quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Personalidade política mexicana surpreende com obra sobre presença extraterrestre

Autora inicia uma trilogia que aborda deuses, ETs, suas influências sobre nossa cultura e, principalmente, na do México
Mais uma obra literária de extrema importância. Crédito: Plaza & Janes

Por J. Antonio Huneeus - Tradução: Thiago Ticchetti

A publicação do livro Los Círculos de los Dioses [Os Círculos dos Deuses, Plaza & Janes, 2009] de Guadalupe Rivera Marín no início deste ano, que trata da presença alienígena na história do México, tem causado frisson no meio intelectual mexicano. Talvez nem seja devido ao assunto – extraterrestres –, mas sim pelo fato de sua autora ter uma carreira altamente prestigiada e sólida na política, educação e cultura.

Nascida em 1924, Guadalupe Rivera Marín é uma das filhas do famoso muralista Diego Rivera (1886-1957), é formada em direito pela Universidade Autônoma Nacional do México (UNAM), uma das instituições de ensino mais conceituadas do país. Ela tem uma longa carreira no governo, incluindo cargos de alta chefia, embaixadora do México na Organização das Nações Unidas (ONU) no programa para a Organização de Alimentos e Agricultura (FAO) em Roma, conselheira econômica para a presidência, delegada em vários congressos etc.

Membro do Partido da Revolução Institucional (PRI) desde 1960, foi senadora e deputada por vários mandatos, professora de direito na UNAM e atualmente é presidente da Fundação Diego Rivera. Guadalupe publicou vários livros na área de direito, economia e, mais recentemente, ficção. Os Círculos dos Deuses é a primeira obra de uma trilogia.

A editora descreve da seguinte forma: “O texto é o resultado de vários anos de investigação que a autora chama de 'ficção-histórica', combinando dados históricos e arqueológicos, mitologia pré-hispânica e lendas populares, pessoas reais e imaginárias. Começando com um enigma concreto, seu objeto é decifrar as mais remotas origens dos mexicanos. O trabalho é parte de uma trilogia que descreve quem eram os deuses extraterrestres, de onde eles vieram, como chegaram a esse planeta e porque escolheram o território mexicano para plantar as suas sementes”.

A história começa com Pedro Raygadas, um jovem membro da família Querétaro, que foi gravemente ferido durante a Guerra de Cristero [Uma rebelião católica contra o governo secular do PRI formado depois da Revolução Mexicana], no final dos anos 20. Raygadas é socorrido por uma princesa índia, com quem teve um filho, Vicente. Entretanto, teve que fugir para a Europa depois que os índios o responsabilizaram pela morte da princesa, quando deu à luz ao seu filho. Anos depois, explora uma mina de mercúrio que ele herdou de sua família e descobre uma misteriosa caverna conhecida como “Caverna do velho Deus”.

“Entre os índios existe uma lenda”, diz a editora sobre o livro, “de que é um local muito perigoso por causa das Tizimines”. Tizimines são bruxas demoníacas que se transformam em bolas de fogo e voam. Nessas bolas de fogo abrem-se buracos que levam pessoas para a serpente Quetzalcoatl, o ser equivalente a Jesus, que trouxe a civilização para os antigos mesoamericanos e tornou os discos voadores tão populares no México.

A trilogia continuará com o segundo volume, que será publicado ainda neste ano, se chamará A Sabedoria dos Deuses, onde Pedro Raygadas, agora um antropólogo, estuda o fenômeno com base científica, e o terceiro volume, As Origens, que será publicado em 2011, irá explicar o local de origem dos extraterrestres.

Tudo começou com um avistamento

Em várias entrevistas à mídia mexicana, Guadalupe disse que seu interesse sobre o Fenômeno UFO começou quando teve a sua primeira e única experiência na década de 70, viajando de Sierra Gorda para Querétaro. Para o jornalista Angel Vargas, publicado no jornal La Jornada, contou que “quando passavam pelo vilarejo chamado Vizarrón de Montes, o carro parou e todas as luzes da área apagaram-se. Naquele momento o que se parecia com uma nave passou sobre nós. Os moradores locais o chamam de Bolas Vermelhas ou Tzinziniles, na linguagem Otomi”. 
Guadalupe Marín é conhecidíssima e amplamente respeitada em seu país. Crédito: Actualidad orange

Fenômeno similar também foi relatado em Guanajuato, acredita-se que eles vieram do Golfo do México para Sierra. Ela ainda declarou que anos antes, em 1921, seu pai, Diego Rivera, e outro famoso pintor mexicano, David Alfaro Siqueiros, viram objeto semelhante. Sua experiência em Sierra Gorda despertou interesse para pesquisar mais profundamente os chamados Tzinziniles ou Tizimines no folclore e na mitologia mexicana. “Nós éramos uma nação poderosa e cultivada, que desapareceu no Dilúvio”, disse. “O Popol Vuh não é nada mais do que a narrativa de como a Terra foi recuperada após o Dilúvio. Entretanto, eu sempre achei que havia uma ligação com uma espaçonave. Posteriormente pensei na serpente Quetzalcoatl”.

Popol Vuh é uma coleção Maia sobre a criação e mitos. Guadalupe menciona que nessa enciclopédia há a história de um deus que veio e pairou sobre as águas, suas penas verdes e vermelhas as iluminaram. “Os que vieram dele”, declarou, “podiam mover montanhas, secar rios e dar a terra capacidade de crescer plantas novamente”. Ela acredita que tudo isso deve ter sido feito por uma espaçonave alienígena, uma vez que os humanos não poderiam realizar tal trabalho.

Sua primeira pesquisa foi publicada nos anos 70 e não foi uma ficção, mas uma série de artigos para a revista Contactos Extraterrestres, uma publicação de excelente qualidade no México. Um dos seus artigos chama-se A Origem Cósmica dos Festivais Indígenas. “No nosso entendimento”, ela escreveu, “uma maneira da fazer a astroarqueologia americana é o estudo de desenhos, pinturas, monumentos, tumbas, monólitos que estão em museus, nas ilustrações de antigos códigos e nas histórias mitológicas. Tudo isso pode nos levar a crer que havia uma relação entre os deuses da criação e os primeiros homens, quando juntos trabalharam para desenvolver uma nova geração, com um novo tipo de vida”.

Na sua entrevista com Vargas, Guadalupe, com 85 anos, explicou alguns motivos que a levaram escrever Os Círculos dos Deuses. “Eu fiz tudo isso com a idéia de que os mexicanos deveriam saber, embora ninguém pareça querer saber, que somos mais antigos do que os egípcios, que somos parte do cinturão cultural ao redor do mundo, que vem antes do Dilúvio”. Vargas perguntou se não temia ser alvo de chacotas e descrédito. Ela respondeu que não.

Então questionou o quanto a sua obra é real e o quanto é ficção. “Para mim é tudo real. Com exceção àqueles elementos que são básicos em qualquer ficção. Deve existir personagens, amor, paixão e ação. Mas é real, por exemplo, que uma daquelas colossais cabeças Olmecas está na Missão Bucareli (em Sierra Gorda), e que poucas pessoas sabem disso”. Vargas finalmente pergunta por que ela acha que o contato com os extraterrestres parou no passado. “Porque nós traímos os deuses e nos tornamos arrogantes, ambiciosos, avarentos. Ao invés de utilizarmos a ciência para o bem, nós a usamos para maus propósitos”.

Se a trilogia será um sucesso, temos que aguardar, mas o simples fato de que uma pessoa com sua história política e cultural esteja discutindo a presença extraterrestre em nossa história já é de grande significado.
 
Agradecimentos a:
Paulo R. Poian.
Consultor da Revista UFO Brasil

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