de Paulino Lucio de Lemos. Em setembro de 1894, o privilégio da exploração da agua foi transferido para a Emprêsa Lambari-Cambuquira, assumindo a gerência dos negócios da mesma na localidade, onde passou a residir, o Dr.Francisco Rodrigues Ferreira Neto, a quem a Emprêsa homenageou dando-lhe o nome à fonte Maria, então descoberta.

Os novos hotéis que surgiram, as novas casas comerciais que se abriram, as mais variadas iniciativas que apareciam, mostravam que a povoação estava se desenvolvendo. A povoação também crescia com a chegada de novos moradores que procuravam construir suas residências nas diferentes ruas da localidade, e novos prédios iam aparecendo à rua Camilo Fraga, atual rua dos Italianos; à rua Comendador Francisco Eugênio, ruas Wenceslau Brás e Ernesto de MeIo atuais; à rua do Comércio, rua Comendador José Breves de hoje; à rua do Castelo, rua Dr. Tomás Alves atual; à Volta do Ó, rua Comendador Boa Vista de . hoje e à rua do Mercado, rua Virgílio de Melo Franco atual.

Criado o Distrito de Paz em setembro de 1891, todos os problemas que se apresentavam passaram a ser resolvidos pelo Conselho Distrital, com os membros eleitos pelos eleitores do Distrito, e não mais pelos fiscais diretamente nomeados pela Intendência Municipal da Campanha. Em 1893 o Sr. Joaquim Albino de Almeida exerceu o cargo de Presidente do Conselho Distrital e em 1897 o cargo era exercido pelo Sr.Serafim Antonio de Paiva Pereira; que em 1.0 de fevereiro de 1899 renunciou ao mandato, sendo substituído pelo Sr. Oscar Paes Pinheiro, um dos membros do Conselho Distrital. De 1893 a 1899 exerceram os cargos de fiscal e de alinhador os Sr's. Martiniano Duarte, Júlio da Cunha Mendes e Rosàrio Mileo.

Em 1898 os médicos Dr. Duarte Peres Rêgo Monteiro e Dr. João Bráulio Júnior fundaram um serviço de assistência médico-cirúrgica, a que deram o nome de Instituto Cirúrgico e Ginecológico. Instalado em prédio adequado - no prédio do atual Hotel América - a iniciativa, a par de bem aceita por todos, tornou a povoação em importante centro cirúrgico, atraindo doentes da zona sul-mineira, graças ao bom nome de seus diretores. O Instituto Cirúrgico e Ginecológico funcionou até os primeiros anos do século atual. Em 20 de setembro de 1898, o Conselho Distrital baixou o Projeto do Orçamento para o exercicio de 1899, assim redigido:

"Orçamento de Receita e Despeza.

O Conselho Distrital de Aguas Virtuosas, resolve o seguinte:

artigo 1.°: fica o agente executivo distrital autorizado .a receber do cofre Municipal no exercicio de. 1899 a quantia de 7.809$500 (sete contos oitocentos e nove mil e quinhentos réis) proveniente da metade da renda liquida neste. exercicio.

artigo 2.°: Fica o agente executivo distrital autorizado a despender no exercicio de 1899 a quantia de 7.809$500 no seguinte:

parag. 1.0 ordenado do secretario 400$000
parag. 2.° idem do fiscal 600$000
parag. 3.° expediente da secretaria 100$000
parag. 4.° publicação de trabalhos 300$000
parag, 5.° substituição de 13 caixas de lampeões que não se adaptam nos depositos belgas e 4 depositos que se estragaram 685$000
parag. 6.° custeio de iluminação de 28 lampiões 2.090$000
parag. 7.° obras publicas diversas 3.350$000
parag. 8.° eventuaes 284$500

Total 7.809$500

artigo 3.°:. qualquer verba ou saldo que se verifique no dispendio das verbas supras e o excesso que se receber sobre a receita orçada, reforçarão a verba de obras publicas, parag. 7.°, em que serão aplicadas.

artigo 4.°: O agente executivo Distrital remeterá esta resolução ao agente executivo Municipal para ser publicado na forma da lei.

artigo 5.°: Revogão-se as disposições em contrario.

Sala das Sessões, em 20 de Setembro de 1898.
Serafim Antonio de Paiva Peréira.
Arthur Rebello dos Santos, secretário.
Publique-se e arquive-se. João Luiz."

NOTAS:

- Por Vargem se conhecia tôda área onde hoje estão construídos o Grupo Êscolar Dr. João Bráulio Júnior, o Estádio do Águas Virtuosas Futebol Clube, os prédios do Grande Hotel, do Hotel Glória e demais circunvizinhos. Não se tem conhecimento de que o plano de saneamento proposto pelo Dr. Eustáquio Garção Stockler tenha sido totalmente cumprido. Pelos mais antigos moradores de Lambari, sabe-se que foram abertas muitas valetas para escoamento das águas retidas e foram feitos alguns aterros nas partes mais baixas do terreno, igualando-o. Os melhoramentos feitos concorreram para que grande parte da área fôsse arruada e uma de suas primeiras ruas que em 1902 tomou o nome de rua do Progresso tem hoje o nome de rua Dr. Garção Stockler, como homenagem ao saneador da Vargem.

- A Estrada de Ferro Muzambinho tinha uma extensão de pouco mais de 40 Km, com início na estação de Freitas e terminando na estação de Campanha. Suas oficinas se localizavam em Lambari, na área da estação ferroviária e sua diretoria era completamente independente da diretoria da Estrada de Ferro Minas e Rio. Por ocasião da encampação da Estrada de Ferro Minas e Rio, pelo Estado de Minas, em 1907, para formação da Rêde Sul-Mineira, a Estrada de Ferro Muzambinho foi também encampada e passou para o acervo da nova emprêsa ferroviária criada, tornando-se o Ramal de Campanha da Rêde Sul-Mineira. Os trens do Ramal de Campanha circularam normalmente até 7 de julho de 1964, quando foi extinto por ter sido julgado deficitário.

- No transcurso da década de 1890, fixaram residência na localidade, os seguintes estrangeiros: da colonia italiana: Francisco Marçano, José V. Santoro, os irmãos Viola-Manuel, Luiz e Carlos-, Miguel Dotti, Desidério Negri, Caetano Basile, Antonio de Lorenzo, André Papaléo, Egídio Papaléo, Vicente Papaléo, Miguel Basile, Egídio Bianguli, José Léo, Antonio Rosatti, Vicente Raimundi, Francisco Manes; da colonia portuguêsa: Antonio Olintho Moreira, Domingos José Alves da Cunha, Galdino Augusto de Oliveira, Joaquim Pinto Moreira, José Rodrigues Bastos, Serafim Luiz Duarte, José Rodrigues Fernandes, Manuel Cardoso Machado, Augusto Rodrigues Duarte, Custódio Gonçalves Borlido, João Leite de Ataíde, José Veríssimo Tavares, Álvaro Carneiro Geraldes, Manuel Teixeira de Pinho Campos, ManoeI Joaquim Rodrigues da Costa, Manoel Pereira da Costa; elementos da colonia francesa: Georges Charles Dupin, Henrique Espalanque e os irmãos Levy Henrique e Samuel.

(OBS) Escrito na linguagem da época

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Lambari - MG - 1890 - A criação do Distrito de Paz. Eleições realizadas em 1891 e 1892.

Em todo transcurso da década de 1890, os diversos acontecimentos de natureza política, surgidos na povoação, concorreram muito para acelerar o seu progresso e ajudaram a equacionar os dados para o problema da criação do futuro municipio, que não tardaria a ser formado.

Para tanto influiu, sobremodo, o agrupamento político já existente, chefiado pelo Dr. Eustáquio Garção Stockler, que o levou a exercer o mandato de veredor junto à Câmara Municipal de Campanha em 1887 e que se viu prestigiado, a partir de 1889, com o apoio de dois vultos de grande destaque nos meios sociais sul mineiros, na época.

O primeiro se refere ao Dr. Américo Wernek, engenheiro, jornalista, escritor de nomeada e propagandista da República, que vindo em 1889, antes da proclamação da República, a residir em sua fazenda a fazenda dos Pinheiros, a atual Nova Baden., não apenas se uniu à corrente política existente na povoação dando à mesma muito prestígio, como continuou a fazer propaganda de suas idéias republicanas, abertamente, ao lado de Benjamin Constant, que viera à localidade fazer uso das águas, circunstância esta que lhe deu muito destaque, após a proclamação da República.

O segundo vulto de grande projeção se refere ao Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena Junior, médico de tradicional família campanhense, que passou a residir na localidade. Depois de ter clinicado na cidade do Rio de Janeito, então Capital Federal, mudou-se para as Águas Virtuosas em 1890 e se uniu também ao grupo político do Dr. Eustáquio Garção Stockler, aumentando assim o prestígio do agrupamento existente. Iniciando sua vida pública dentro da corrente política a que se filiára, foi eleito deputado em 1891 e reeleito para diversas legislaturas.

Em 25 de janeiro de 1891 procederam-se, nas Águas Virtuosas, às eleições dos representantes ao Congresso Constituinte Mineiro, sendo secretários da 1.a e 2.a seções, respectivamente, os senhores João de Almeida Lisboa Junior e Serafim Antonio de Paiva Pereira. A primeira seção eleitoral funcionou na Casa da Instrução e os trabalhos iniciados às 10 horas foram dirigidos pelos senhores Aurélio Arlindo Vilas Boas da Gama, Teófilo Ottoni Caldas, Custódio Borlido, como mesários e Joaquim Albino de Almeida, como fiscal. Compareceram à votação 73 eleitores inscritos "que depois de aprezentarem seus titulos lançaram na urna fechada á chave duas cedulas cada um, lendo-se numa -PARA DEPUTADOS- e n'outra -PARA SENADORES- depois do que cada eleitor assinou seu nome no livro destinado para esse fim".

Para a apuração o mesário Teófilo Ottoni Caldas serviu de escrutinador tendo-se verificado que dentre os nomes sufragados os do Dr. Eustáquio Garção Stockler e Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena Junior receberam 73 votos cada um para deputado e o Dr.Américo Werneck 73 votos para senador estadual. Terminada a apuração em "voz alta foi proclamado o resultado da eleição dando-se o número de votos obtidos de cada candidato". "Depois de fixado o resultado à porta do prédio onde se procedeu a eleição e estando conclui do o processo eleitoral e cumpridas as formalidades da Ley, foram queimadas em prezença da meza todas as cédulas que foram apuradas e que não continha irregularidades, mandando a meza lavrar a prezente ata no livro proprio, escripto por mim João de Almeida Lisboa Junior, secretario, e assinada pelo prezidente, mezarios e fiscal."

Eleito deputado nas eleições de 25 de janeiro de 1891 o Dr. João Bráulio Júnior desenvolveu grande esfôrço e interêsse no sentido de ser criado o Distrito de Paz das Águas Virtuosas, o que foi conseguido pelo ato n.o 2 de 16 de setembro de 1891, do Govêrno do Estado de Minas.

Em dezembro de 1892 procedeu-se à primeira eleição nas Águas Virtuosas, como Distrito de Paz. No dia 9 desse mês, na casa da Instrução, sob a presidência dos cidadãos João Baptista Bemfica e de João Baptista Pinto funcionando, respectivamente, como juiz de paz e escrivão foram nomeados os seguintes eleitores para comporem a mesa da primeira seção eleitoral: João Baptista Bemfica como presidente; Francisco Honorato de Assis, Artur Rebelo dos Santos, Artur Albino de Almeida e José Rodrigues Bastos como mesários. Para a segunda seção foram nomeados os eleitores João Cândido da Silva Nogueira, Francisco Moreira de Souza, Custódio Gonçalves Borlido, Zacarias Macário dos Santos e Egidio de Lorenzo, sendo que o primeiro como presidente e os demais como mesários. No dia 18 de dezembro, às onze horas da manhã, na mesma casa da Instrução, foi instalada a primeira seção da mesa eleitoral "para recebimento, apuração dos votos e mais trabalhos da eleição de vereadores, concelheiros Distritaes, vereador especial do Distrito e Juizes de Paz".

Nesta seção registrou-se a presença de oitenta e dois eleitores, sendo mais votados para Conselheiros Distritais os seguintes cidadãos: Joaquim Leonel de Azevedo e José Antonio do Espirito Santo, com 44 votos cada um, e José Cândido da Silva, com trinta e oito votos; para vereador especial do Distrito: Eduardo de Sá e Jonas Olinto, com quarenta e quatro e trinta e sete votos respectivamente; para vereadores do Município: Francisco da Silva Araújo, José Coelho Neto e Manoel de Oliveira Andrade, com trinta e oito votos, cada um; para Juizes de Paz: Aurelio Arlindo Vilas Boas da Gama e Mateus Gomes de Paiva com quarenta votos cada um, Afonso Vilhena Paiva trinta e oito votos, Azarias Macário dos Santos trinta e sete votos, José Antonio do Espirito Santo trinta e dois votos.Em seguida "o Prezidente da mesa mandou publicar por Edital na porta do Edificio a lista dos nomes de todos os cidadãos votados e o número de votos do maximo ao minimo.

Em 1898, aproveitando-se o cadastro dos moradores existentes na povoação em 1897, foi realizado novo alistamento eleitoral, existindo na época 411 eleitores inscritos em duas seções eleitorais. Durante toda década de 1890 o Distrito de Paz das Águas Virtuosas gozou de destacada posição política nos meios sociais sul-mineiros. A identidade de pontos de vista dos dirigentes locais, a circunstância de residir na povoação um deputado estadual de muito prestígio - O Dr. João Bráulio Júnior, que vinha sendo reeleito desde 1892 - e a circunstância de residir no Distrito o Dr. Américo Werneck, que em 1898 passou a exercer o cargo de Secretário da Agricultura no govêrno do Dr. Silviano Brandão, todos estes fatôres concorreram para dar muita projeção política ao Distrito e para formar um ambiente de muita confiança e de segurança para os moradores da localidade, traduzidas nas iniciativas particulares que estavam sempre a surgir.a prestigioso grupo político, que retinha nas mãos os destinos do Distrito, fundou, no transcurso da segunda metade da década de 1890, o semanário A PELEJA que, pelo valôr ,dos colaboradores, se tornou o mais importante arauto político noticioso e literário da época, em todo sul de Minas. Américo Werneck, Ferreira Brandão, João Brandão, João Luiz Alves, grandes figuras do jornalismo mineiro, mantiveram suas colunas na A Peleja, no jornal dirigido pelo Dr. Eustáquio Garção Stockler, dando-lhe realce e concorrendo para manter a brilhante posição política e social que a povoagão das Águas Virtuosas conquistara naquele fim do século 19, por mercê de seus homens públicos que,mais do que simples chefes político de um Distrito de Paz, eram autênticos líderes em tôda região sul-mineira campanhense.

NOTA:
- O alistamento eleitoral de 1898 foi efetuado por quarteirões e inscreveu na primeira seção eleitoral todos os eleitores residentes do primeiro ao terceiro quarteirão e na segunda os residentes do quarto ao décimo quateirão. Na primeira seção, dos 215 eleitores inscritos, 177 eram brasileiros, 20 eram italianos, 15 eram portuguêses e 3 eram francêses. Na segunda seção, dos 196 eleitores inscritos, 191 eram brasileiros, 2 eram italianos, 2 eram portuguêses e 1 era francês.

(OBS) Escrito na linguagem da época

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Lambari - MG - A fixação de elementos da colônia italiana na localidade.

Durante toda década de 1880 o surto de progresso da povoação se fez sentir mais depressa que nas décadas anteriores em decorrencia dos tres seguintes acontecimentos: a vinda de um médico que se fixou na localidade; a presença da estrada de ferro na região sul mineira e a vinda de muitas familias italianas que se fixando no lugar, concorreram, sobremodo, para o seu progresso.

Em 1882 o Dr. Eustáquio Garção Stockler, campanhense, recentemente diplomado em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, fixou sua residencia na localidade. Por ocasião desta vinda, muitos problemas prejudicavam o desenvolvimento das Águas Virtuosas: a frequencia às águas minguava dia a dia desde 1876; o estabelecimento balneário, inaugurado em 1872, continuava carecente de reparos urgentes com seu telhado em ruínas, sem móveis e sem aparelhos; a praça dos poços com sua vegetação rasteira, servia de pastagem para cavalos e cabras, e a população desanimada a tudo assistia na esperança de um auxílio que nunca chegava dos cofres públicos. Manifestando interêsse por tudo que se relacionasse com o futuro da localidade, que dependia de sua água medicinal, o Dr.Eustáquio Garção Stockler desenvolveu um grande trabalho para reerguimento da povoação e para tornar a sua água cada vez mais conhecida. Através de contrato que celebrou com o govêrno Provincial a 7 de outubro de 1882 conseguiu em 1885 terminar a reforma do estabelecimento balneário, realizar o ajardinamento do parque das fontes cercando-o, ainda com grades de ferro; fazer a propaganda da água pelo periódico "Águas Virtuosas", por éle fundado.

Em 25 de julho de 1888, pela lei n.o 3561, obteve o privilégio de poder explorar a água, juntamente com o Dr. Bandeira de Mello, durante 50 anos.
Em seguida, t8da sua atividade se desenvolveu no sentido de fundar uma emprêsa exportadora da água, o que foi conseguido alguns anos mais tarde, no transcurso da década de 1890.

Os melhoramentos surgidos em todo decênio foram se sucedendo posteriormente, e graças ao trabalho desenvolvido, quer como médico ou político, o Dr. Eustáquio Garção Stockler concorreu muito para o restabelecimento do prestígio da povoação e para firmar a procura da água "in loco", como agente, de tratamento e de cura, criando em consequência a estância hidro-mineral de Lambari e o hidroclimatismo, com expressão de centro de tratamento, de repouso e de turismo. O outro grande acontecimento que concorreu para o prógresso da povoação se prende à presença da estrada de ferro Minas e Rio até Três Corações do Rio Verde, onde a 18 de outubro 1883 chegou a primeira locomotiva.

A ferrovia, ao mesmo tempo que deu impulso às aldeias e povoações situadas à sua margem, concorreu, também, para aumentar a frequêucia às águas, a despeito da Freguesia das Águas Virtuosa ficar, aproximadamente, a 50 km. da estação m,ais próxima.

O antigo hábito de se atingir as Águas Virtuosas a cavalo com grandes caravanas de serviçais e de escravos, transpondo-se a serra da Mantiqueira pela entrada do Embaú com passagem forçada por São José do Picu, (atual Itamonte), foi substituído pela viagem de trem, vencendo-se os 125 klms. de Cruzeiro até a estação de Conceição do Rio Verde, de onde, a partir de 1883, saíam cavalos, diligências e tropas destinadas a transportar para a Freguesia das Águas Virtuosas, passageiros, encomendas e cargas. À custa de iniciativa e do esfôrço dos moradores, as perspectivas do progresso da localidade na primeira metade da década de 1880 se apresentavam bem claras e bem nítidas.

Em 1884, dentro de uma área de 6 léguas de dimensão no sentido N. S. e de 1,5 légua no sentido E. O. a povoação se apresentava com 4.000 habts.com mais de 50 casas novas e mostrava o reerguimento da frequência às águas, pela chegada de "cidadãos das mais importantes classes e posições" que ou se hospedavam nos dois hotéis existentes- de Joaquim Manoel de Mello Júnior e de Manoel Gomes Nogueira, - ou se alojavam em casas alugadas,cujos aluguéis variavam de 10 a 40$000 em época normal, não acontecendo o mesmo na ocasião de grande frequência em que "em tempo de muita concorrência o preço sobe muito mais".

Emquanto nas fazendas de Antonio Flávio Fernandes, de Joaquim e de José Machado de Andrade, de José Antonio do Espírito Santo, de Antonio Cardoso da Silva, de Antonio Gonçalves Netto, de Manoel Jacintho, de Nicolau de Lima e Silva e de Thomé Francisco de Oliveira Lobo, o café com mais de 100.000 pés plantados, o fumo e a cana de assúcar se apresentavam como culturas principáis, dessas fazendas também procediam os "generos da terra" que eram consumidos na Freguesia e delas provinha, ainda, a carne de vaca que nos açougues era vendida a 4$000 a arroba; o carneiro, que era obtido a 3$000 cada um; o frango cujo preço variava de 200 o 300 réis; os óvos, cuja duzia era vendida de 160 a 240 réis; o leite que custava de 60 a 80 réis a garrafa e a lenha de 2 a 3$000 o carro.

O terceiro acontecimento se prende à vinda de famílias italianas que se fixaram na localidade. Os primeiros italianos que pisaram o solo da zona sul mineira da Campanha, no início da década de 1860 se fixaram em Campanha. Com essa chegada se formou a corrente que atraiu outros patricios nas décadas subsequentes. Na de 1870 João Marsano primeiramente, e Lucas Zaccaro em seguida, vieram para Lambari sem as respectivas famílias e se estabeleceram como comerciantes, retirando-se para a Itália após alguns anos de permanência. Ao contrario dêstes que vieram sozinhos, não se radicando na povoação, muitos dos italianos que chegaram, a partir 1880, trouxeram espôsa e filhos e nela se fixaram. Provindo tôdos da mesma região da Campânia - província de Basilicata, situada entre as provÍnçias de Napoles e Calábria - quase tôdos eles vinham do mesmo paése e muitos eram parentes próximos. A radicação dessas famílias na povoação concorreu muito para o seu desenvolvimento, dada a operosidade, o espírito de ordem e de respeito às leis e aos costumes, manifestado pelos novos moradores do lugar. A rua dos Italianos existente na cidade e surgida no fim do século é bem o atestado de carinhosa homenagem prestada à colônia italiana, que ajudou á povoação a desenvolver-se e a prosperar.

A partir de 1882, em 1.0 de outubro, chegaram Miguel de Lorenzo e seus dois cunhados Egídio e Rosário Miléo que imediatamente se fixaram na localidade. De 1883 em diante, depois do advento da Estrada de Ferro Minas e Rio, o número de italianos que chegavam crêscia cada vez mais, e durante os anos restantes da década, chegaram os seguintes italianos, que por já estarem fixados na localidade antes da proclamação da República, foram naturalmente inscritos como eleitores: Cilente Biasi, Braz Ponzo, Egídio Ieno, Miguel e Egídio Giac0ia, Estevam Donato Carelli, Francisco Grandinetti, Ernesto Fioravanti Sgarbi, Gustavo Lamberti, Henrique de Capua, Francisco Buon Cristiano, Nicolau Basile, Vicente Dieco, Vicente Plantuli, Vicente de Lorenzo, Nicólau Franceschi, Ulisses Maglione.
Enquanto alguns dos novos moradores se estabeleceram no comércio com casas de fazendas e molhados com gêneros do país, com padaria, açougue, alfaiataria, sapataria, outros passaram a trabalhar como pedreiros, carpinteiros, marcineiros pintores, ferreiros e caldeireiros. Apenas duas famílias se dedicaram à lavoura como horticultores, formando grandes hortas na periferia da povoação onde a população podia encontrar não apenas as hortaliças e legumes mais' comuns, como os de agrado das famílias recém chegadas.

Tirante êstes fatos, que são os principais surgidos na década de 1880, os demais se referem a problemas de natureza administrativa que continuavam sob a responsabilidade dos representantes da Câmara Municipal de Campanha: o fiscal e o alinhador, cujos cargos foram exercidos até 1884 por Manuel José Nogueira e Francisco Moreira de Souza, respectivamente.Nos anos de 1885 e 1886, em decorrência de vacância do cargo de fiscal, os problemas administrativos ficaram a cargo de Antonio Joaquim do Nascimento, 4.° juiz de paz. Preenchido a cargo em 1887, o mesmo foi exercido por José da Silva Bastos e em 1888 e 1889 por Teofilo Caldas e Antônio Joaquim de Sales Brígido, respectivamente.

A concessão de 13 lotes de terreno para construção de casas, de 1886 a 1889 às ruas Direita, do Pito Aceso, da Olaria, do Sertãozinho, da Entrada e das Flôres, mais do que simples índice de crescimento, externava a confiança que os moradores tinham no futuro da Freguesia das Águas Virtuosas, já possuidora de seu representante político na pessoa do Dr.Eustáquio Garção Stockler, que desde 1887 tinha assento na Câmara de Vereadores do Município de Campanha.

NOTA:

Vicente Mileo e Alexandre Maiolino inscrevem seus nomes como sendo os primeiros italianos que vieram e se fixaram em Campanha, no início da década de 1860. Vicente Mileo, era natural de Sapri (região de Campânia, sul da Itália) e casou-se com a campanhense Ana Clara Valim. Em 1863 estava estabelecido em Campanha com oficina de caldeireiro á Rua do Hospício (rua Bernardo da Veiga, atual). Faleceu em 14 de novembro do 1868 não deixando descendentes, mas deixando sua oficina com tôdas as ferramentas, pertences e a quantia de vinte e cinco mil réis a um afilhado de nome João. A vinda dêstes primeiros italianos para esta zona sul mineira, coincidiu com a época em que se operavam transformações políticas na Itália com a queda da casa dos Bourbons, por ocasião de sua unificação devida a Garibaldi, em 1860. O êxodo de muitas famílias italianas do sul da Itália para outros paises nesse periodo resultou das dificuldades surgidas com a implantação de uma nova ordem em que novos costumes e novos hábitos incidiram sôbre as classes que direta ou indiretamente dependiam das condições socio economicas vigentes até então.Para os meus parentes, simples artífices e raros lavradores que mourejavam como meeiros a mudança verificada trouxe situações dificeis obrigando-os a emigrarem para o Brasil, alguns; para a República Argentina.

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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Lambari- MG - 1870 - A primeira análise da água.

As obras realizadas no transcurso da década de 1860 pela comissão que executou o plano traçado pelo engenheiro Henrique Gerber, obedecendo sempre à planta que permanecia arquivada na Câmara Municipal de Campanha; o desaparecimento dos alagadiços em algumas das principais ruas da povoação após o saneamento e os aterros efetuados; a existência de estradas, sempre cuidadas, para a Freguesia de São Gonçalo e para a povoação de Conceição do Rio Verde;a existência do caminho para a Freguesia de Santa Catarina (atual Natércia) passando pelas fazendas localizadas em São Simão, na Água Limpa, em São Bartolomeu e nas Três Barras; a existência de uma pequena farmácia - botica do alferes Antônio Júlio de Araújo Macedo -, tudo isto imprimia naquele princípio da década de 1870, uma fisionomia diferente à povoação em que as casas residenciais, as pequenas oficinas, as lojas, as casas de "molhados e secos" e mais a pequena população fixa existente, estavam a mostrar que a povoação se desenvolvia e prosperava. A êste surto de progresso que ia surgindo, se juntou mais uma realização do govêrno provincial autorizando, pelo ofício de 11 de junho de 1870, à Camara Municipal de Campanha a despender quinzenalmente a quantia de quinhentos mil réis numa estrada que partindo das "Aguas do Lambary" atingisse Caldas, passando por Campanha e por Santo Antônio do Machado. Em 1872, pelo Ministro do Império, Conselheiro João Alfredo Corrê a de Oliveira, foi nomeada uma comissão de médicos, integrada pelos Doutôres Ezequiel Corrêa dos Santos, Agostinho José de Souza Lima e José Ribeiro da Costa para fazerem a análise das águas. A referida comissão examinou a água das três fontes existentes na época: a fonte gasosa constituída pelo poço onde se misturavam duas nascentes, a ,fonte férrea ou Paulínea e a fonte Maria, reputada na ocasião de sulfurosa. O parecer da comlssao que classificou as águas em gasosa simples e férreo gasosas foi o seguinte:

"Fontes gazosas: a agua gazosa do Lambary é perfeitamente limpida e transparente, incolora, inodora, de sabor picante muito pronunciado, de tal modo effervescente que é difficil ingerir sem interrupção um copo cheio. Vermelhece o papel azul de turnesol e não tem acção sobre o acetato de chumbo.Sua temperatura é de 20° sendo a do ambiente de 21°. Densidade 1,001 sob a temperatura de 23° e pressão de 687 millimetros.Apresenta em cada litro 0,056 de residuo fixo.

Fonte Paulinea : Assim chamada em homenagem ao Dr. Antonio Gabriel de Paula Fonseca seu descobridor. Contem uma agua limpida, transparente, incolora, inodora, de sabor picante e ligeiramente styptica. Reação mui fracamente acida ao turnesol. Temperatura de 20° marcando o ambiente 21°.Densidade 1.006 sob a temperatura de 23° e pressão de 687 millimetros. Forneceu por litro 0,054 grammas de residuo.

Fonte Sulfurea ou Maria: É uma agua considerada no lugar como sulfurosa sendo geralmente conhecida por esta designação: entretanto nenhum ensaio chimico rigoroso autorizou sua classificação como tal, partindo a ideia apenas do leve cheiro suphydrico que ella apresenta accidentalmente, sendo de notar que a agua da fonte Maria que não é tida como ferruginosa, pela analyse se reconhece, ser mais rica deste principio do que a da fonte Paulinea, reputada como tal".
Ainda em 1872, Antônio Joaquim do Nascimento, que vinha exercendo o cargo de fiscal das águas, foi nomeado comissário vacinador da Paróquia das Águas Virtuosas, pelo Govêrno da Província. Nomeado em janeiro, somente em junho de 1872 é que recebeu do Comissário Vacinador Provincial - Dr. Domingos Eugênio Nogueira - o Regulamento das "obrigações inherentes aos commissarios vacinadores a fim de coadjuvar na sua parte ao importante trabalho muito em atrazo na Provincia" .

O Regulamento, moldado no decreto n.o 464 de 17 de agôsto de 1864, referente ao serviço de vacinação do Império, define as obrigações dos comissários vacinadores Provinciais, Municipais e Paroquiais; torna obrigatoria a vacinação a todas as pessoas, qualquer que seja a idade - inclusive às crianças de três meses para cima - o sexo, o estado civil e a condição social e, por último, em adendo final, dá as necessárias instruções para se proceder à vacinação com linfa dessecada, método usado na época.
Acompanbando o surto de progresso que era sentido através das realizações efetuadas pelo govêrno Provincial (projeto de construção de uma estrada para Caldas, boa conservação da estrada e dos caminhos existentes, análise das águas, nomeação de um comissário vacinador permanente) - e para as quais não se pode negar que muito contribuiu a longa permanência dos príncipes imperiais que puseram em grande destaque o lugar e as águas -, os podêres públicos municipais de Campanha também não se descuidaram dos problemas que lhes competiam resolver, procurando de um lado preencher imediatamente a vaga de, fiscal agente das águas indicando Daniel Antônio Xavier para o cargo, cuja nomeação se deu em 7 de fevereiro de 1872 pela Diretoria de Obras Públicas da Província e por outro lado facilitando a construção de uma fábrica de botijas, concedendo a Eulâmpio César Romagnolli apreciável área de terreno para êsse fim, junto ao rio Lambári Pequeno.Em 1874, a Freguesia das Águas Virtuosas, a despeito de não ter tido ainda concluída a construção de sua Igreja consagrada à N. S. da Saúde, já vinha sendo considerada como "importante povoação". Com suas 114 casas e 2.823 habitantes que se distribuíam entre fazendeiros, negociantes de fazendas, de ferragens, de "molhados e generos da terra", de ferradores e ferreiros, de rancheiros, de alfaiates, de caldeireiros e carpinteiros, de oleiros, de cigarreiros e fabriqueiros, de sapateiros e seleiros, a povoação já possuía um ourives, uma farmácia, uma casa de bilhares, uma parteira, um dentista, e duas "aulas" de ensino primário - uma pública e outra particular - com o respectivo delegado da Instrução Pública.Produzindo 7.000 arrobas de fumo em suas fazendas, onde recém se iniciara a plantação de café e' produzindo cana que se destinava ao fabrico de rapadura nos quatro engenhos existentes, eis os principais produtos das vinte propriedades agrícolas, pertencentes a Antonio José Cardoso, Antonio Paulino Cantuária, Antonio Ribeiro de Magalhães, Domingos Gonçalves Mendes, Fernando Antonio Flávio, Flávio Antonio Fernandes, João Ribeiro de Mendonça Porto, Joaquim Alves da Silva, Joaquim Bibiano de Siqueira, Joaquim Manoel da Cunha, Joaquim Machado de Andrade, José Antonio do Espírito Santo, José Faustino de Siqueira, José Umbelino de Carvalho, Manoel Vitorino dos Santos, Roque Gonçalves de Magalhães, Silvério Dias Chaves.

Em 1875, residiam na séde da Freguesia das Águas Virtuosas as seguintes pessoas:

Antonio Fernandes, negociante; Antonio Flávio Fernandes, negociante; Cândido José Ribeiro de Mattos, lavrador; Daniel Antonio Xavier, negociante;Florentino José de Araújo Pinto, seleiro; Frederico José Soares, negociante; Joaquim Antonio Rodrigues, lavrador;Joaquim Leonardo da Silva, lavrador; João Baptista de Mello, lavrador; Joaquim José Rodrigues Vianna, negociante; Joaquim Albino de Almeida, lavrador; João Francisco de Oliveira, lavrador; José de Souza Vianna, escrivão; Joaquim Villela de Magalhães, tropeiro; Joaquim Manoel de Meno, tropeiro; José Braz Lemes, tropeiro; Lino Cândido da Silva, lavrador; Luiz José Esteves, carpinteiro; Luiz Fernandes de Oliveira, lavrador; Manoel Izidoro de Carvalho, fazendeiro; Manoel Francisco da Rocha, ferreiro; Manoel Albino Ferreira Lopes, negociante; Pedro José de Siqueira, negociante;Raphael Ribeiro de Mattos, lavrador, Rodrigo Luiz Gonçalves Bastos, negociante; Thomaz Francisco de Oliveira Lobo, lavrador; Cyrino José de Paiva, lavrador; Antonio Joaquim Barbosa, lavrador; Francisco Xavier da Fonseca, lavrador; Joaquim José de Souza, lavrador; Joaquim Antonio Xavier, lavrador; José Antonio do Espírito Santo, fazendeiro; José Amaro de Oliveira, lavrador; José Flauzino de Siqueira, lavrador; José Bernardes de Moraes, lavrador; Manoel José de Souza, lavrador; Manoel Iloterio dos Santos, lavrador; Manoel Alves Pacheco, lavrador; Mariano José de Castro, lavrador; Manoel Joaquim de Castilho, lavrador; Pedro Fernandes de Oliveira, lavrador; Antonio Paulino Cantuária da Silva, lavrador; Antonio Maximiano de Oliveira, lavrador; Antonio Caetano de Souza Júnior, lavrador; Antonio José da Silva Passos, lavrador; Bernardo Francisco Alves, lavrador; Bento Francisco de Araújo, lavrador; Evaristo Dias de Souza, lavrador; Frànéisco Alvesda Silva Passos, lavrador; José Pinto de Aguiar, lavrador; Joaquim Francisco de Araújo, lavrador; Joaquim Francisco de Araújo Júnior, lavrador;João Alves de Meno, lavrador; Joaquim Sefeim Rodrigues, lavrador; Joaquim e Manoel da Silva Passos, lavradores; Manoel Teixeira de Mello, lavrador.

De outubro de 1872 - quandó se inaugurou o estabelecimento balneário - até 1879, não foi realisado nenhum outro melhoramento, por iniciativa dos podêres públicos.

Em 1876, a povoação apresentava um aspecto pouco animador de progresso e desenvolvimento:a frequência às águas continuava pequena; a Igreja Matriz continuava inacabada, com todas as sua obras paradas; o chafariz do largo do jardim necessitava de reparos urgentes para não ser totalmente perdido e o estabelecimento balneário se apresentava em más condições de conservação com todo o telhado cheio de goteiras, ao mesmo tempo em que ia perdendo, por desaparecimento, peças de seu mobiliário e peças do seu gradil de ferro que não fora ainda colocado.

Apesar destas ocorrências a povoação nos últimos anos da década de 1870 já apresentava o aspecto de um vilarejo, cuja área residencial avançava pela encosta dos morros onde se abriam novas ruas e onde se construíam novas "moradas de casas".

Com população fixa bem diferenciada em.suas várias camadas sociais, com o trabalho desenvolvido nas fazendas, nos estabelecimentos comerciais e nas inúmeras oficinas existentes, o transcurso da década de 1870 gizou indelevelmente a sua grande característica na marcha do desenvolvimento da Freguesia das Águas Virtuosas: consolidara-se a formação da comunidade, agora unida pelo interêsse comum de' todos os moradores e pelo entrelaçamento de relações entre as diferentes classes sociais.

NOTA:

As ruas do Sertãozinho e do Pito Aceso formam hoje dois bairros urbanos e apareceram quando a povoação começou a avançar para as encostas dos morros. O bairro do Pito Aceso está situado numa das lombadas do morro do Castelo, já citado, e esteve muito em evidencia na primeira década do século atual por nele residirem tres politi2os de muita influencia na cidade. Admite-se que seu nome advenha da circunstância do primeiro morador da região onde está formado o bairro, antes mesmo de ser formada a rua, ter sido um preto velho, faze dor de peneiras e de balaios que quando procurado se apresentava sempre fumando o seu pito. A casa do homem do pito aceso se tornou no segundo quinquenio de 1870 a rua do pito aceso, e agora bairro do pito aceso.

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Lambari - MG - 1860 - A estada do Conde D'Eu e da Princesa Isabel.

Os importantes melhoramentos realizados na povoação em todo transcurso da década de 1860, pràticamente foram iniciados em abril de 1865, quando a Câmara Municipal de Campanha transferiu para a Comissão de Obras chefiada pelo engenheiro Henrique Gerber o encargo de decidir sôbre a construção de casas, a marcação dos respectivos terrenos e os adequados alinhamentos nos logradouros públicos. Os trabalhos foram iniciados pelo engenheiro Gerber e terminados pelos engenheiros Honório do Couto e Francisco Lôbo, obedecendo-se ao planejamento elaborado pela comissao de obras. Todos os trabalhos efetuados nessa época podem ser encarados como trabalhos de saneamento e urbanização; trabalhos de proteção às fontes e à água, e trabalhos destinados a melhor aproveitamento da água.

As obras de saneamento e de urbanização destinadas a afastar as nascentes do ribeirão e da estrada que se dirigia para Campanha constaram na retificação do rio Lambari Pequeno (o atual ribeirão Mumbuca). Para tanto se abriu nôvo leito do rio rente a um morro que foi talhado em corte, se construiu nova ponte e um canal de 15 metros de comprimento, obras que foram orçadas respectivamente em 427$900 (43 centavos) e 90$000 (9 centavos). Os trabalhos de proteção às nascentes e à água consistiram na construção de poços de alvenaria para as tr&s nascentes existentes.As nascentes de água gasosa mais próximas da antiga estrada foram reunidas em um único poço de 50 centímetros de diâmetro, destinando-se a uso interno. A outra nascente gasosa foi protegida por um poço de tijolos coberto por uma laje de pedra, destinando-se à água para uso externo, para os banheiros do balneário, cuja construção fôra já iniciada. A fonte Paulínea, situada em ponto mais afastado das nascentes da água gasosa, recebeu, também, um nôvo poço, feito de tijolos, tendo ao redor uma calçada protetora, de mais ou menos quarenta centímetros de largura. Em meio de pequeno jardim foi construído um pavilhão tôsco, de madeira, coberto de telhas, com piso de ladrilhos, tendo lateralmente um gradil de ferro de oitenta centímetros de altura, . destinado a abrigar e defender o poço em que se fundiram as duas nascentes. A circunstância do jardim recém-construido - que foi logo denominado pelos moradores de Praça dos Poços - permanecer à noite sem nenhuma iluminação e os abusos surgidos com a colheita da água, criaram problemas para o agente fiscal, bem assinalados no ofício em que Pedro Freimont remeteu à Câmara Municipal de Campanha, em 12 de março de 1867, onde se lê:

"O artigo 19 do novo regulamento manda que se cobre. 20 réis de cada copo de agua e quarenta réis por garrafa e isto em beneficio do Fiscal ou d'uma pessoa por elle nomeada; a respeito dos copos axo isso impraticaveI. As garrafas devem pagarem por cauza do encommodo que dão para as pessoas que vem beber, como tambem allagão o ladrilho, quebrão vidros, sujão com palhas e pedaços de curtiça. Peço providencias breves a respeito do posso onde se tira agua para beber, nas noites escuras é o couto da immoralidade, como já partissipei a VV.SS. com um officio pedindo um lampião para o mesmo. É indispensavel averem multas para as pessoa que tirarem agua com vazias e não serem de vidros, loças vidradas ou qualquer metal, com quanto seja limpo.2.0 Lavarem qualquer objeto no poço e nas bombas. 3.0 Para qualquer que sem nessessidade tocarem as bombas. 4.0 Prohibiçães que mininos tirem agua no poço e bombas. 5.° Prenderem animaes nas obras. 6.0 Prohibiçães de tropas, boiadas e carros passarem na praça dos possos a não serem os que estiverem em serviço no lugar. 7.0 Todo gado deverá ser recolhido das 5 as 6 horas da tarde..8.0 Prohibiçães de tirar agua no poço para encher barris, potes e taxos".

Os trabalhos destinados ao melhor aproveitamento da água consistiram na construção do estabelecimento balneário, erguido também em meio do pequeno jardim e em frente ao pavilhão de proteção às nascentes. Em 19 de dezembro de 1868, pelo Diretor da Diretoria Geral das Obras Públicas do Govêrno Provincial, foi enviado o seguinte ofício à Câmara Municipal de Campanha: "Logo que ultimarem-se as obras do estabelecimento balneario do Cachambú tem o engenheiro Horta Barbosa de ir tratar da conclusão e conservação do estabelecimento das Aguas Virtuosas do Lambary. Solicito por isso de V. S. toda coadjuvação em bem de que não encontre o dito Engenheiro difficuldades que demorem a realização dos trabalhos de que vae ser encarregado".

As obras do estabelecimento balneário estavam em andamento, quando, em fins de agosto de 1868, chegaram às Águas Virtuosas da Campanha o Conde D' Eu e a Princesa Isabel. Durante dois meses e meio os dias correram tranqüilos para os príncipes imperiais, preenchidos com passeio a cavalo pelas redondezas.Enquanto a Princesa se exercitava no fabrico de queijo pelos sítios e fazendas e se divertia jogando xadrez ora com o esposo, ora com o Visconde de Lages, o Conde D'Eu procurava por em dia a sua correspondência e acompanhava com interêsse os acontecimentos da guerra do Paraguai. Realizando-se por essa época eleições municipais, ao Conde não passaram desapercebidas as manobras partidárias de suborno e de violência e nem a advertência dos liberais para que os correligionários abandonassem o pleito, classificando tudo de ardil de baixa política, já usado na Espanha, achando, ainda, que o gesto dos liberais externava "exhortation á tendances anarchiques". Nas cartas enviadas a seus amigos e parentes encontram-se sempre expressões de grande entusiasmo pelas águas e pela beleza das cercanias das Águas Virtuosas, semeadas de pinheiros. Na carta de 10 de outubro de 1868, dirigida a seu pai, Sua Alteza assim se manifestou: "os arredores daqui são encantadores para excursões a cavalo; os dias são de deliciosa primavera e dificilmente se encontra recanto mais bonito" e termina afirmando que a decantada Floresta Negra, com sua cadeia de montanhas que correm paralelas ao Reno, não é mais pitoresca do que o aprazivel lugar em que se encontra.
Em 15 de novembro de 1868, ap6s dois meses e meio de estada, Suas Altezas partiram das Águas Virtuosas chegando a Caxambu dois dias depois, demorando-se aí poucos dias, pois a 8 de dezembro de 1868 assistiam à Procissão realizada em louvor de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida.

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Lambari - MG - 1860 - Presença da comissão de obras de melhoramentos. Elaboração de um regulamento para a Povoação.

Ao contrário do primeiro quinquenio da década de 1860, em que o Govêrno da Província de Minas Gerais se fêz presente no Distrito das Águas Virtuosas apenas para nomear dois fiscais agentes - Joaquim Ignácio Villas Boas da Gama Júnior, que não aceitou o cargo, e Felício Avelino Corrêa, que o exerceu até dezembro de 1863 - o segundo qüinqüênio se iniciou sob os melhores auspícios para o futuro da Povoação.
No dia 25 de janeiro de 1865, o Dr. José Franklin Massena, engenheiro da Província, enviou à Câmara Municipal de Campanha um ofício em que comumcava que o Govêrno Provincial, a bem do melhoramento e conservação das águas virtuosas de Lambari, houve por bem determinar a mudança da estrada contígua às fontes e proibir a plantação de "arvores de grandes raizes e espaçosos troncos que sempre impedem a livre passagem da veia liquida nas camadas subterraneas", e solicitava do "illustre e honrado corpo municipal" a necessária colaboração para que não houvesse "embaraço na execução das Posturas Municipais".

Em abril de 1865, a comissao de obras chefiada pelo engenheiro Henrique Gerber já se encontrava executando os primeiros serviços e, a ela, a Camara Municipal concedeu podêres para deliberar sobre a construção de casas marcando "o terreno pedido na forma da deliberação da Camara e em seus devidos têrmos". Tendo, no transcurso das obras, surgido forte censura ao Fiscal das águas através do periódico "Planeta do Sul', o Presidente da Província, Desembargador Pedro de Alcantara Cerqueira Leite, em 3 de novembro de 1865, dirigiu à Camara Municipal de Campanha o seguinte ofício: "O engenheiro H. Gerber, a quem ouvi sobre a censura feita ao Fiscal das aguas virtuosas no periodico Planeta do Sul, acaba de representar-me sobre a necessidade de confeccionar-se para aquella povoação um regulamento no qual marcando-se as'attribuições e deveres d' aquelle empregado se tomem ao mesmo tempo providencias para melhorar as condições hygienicas do lugar, ordenar a limpeza das ruas, esgotamento dos terreiros e hortas ete. Convem, portanto, que Vm.ces entendendo-se com aquelle Engenheiro que lhes fornecerá as necessarias bases formulem o dito regulamento e o submettão a approvação desta Presidencia, pondo-o entretanto desde já em execução".
Êste ofício foi entregue em 24 de novembro de 1865 pelo engenheiro Henrique Gerber à Camara Municipal, acompanhado de uma carta em que o mesmo solicitava que fôsse nomeado um dos ilustres vereadores para "projetar conjuntamente commigo e no lugar mesmo, o plano definitivo da povoação e redigir o referido regulamento".

Em 14 de julho de 1866, a comissão constituída pelos vereadores Francisco das Chagas Pereira, . funcionando como Presidente, Joaquim Ignacio Padilha, Manoel Ignacio Gomes Valladão, Joaquim Leonel de P.Alvim e Candido Ignacio Pereira Lopes, na sala das Sessões da Camara Municipal de Campanha redigiu as seguintes "Disposições pelas quaes se deve reger provisoriamente até a completa conclusão das obras do estabelecimento balneario, o uzo das aguas mineraes pelo publico, o alinhamento da povoação, o aforamento dos terrenos e a policia das ruas na povoação das Aguas Virtuosas da Campanha":

Cap. I - Do Fiscal

Art. 1.0 - O fiscal nomeado pelo Governo Provincial, sob proposta da Camara Municipal e a ella subordinado, é o empregado a quem compete fazer observar as presentes disposições e arrecadar as multas em que cahirem os infratores.
Art. 2.° - No desempenho de suas funcções se regulará não só pelos artigos seguintes como tambem pelas posturas da Camara actualmente em vigor em todos os pontos applicaveis que pelas primeiras não forem contrariados ou revogados.
Art. 3.° - Para poder fielmente cumprir com os seus deveres será coadjuvado por um ou dous guardas nacionais destacados que neste serviço serão seus subordinados.
Art. 4.° - Os vencimentos destes empregados serão marcados pelo governo Provincial e pagos, o do primeiro pelos cofres Provinciaes e dos ultimos pelos municipaes correndo por conta destes todas as despesas com a limpeza das ruas, o concerto das pontes e a conservação de todas as obras feitas em beneficio das aguas mineraes, sendo o fiscal auctorisado pela Camara a despender com estas obras até a quantia de Rs 120$000 annuaes.

Cap. II - Do aforamento dos terrenos e do alinhamento da povoação.

Art. 5.° - As divisas do terreno pertencentes á Camara Municipal serão marca das com marcos de pedras e dentro destes limites é prohibido não só a destruição de mattas ou capoeiras e excavações de terra e pedra, como tambem as plantações ou construção sejão de que especie forem, senão em terreno aforado.
Art. 6.° - O plano da povoação e o alinhamento das ruas se regulará pela planta organisada e rubricada pelo..engenheiro H. Gerber em 1.0 de Maio de 1866, a qual se acha depositada no arquivo da Camara.
Art. 7.° - A Camara, tendo em vista este plano, concederá terrenos para edificação de cazas por meio de aforamento pagando o foreiro por cada metro de frente que o terreno tiver para o lado da rua um foro anual de 600 réis. Os terrenos nas esquinas pagarão pela mais cumprida de suas duas frentes. Os terrenos que tiverem mais de 30 metros de fundo pagarão proporcionalmente mais, de modo que aquelles que tiverem v. g. 40 metros de fundo pagarão 800 réis e os de 50 metros de fundo 1$000 por cada metro de frente. As divisas entre dois terrenos vizinhos formarão sempre uma linha recta e perpendicular sobre a frente da rua.
Art. 8.0 - Compete á Camara isentar do onus de aforamento aquellas cazas situadas fora de um certo circulo cujo raio a Camara determinará segundo o progresso com que a povoação por ventura irá crescendo.
Art. 9.0 - O alinhamento das ruas e cazas será executado de conformidade com a planta e em presença do fiscal pelos alinhadores nomeados pela Camara que vencerá a quantia de 300 réis por cada metro de frente, paga pelo foreiro ficando no entanto os alinhadores responsaveis por qualquer erro conforme o artigo 36. o das posturas.
Art. 10.0 - O foreiro é obrigado a principiar a construção da caza dentro de 3 meses a contar da data da concessão e a concluil-a no prazo de 18 meses sob pena de perder o direito de aforamento e de ser obrigado a desfazer as obras principiadas.
Art. 11.0 - Os terrenos na extensão que não for occupada pela caza, serão convenientemente cercadas do lado da rua por muros de pedra ou de adobes ou taipa cobertos de telhas ou por gradis de madeira lavrada. Em nenhum cazo é permitido que uma caza faça excepção desta regra.
Art. 12.0 - Todas as cazas devem ser baseadas sobre alicerces continuos de pedras, elevadas pelo menos 40 centimetros sobre o nivel da rua e este ultimo nunca será mais baixo do que o nivel do aterro novo da rua dos Poços. Os foreiros são obrigados a aterrar a metade da largura da rua na extensão de seu terreno em todas aquellas ruas cujo nivel se acha ainda abaixo da citada rua dos Poços e deverão igualmente construir na frente de suas cazas uma calçada ou um passeio de pedras de 1 m 30 de largura e 20 cents. superior do leito da rua.
Art. 13.0 - Fica prohibida a construção de cazas novas bem como o concerto ou a reconstrução das já existentes na parte-norte do largo antigamente chamado do "Recreio". Igualmente fica prohibido a abertura de ruas e construção de cazas no bosque do morro do Castelo que faz ao sudoeste do largo, senão nos lugares marcados na planta.

Cap. III Da policia das ruas.

Art. 14.0 - Alem das disposições especiaes das posturas em vigor fica expressamente recommendado ao fiscal de promover os meios tendentes a melhorar a salubridade do lugar obrigando os moradores a cuidar na limpeza e no esgotamento dos terreiros, hortas e da metade da rua que lhe toca. Multa de 2$000 ao contraventor.
Art. 15.0 - É rigorosamente prohibido deixar soltos nas ruas: cavallos, burros, bois, cabritos, carneiros e porcos. Multa de 4$000 iudistintamente por cada cabeça.
Art. 16.0 - O fiscal velará cuidadosamente sobre a boa conservação e um exemplar asseio das obras já executadas ou das que ainda se tem de fazer em beneficio das diversas aguas minerais. Qualquer damnificação será punida com 2 a 10$000 de multa alem da obrigação de ser reparado o damno pelo infrator.
Art. 17.0 - É prohibido a fadura de poços, construção de alicerces ou qualquer excavações que tenhão mais de um metro de profundidade abaixo do nivel da rua dos poços em todo terreno que estiver compreendido dentro do perimetro (na planta demarcada por uma linha azul escura) de lOO metros em roda de qualquer das fontes gazosas ou ferreas existentes ou das que por ventura se descobrir. MuIta de RslO$OOO e desfazimento immediato da obra e aterro da escavação.

Cap. IV - Do uso das aguas mineraes pelo publico.

Art. 18.0 - É licito a qualquer pessoa utilisar-se gratuitamente das aguas mineraes gazosas ou ferreas por meio das bombas ahi colocadas contanto que não prejudique o asseio das mesmas bombas e suas pias.
Art. 19.0 - Para aquellas pessoas que deverão usar da agua virtuosa tirada diretamente da nas~ente, estará aberto o respectivo poço das 6 ás 8 horas da manhã e das 4 ás 6 da tarde debaixo da guarda de uma pessoa para esse fim nomeada pelo fiscal, a qual mesma tirará a agua com o aparelho proprio e ministrará com o devido asseio ás pessoas que quiserem, cobrando por cada copo d' agua que tirar 20 réis e por cada garrafa item 40 réis. Estas quantias constituirão, em quanto não for determirado o contrario, a gratificação da pessoa encarregada deste serviço.
Art. 20.0 - Em quanto não se concluir a caza de banho propriamente dita, servira as pessoas que necessitarem de banhos d' agua virtuosa a banheira estabelecida na parte de leste da nova caza de banhos.A agua será fornecida para esta banheira por meio de uma bomba ahi cclocada procedendo-se antes de cada novo banho a limpeza da banheira e ao enchimento della com agua fresca devendo esse serviço ser regulado pelo fiscal debaixo de sua responsabilidade.
Art. 21.0 - Ao fiscal compete distribuir de conformidade com os pedidos que lhe forem dirigidos, cartões impressos que dão direito aos banhos d' agua virtuosa, cada um pelo preço de 400 réis alem da rubrica do secretario da Camara, trazer escripto o dia e hora do banho não podendo exceder ao tempo de uma hora.
Art. 22.0 - Do meio dia até as duas horas da tarde será a banheira franqueada gratuitamente ás pessoas que pelos attestados da autoridade competente e de um medico provão o seu estado de pobreza e a necessidade do uso desses banhos.
Art. 23.0 - Alem de cumprir rigorosamente o disposto no artigo 16, o fiscal não permittirá que pessoas affectadas de molestias contagiosas ou das de um aspecto repugnante se utilisem do estabelecimento de uma maneira que possa prejudicar a saude ou ofender a delicadeza dos outros hospedes.
Art. 24.0 - Quaesquer queixas do publico sobre faltas que houver na execução do presente regulamento, devem ser dirigidas verbalmente ou por escrito ao fiscal e se o não forem sanadas requererão as partes ao presidente da Camara.
Art. 25.0 - O fiscal registrará num livro para isso destinado, numerado e rubricado pelo Presidente da Camara ou qualquer dos vereadores a estatistica annual completa das pessoas que se utilisarem das aguas mineraes em ordem dos dias em que ahi chegarem, com indicações de seu nome, occupação, residencia, numero de pessoas da sua comitiva, molestias de que são affectadas, quaes as aguas de que usarão, se em bebida ou banho, do resultado que obtiverão e do dia de sua retirada.

Fica igualmente incumbido o fiscal debaixo da superintendencia da Camara Municipal da escripturação regular sobre a receita e a despesa de tudo mais que occorrer a respeito do estabelecimento em geral, devendo no 1.0 de janeiro de cada anno apresentar de tudo um relatorio para ser remettido á Directoria Geral das Obras Publicas, por intermedio da Camara Municipal" .

Êste regulamento foi aprovado pelo Governo da Província em 17 de novembro de 1869, tendo a Câmara Municipal de Campanha tido conhecimento dessa aprovação pelo seguinte ofício recebido do Palácio da Presidencia e assinado pelo Presidente José Maria Correa de Sá e Benevides: "Transmitto á Vm.ces a inclusa portaria desta data pela qual resolvi approvar provisoriamente o Regulamento por Vm.ces organisado para as aguas virtuosas desse municipio com as modificações constantes da mesma portaria afim de que lhe deem a devida execução, até que seja definitivamente approvado pela Assembleia Provincial, a quem nesta data o faço remetter". A portaria referida, está redigida nos seguintes termos:

"O Dr. Presidente da Provincia tendo em vista o officio da Camara Municipal de Campanha de 14 de julho de 1866, o regulamento por ella organisado das attribuições e deveres do Fiscal das aguas virtuosas da Campanha e o parecer fiscal de 5 deste mez, resolve approvar provisoriamente o mesmo regulamento com as seguintes modificações:

Art. 1.0 - O fiscal nomeado, pela Camara Municipal é o empregado a quem compete fazer observar as presentes disposições e arrecadar as muItas em que cahirem os infraetores.
Art. 3.° - Substitua-se pelo seguinte: Para o cumprimento de seus deveres, si necessario for, será coadjuvado por uma ou mais pessoas contractadas e pagas pela Camara.
Art. 4.° - Os vencimentos do fiscal e empregados auxiliares serão pagos pelos cofres municipaes, assim como a despeza com a limpeza das ruas, concerto de pontes e conservação das obras feitas em beneficio das aguas mineraes, sendo o Fiscal auetorizado a despender com estas obras a quantia de cento e vinte mil réis mensais.
.. Art. 8.° - Suprima-se.
Art. 18.°_ É licito aos pobres usar das aguas mineraes interna e externamente observado o presente regulamento, uma vez que apresentem attestado de doença passado por medico ou pessoa auetorisada para curar, e de pobreza pelo Vigario, Juiz de Paz, ou qualquer audoridade policial.
Art. 19.° - O uso das fontes é franqueada das seis horas da manhã ás seis da tarde. O producto das taxas ahi estabelecidas é renda municipal que será applicada ás despezas do estabelecimento balneario.
Art. 21.° - Reduza-se a cem réis o preço dos banhos.
Art. 22.° - Substitua-se pelo seguinte: haverá banheiros especiaes para os pobres que tambem serão francas das seis horas da manhã ás seis horas da tarde, guardando as mesmas formalidades prescritas no regulamento, para os outros banhos.
Art. 23.° - Idem pelo seguinte: o. uso dos banhos é prohibido a qualquer pessoa affedada de molestia contagiosa. No caso' de' contestação entre o fiscal e qualquer pessoa sobre a natureza contagiosa da enfermidade, o Fiscal representará ao Presidente da Camara Municipal que decidirá ouvindo a opinião dos medicos.
Art. 24.°-Fica subsistindo, acrescentando-se as atribuiçcoes policiaes.

Palacio da Presidencia da Provincia de Minas Geraes.
Ouro Preto, 17 de novembro de 1869.
O presidente da Provincia (a) José Maria Correa de Sá e Benevides".

NOTA:

Nas Instruções que servissem de base à administração do agente fiscal, baixadas pela Camara (referidas no capítulo IV), nos Ensaios Analíticos da água virtuosa, apresentados à mesma Camara em 1840, na tese de doutoramento do Dr. José Xavier Lopes de Araújo (referidos no capítulo V) e nas Disposições Regulamentares insertas neste capítulo, se tem feito alusão ao Morro do Castelo, com seus pinheiros e com sua pedreira. Com êsse nome se designava o morro onde hoje se localiza o Asilo e Hospital São Vicente de Paulo com suas lombadas dirigidas para os lados da rua Teófilo Ottoni e as ruas Wenceslau Brás e Ernesto de MeIo.

(OBS) Escrito na linguagem da época

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Lambari - MG - 1860 - Estado de decadência a que chegou a povoação.

Na sessão extraordinária de 28 de novembro de 1859, a Camara Municipal de Campanha tomou conhecimento dos dois seguintes fatos: o primeiro referente ao parecer do Dr. Joaquim Bueno Goulart Brun, concluindo que para impedir a invasão das enchentes nos poços da "agua gazosa de Lambari" não haveria necessidade de mudar-se o leito do rio, fazendo-o atravessar um morro, bastando unicamente retificá-lo e rebaixar o respectivo leito, obras essas cujo trabalho "não aquilatasse a 5.a parte do dispendio da pretendida mudança".

O segundo fato se reporta à comunicação feita pelo vereador Ferreira Lopes de que a "picada" que o engenheiro Henrique Dumont exigiu fazer-se nas Águas Virtuosas se achava pronta, picada que, juntamente com as obras a serem realizadas no rio, representava os planos de futuros melhoramentos, a serem feitos na povoação pelo Govêrno da Província.

Não se tendo, porém, iniciados os serviços dêsses planos e já do conhecimento da população, o periódico "Sul de Minas", em sua edição de 8 de julho de 1860, comentando o descaso do governo provincial pelo futuro das Águas Virtuosas, cujo povo reclamava, assim se expressou a respeito.: "apenas veio um engenheiro que depois de um 'ligeiro exame regressou, mandando abrir uma picada sem haver mais vestigio de sua passagem".

Enquanto o Distrito de Lambari (atual Jesuania) já possuía desde 1860, o seu, representante político. - o vereador Francisco Carneiro San Thiago Junior - a quem competia cuidar de todos os assuntos do distrito que representava,a administração do Distrito das Águas Virtuosas, continuou, em toda decada, a ser garantida por dois funcionários, representantes da camara municipal de Campanha: um fiscal aferidor de pesos e de medidas, e um fiscal agente. Ao primeiro estavam adstritas funções específicas de fiscalização das balanças e das medidas usadas nas vendas de víveres e de sal, cobrando dos fazendeiros dos tropeiros e dos negociantes de " molhados e secos " a quantia estipulada pelas leis em vigor; ao fiscal agente estavam adstritas funções de maior amplitude. A par de funções puramente informativas, cabiam-lhe, ainda, funções normativas fiscalizadoras, coercitivas, impondo multas e não raros executivas, submetendo, " a posteriori ", à apreciação da Camara Municipal de Campanha as medidas tomadas.

Justamente por isso e para que não houvesse hiato na administração, o cargo de fiscal agente deveria ser exercido por pessoa de bastante espírito público e não estar sujeito a constantes substituições consoante o verificado no transcurso da década em que o cargo de fiscal agente foi exercido pelas sete seguintes pessoas:

1.a: Candido José Marianno, que já vinha exercendo desde 1859 e que em 1.0 de abril de 1861 se exonerou a pedido, por se transferir para outro Distrito.

2.a: Antonio Pereira de Gouveia, fiscal suplente, que entrou logo em exercício, substituindo a Candido José Marianno, exercendo o cargo até 8 de abril de 1862, quando solicitou a exoneração por se achar "bastante incomodado em sua saúde e alcançado em idade, tendo, também, pouca vista".

3.a: Felício Avelino Corrêa, que exerceu o cargo de 15 de maio de 1862 até 6 de janeiro de 1864, quando se demitiu.

4.a: Manoel lzidoro de Carvalho, que exerceu o cargo de 12 de junho de 1864 até março de 1865.

5.a: Olímpio Pereira Pinto, que exerceu o cargo de abril de 1865 até agosto de 1866.

6.a: Pedro Francisco Freimont, que exerceu o cargo de setembro de 1866 até fins de 1868, quando faleceu.

7.a: Antonio Joaquim do Nascimento, nomeado diretamente pelo Presidente da Província, por portaria de 15 de fevereiro de 1869, contrariando frontalmente os desejos da Camara Municipal de Campanha, que se opusera a dar-lhe posse.

Estas freqüentes mudanças de funcionários, com aproveitamento de pessoas que, não raro, demonstraram desinterêsse no cumprimento dos deveres funcionais, e mais o período de vacância entre uma nomeação e outra, às vêzes longo, e dentro do qual tudo corria sem fiscalização, todos êstes fatores criaram situações e problemas que deram à povoação o aspecto
de um lugar abandonado. Em II de abril de 1862, Francisco Carneiro San Thiago Junior, vereador do Distrito de Lambari, faz a seguinte comunicação à Câmara Municipal de Campanha:

"Como tistimunha ocular do estado de ruinas em que se achão diversas pontes no centro da Povoação das Aguas Virtuosas e suas passagens que com o risco de vida atravessa-se, devido a negligencia do Fiscal e dos habitantes que tem deixado de conservarem suas testadas, e como se aproxima a epoca da afluencia de grande numero de pessoas de diversas Posiçoens e como existe tambem um grande pantano, necessariamente convem aterralo".

Em 22 de agôsto de 1862, em carta de Luiz de Souza Lima dirigida aos vereadores de Campanha.propondo melhoramentos para a povoação, encontram-se as seguintes expressões: "As aguas virtuosas vão detriorando. Consta que há dinheiro para beneficio das aguas Virtuosas e com elle se poderá arranjar bem o lugar".

Em carta de 4. de julho de 1863, enviada à Câmara Municipal de Campanha, o fiscal Felício Avelino Corrêa relata o seguinte:

"O abaixo assignado Fiscal deste Distrito cumprindo com huma de suas atribuições participa por esta a V. S.as que as pontes das principaes ruas desta Povoação estão em estado de cauzar algum desastre por estarem podres e em parte desmanchadas. Segue daqui um caminho para o ponto mais importante deste Distrito que passa na fazenda dos Gonçalves por cujo caminho estes Srs. nos fornecem aqui viveres em abundancia, e este anno pelo mao estado do caminho talvez aja aqui falta. Alguns fazendeiros reuniramse aqui de fazer um caminho em que os carros poderem transitar, porem está acima das suas forças, eu como fiscal tomo a liberdade de lembrar a V.a S.as pelo bem publico que esse caminho é de summa utilidade para os povos deste lugar e posso afiançar que se essa Ill. ma Camara concorrer com seu contigente o caminho se fará".

Em 1864, a povoação que não assistia à construção de uma "moradia de casa" desde 1862 e que continuava a manter suas ruas em meio de pântanos ,e com suas pontes em ruínas, viu agravar-se a situação, a que os podêres públicos da Campanha não queriam ou não podiam corrigir. A velha estrada que ligava a povoação à Campanha e ao Distrito de Lambari (atual Jesuânia), as estradas que se dirigiam para a freguesia de São Gonçalo, para a povoação de Conceição do Rio Verde e os caminhos que levavam às fazendas do Distrito exigiam consertos urgentes. O fiscal Manoel Izidoro de Carvalho retrata fielmente todo estado de decadência existente, na seguinte carta enviada à Câmara Municipal de Campanha, em 18 de julho de 1864:

"Remeto a essa Camara a relação conforme me foi exigida:
1.0 que he precizo concertar-se a estrada da serra que segue desta povoação para a cidade;
2.0 que he precizo os mesmos concertos que segue desta Povoação para a Freguezia de São Gonçalo;
3.° que tambem é preciso concertar-se a estrada que segue desta Povoação para a Freguezia do Lambary, onde passa o rego da agua que Francisco Moreira de Oliveira fez e como seja prejudicial ao tranzito publico por passar o rego muito perto do caminho;
4.° que he precizo cobrir-se o mesmo rego no lugar onde atravessa a estrada perto da Caza de Antonio Pereira de Gouveia por ser o rego bastante fundo e em lugar publico, o que pode resultar algum perigo;
5.° que he precizo fazer-se duas pontes, uma no leito velho e outra na nova dentro desta povoação na estrada que segue daqui para Conceição do Rio Verde;
6.° he tambem precizo um aterro na Estrada que vem dessa Cidade em um corgo perto do Rancho de D.a Anna Esmeria Ribeiro, que em todo tempo das Aguas, torna-se intransitavel;
7.° he precizo um aterro na sahida da ponte perto do mesmo Rancho, ao lado da Povoação e é precizo um esgoto no largo do poço que começa para cima da caza de Daniel Paes Pinheiro e passa perto do poço das aguas virtuosas até o Rio. E uma ponte na rua onde passa o esgoto e um aterro em cada lado da mesma ponte por ser lugar bastante baixo e as aguas dos Montes entrão no poço das Aguas Virtuozas e formão na rua um pantano intransitavel;
8.° Levo ao conhecimento de V.a S.as que existe nesta povoação tres cazas de jogos que continuam sem appresentarem-me a licença, sendo estas de José dos Santos Andrade, Bernardo Ferreira da Silva e Jacob Klues;
9.0 Que José dos Santôs'Andrade tem vendido Agoardente sem pagar os direitos pertencentes a essa 'Camara;
10. o sobre os jogos já fiz: um officio ao Procurador da Camara porem não deu providencia ao dito fim;
11.0 No dia 20 de setembro de 1863' vindo os musicos do Lambary ao fim de divertir-se e tocarem nesta povoação segundo o Costume, nesta.occazião foram espancados dentro da Povoação do que fizerão Auto e não inquirirão testemunhas porque dizem que inda que reprove e se crimine os Autores das pancadas, estes serão-despronunciados pelo Juiz de Direito. E deste modo está parada a acção tendo-se testemunhas para o dito fim.;
12.0 Que Felicio Avelino Corrêa maltrata seus escravos e escravas com pancadas que não é permitido aos Christãos como é publico neste lugar, segundo se vê as cicatrizes nas mesmas escravas o que é admirado pelo publico;
13.0 Não posso ser mais recto em minha relação em razão de não ter regulamento por onde me hei de guiar apezar de o ter por muitas vezes ao Escrivão da Camara desta Cidade e não tenho obtido"

(OBS) Escrito na linguagem da época

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Lambari - MG - 1850 - Inauguração da temporada de veraneio.

No ano de 1853, a despeito da povoação não oferecer nenhum conforto e não possuir a mais rudimentar hospedaria, 59 famílias com 208 pessoas, acompanhadas de 187 escravos vieram dos mais distantes pontos do país, fazer uso da água.

Dessas 208 pessoas, 56 procediam de Bananal, na Província de São Paulo, e 16 pessoas procediam de Barra Mansa, na Província do Rio de Janeiro, dois municípios limítrofes e de grande projeção na época, pela riqueza de suas fazendas, constituídas exclusivamente de vastos cafezais. Dentre as pessoas da cidade de Bananal vale citar a presença dos Comendadores Manoel de Aguiar Vallim e Antonio José Nogueira, e de Barra Mansa, a presença do Comendador Lucas Antonio Monteiro de Barros, figuras de muito prestígio economico e financeiro nos meios sociais das Províncias de São Paulo, do Rio de Janeiro e na Côrte, junto ao Govêrno Imperial, que estiveram em uso da água, de 20 de agosto a 20 de setembro, de 28 de agosto a 28 de setembro e 1º de outubro a 3 de novembro, respectivamente.

A estada dessas famílias concorreu para que famílias próximas de Bananal e Barra Mansa, como Queluz, Areias, Silveiras, na Província de São Paulo, e Resende, Vassouras, Valença e Piraí, na Província do Rio de Janeiro, viessem, também, fazer uso da água no transcurso do ano de 1853. Existindo já a corrente de freqüentadores da povoação que vinham desde quando a água apareceu, para tratamento das mais variadas doenças, nem por isso, todavia, essa procura se firmara como um hábito, havendo ocasiões e épocas, como a década de 1840, em que a freqüência de forasteiros na povoação foi pràticamente inexistente.

A estada dessas importantes famílias, no ano de 1853, consolidou o hábito da procura da água e inaugurou a temporada de veraneio, em que pessoas das mais variadas posições sociais passaram a freqüentar a localidade com esperança na água.

Em todos os anos da década de 1850, a freqüência na localidade foi animadora, verificando-se sempre que os meses de julho, agosto e setembro do ano eram os mais procurados. O movimento na década, de 1853 em diante, foi o seguinte:

ano de 1854: 31 pessoas - 4.° trimestre;
ano de 1856: 104 pessoas - 3.° trimestre;
ano de 1856: 257 pessoas - ano todo;
ano de 1857: 198 pessoas - 2.° e 3.° trimestres;
ano de 1858: 228 pessoas - ano todo;
ano de 1859: 189 pessoas - 3.° e 4.° trimestres.

Dentre as pessoas de projeção na época destacam-se as seguintes: Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, ex-presidente da Província de São Paulo, que veio acompanhado de seu filho, Brasilino de Aguiar Castro, em tratamento de doença do estomago, e permaneceu na localidade, de 23 de setembro a 12 de outubro de 1855; Comendador Lucas Antonio Monteiro de Barros, vindo pela segunda vez e permanecendo de 27 de outubro a 23 de novembro de 1854; o Barão de Guaratinguetá, acompanhado de sua esposa e do Dr. Rafael José Cazal, permanecendo de 20 de julho a 20 de setembro de 1858; por fim, o Comendador José de Souza Breves, que, com sua mulher, permaneceu de 5 de outubro a .3 de novembro de 1859, tornando-se não apenas um assíduo freqüentador, como um grande benfeitor da povoação.

A água, para fins de tratamento, em toda década foi usada por via interna, bebida. Por via externa, era usada em banhos comuns, existindo para tanto uma "Casa de Banhos", constituída de um pequeno prédio de alvenaria, rústico, coberto de telhas, rebocado e pintado, onde dois tanques de pedra e tijolos, situados à pequena distância das nascentes e em nível inferior a estas, constituíam os "Poços de Banho". A água das fontes era levada aos poços de banho por meio de uma canalização muito rudimentar feita de tábuas de caixões ou de tábuas obtidas dos inúmeros pinheiros que se erguiam do morro do Castelo.Esta canalização, não raro, era destruída pela força das enxurradas, ocorrência, às vêzes, corrigida pelas pessoas que vinham fazer uso da água, mediante subscrição geral para fornecimento de material e pagamento do pessoal necessário para os consertos.

Procurando firmar seu nome como estação de tratamento, os mapas de freqüência da época registraram a presença de famílias vindas de Cristina, Campanha, Resende, Rio de Janeiro, Valença, Friburgo, São João Marcos, Sant'Ana do Capivari, Cantagalo, Três Corações, São Paulo, São José do Barreiro, Mariana, Jacuí, Queluz de Minas, Queluz de São Paulo, Guaratinguetá, Lavras, Paraibuna, Oliveira, Bananal, Mogi-Mirim, Mar de Espanha, Caldas, Lorena, Barra Mansa, Casa Branca, Leopoldina, Turvo, Amparo, Conservatório, Silveiras, Saquarema, Franca, Vila de São José do Príncipe.
A procura da água por pessoas doentes se fêz sentir, principalmente, para tratamento das doenças do estômago, cujos casos rotulados nos relatórios enviados à Câmara Municipal de Campanha, apenas de "doenças do estomago" ou de "gastrite chronica do estomago" constituem a grande maioria, seguindo-se, logo após, casos de "doença do figado" e, em menor escala, de "doenças do ventre". Tirante êstes como principais, assinalam-se, ainda, casos de "doenças do peito, polmonia, inflamação das urinas, urina doce, defluxo asthmatico, reumatismo no coração, sangue pela boca, frouxidão e ataque de nervos".

NOTA:

o Comendador José de Souza Breves, fazendeiro de grandes recursos no Município de Barra Mansa, na Província do Rio de Janeiro, foi assíduo freqüentador das águas em quase toda década de 1850, vindo sempre acompanhado de grande séquito de camaradas e de escravos. Tanto êle como sua mulher, D. Rita Breves, se tornaram benfeitores da povoação pela doação que fizeram de uma casa para residência do vigário e pela colaboração prestada com muitos donativos para construção da Igreja. Em reconhecimento a êsses atos de benemerência, pela Lei n.o 7, de 26 de abril de 1902, a Camara Municipal de Lambari houve por bem dar o nome do Comendador José Breves à antiga rua do Comércio.

(OBS) Escrito na linguagem da época

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