segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Visitando as regiões da Itália

Friuli Venezia Giulia
A região do Friuli-Venezia Giulia (“Friúli” pronuncia-se com o acento tónico na “u”), è formada da união do Friuli, que constitui acerca de 90% do território (com capital histórica Udine), com a parte da Venezia Giulia que ficou em território italiano, após a Segunda Guerra Mundial.A região foi criada somente em 1954, quando Trieste voltou a ser definitivamente italiana. A união numa única região de populações muito diferentes por história, cultura e tradições, criou atritos internos e reivindicações, entre as cidades de Udine e Trieste, que continuam até os dias de hoje.
De fato, a escolha de pór Trieste, que já foi o principal porto do Império Áustro-Hungaro, como capital da região, foi feita para dar a esta cidade, que gozava di prestigio internacional e que se tornou o símbolo do nacionalismo italiano, um papel administrativo importante. A cidade porém, é alheia à região histórica e geográfica do Friuli e por isso é fortemente hostilizada pela componente friulana de Pordenone, Udine e Gorizia.

Já Udine, por séculos capital do Patriarcato de Aquileia, que já no XIII século era um dos maiores estados do norte da Itália, desde 1200 é reconhecida como capital histórica e institucional do Friuli.Em 1963, quando Trieste foi decretada capital da região, Udine foi praticamente estrometida do papel que teve por séculos e que segundo muitos friulanos ainda lhe pertence, tendo em conta sua ilustre história, sua centralidade geográfica e sua importância econômica, sem contar o fato que metade da população da inteira região vive em sua província.
A região do Friuli-Venezia Giulia faz divisa com a Áustria ao norte, com a Eslovénia ao leste, com o Veneto ao oeste e com o Mar Adriático ao sul.Suas províncias são: Udine e Pordenone (Friuli), Gorizia e Trieste (Venezia Giulia) que, juntas, somam 219 comunes e contam com mais de 1.200.000 habitantes. 
A região foi abalada em 1976 por um grave terremoto, que fez sim que muitos emigrantes, particularmente dos Estados Unidos e da Argentina, voltassem nesta terra, para reconstruir as cidades destruidas pelo sisma.

Trieste
Localizada entre a cultura da Europa central e mediterrânea, Trieste sempre foi uma cidade de grande encanto.
Na sua caracterização têm um papel fundamental a posição geográfica, que faz dela uma espécie de ponte ideal em direção ao Leste Europeu, e a presença de importantes instituições culturais, entre as quais a “Área de Pesquisa” e o “Centro Internacional de Física Teórica”, que a qualificam como pólo científico de relevância européia.
Rica de museus e obras de artes, Trieste é conhecida pela sua vocação cosmopolita e pelas atmosferas literárias.
Os seus cafés (Tommaseo, degli Specchi, San Marco) são locais de encontro de intelectuais e as suas ruas são uma sucessão de palácios neoclássicos que lhe conferem, também no aspecto, a imagem de importante cidade da Europa central.
A colina, onde surge o Castelo, constitui o núcleo mais antigo de “Tergeste”, o antigo nome romano da cidade, habitada desde a pré-história e colônia romana, a partir do II século a.C.Foi em seguida Bizantina e dos Francos (788); com o crescimento da potência veneziana lutou contra a “Serenissima”, para não ser absorvida, até a passagem à dominação austríaca no século XIV, que favoreceu o desenvolvimento como centro comercial e o cruzamento de populações e culturas diferentes (italiana, alemã, eslava).
No século XVIII, o nascimento dos estaleiros de San Marco e de San Rocco, marcaram o momento de máximo progresso da indústria naval, criando um forte incentivo para um desenvolvimento econômico da cidade tão grande que estimulou o crescimento de iniciativas que deixaram suas marcas no tempo. Basta citar a fundação, no ano 1831, das “Assicurazioni Generali”, e no ano de 1836 do “Lloyd Triestino”, para compreender o fervor empresarial do período. No ano de 1918, Trieste foi anexada à Itália, tornando-se em seguida capital do Friuli-Venezia Giulia. 
Sobre as colinas de San Giusto que dominam a cidade, surge a homônima catedral, que unificou às duas preexistentes basílicas e que foi enriquecidas de mosaicos nos séculos XII e XIII, enquanto o único vestígio do período imperial é representado pelas ruínas do Fórum e do Teatro romano.Interessantes o museu localizado nos seus arredores, sobre o rochoso monte Carso que chega até o mar, e o celebérrimo Castelo de Miramare, residência de verão dos Asburgo, perto do qual surge um parque e uma oásis marinho do WWF.Apesar do longo período sob dominação austríaca, Trento é bem italiana.
Cheia de edifícios medievais e renascentistas, dotada de uma estrutura hoteleira satisfatória e bons restaurantes, é uma importante base para visitar a região.A cidade apresenta, o ano todo interessantes manifestações, entre as quais se destacam os clássicos “Festival Internacional da Opereta” (julho e agosto) e a “Barcolana” (outubro), uma das mais espetaculares regatas da Europa, à qual participam milhares de embarcações. 
Trieste é famosa também pela “Bora”, o vento que pode chegar até quase 200 km. por hora e que nas suas passagens provoca muitos danos.Mesmo que com a força de destruição de um furacão, a Bora difere dele por não ter um “olho” e para não formar a característica trompa. Ele vem do mar e pode durar alguns dias de seguida.Nas calçadas da cidade podem-se ver as correntes às quais as pessoas, durante os dias em que sopra a Bora, se seguram, para literalmente não voar.
A força da Bora derruba tudo quanto encontra no caminho: arvores, motos, placas, sinais, barcos e tudo quanto opõe resistência ao vento.Naqueles dias, o mar fica tão agitado que não é raro que até barcos e pequenos navios ancorados no porto da cidade afundem, revirados pela força do vento.

 Cividale del Friuli
É a romana Fórum Julii, de onde derivou o nome Friuli.Nos arredores da cidade foram descobertas postações ressalentes ao Paleolítico e Neolítico, enquanto há abundantes testemunhas da Idade do Ferro, da civilização páleo-veneta e, a partir do séc. IV a.C., daquela Celta.
Em 50 d.C., Júlio Cesar fundou aqui um município da tribo Scaptia, que em seguida se tornou colônia romana.No V século d.C., após a destruição de Zuglio por parte dos Ávari e de Aquiléia por parte dos Unos, Cividale cresceu bastante, devido à sua posição estratégica.Com o chegada dos Longobardos, no VII século, tornou-se capital do primeiro ducado longobardo da Itália, sob o duque Gisulfo, neto de Alboíno. Naquela época, a cidade mudou seu nome em Civitas, que em seguida virou Cividale.
Destruida pelos Ávaros em 610, renasceu com o nome de Civitas Forumiuliana, e tornou-se o centro militar e político das Venecias.Em 769, aqui se realizou o Concílio que confirmou a indissolubilidade do casamento.
O Duque do Friuli, Berengário I, tornou-se Rei da Itália (888-924) e, em 915, também Imperador. No IX séc. a cidade passou a se chamar Civitas Austriae. A partir do séc. XII foi sede de um importante mercado; desde então tornou-se o máximo centro político e comercial de todo o Friuli, ao ponto de obter do Imperador Carlo IV a abertura da Universidade, em 1353.
Em 1419, durante a guerra para expulsar os Húngaros, se rendeu a Venezia. Durante os séculos sucessivos sofreu várias incursões dos turcos.
Em 1797, com o Tratado de Campofórmio, entre Napoleão e a Áustria, Cividale passou sob o Império Habsburgico. Em 1866 foi anexada ao Reino da Itália, junto ao Véneto e ao Friuli.
De particular interesse na cidade: o “Ipogéo celta”, ambiente rico em fascínio e mistério, escavado no subsolo, cuja função é até hoje desconhecida; o Oratório de Santa Maria in Valle (Templeto Longobardo), extraordinário compêndio de arquitetura e escultura alto medieval, e ainda o Duomo di Santa Maria Assunta (séc. XV-XVI), o Museu Cristão, o Palácio Comunal, construido entre 1545 e 1588 sobre um pré-existente edifício de 1286, em cujo pátio forem encontrados restos de uma domus romana.

Aquileia
Fundada em 181 a.C. a cidade conta com uma área arqueológica de grande relevância, considerada pela Unesco Património da Humanidade.Junto com Ravenna, Aquileia constitui o mais importante e prestigioso sitio arqueológico do norte da Itália.
Tornou-se centro político-administrativo e capital da X Região Augustea, Venetia et Histria e próspero mercado, avantajada pelo ótimo sistema portuário e por ser cruzamento das importantes vias que iam em direção do norte da Europa, além dos Alpes e do Báltico (a chamada “via da âmbar”), e das Gálias até o Oriente.Desde a tarda idade republicana e durante quase toda a época imperial, Aquileia foi um dos pontos nevrálgicos do Império Romano.Apesar que a crise do III século abalasse a cidade, na época da morte do Imperador Teodósio (395 d.C.) ainda era a 9ª cidade do Império e a 4ª da Itália, celebre por suas muras e pelo porto.Aquileia resistiu às repetidas incursões de Alarico (401, 408), mas caiu sob os golpes de Átila (452), que devastou a cidade, chegando a despejar sal sobre suas ruínas, como conta a lenda.
Em 1509 foi anexada ao Sacro Romano Império e aos Hasburgo, até sua definitiva união ao Friuli e à Itália, logo após a primeira guerra mundial. Apesar das intervenções posteriores, a Basílica mantem as formas do XI século. A primeira parte foi edificada em 313, depois do Edito de Milano, por vontade do bispo Teodoro. Entre 1021 e 1031 foi quase que inteiramente reconstruida, por desejo do Patriarca Popone e foi edificada a torre campanária, com 73 metros de altitude. Interessantes são os mosaicos no piso da igreja, que remontam à época das catacumbas. No início da nave esquerda da igreja, se pode descer à “Cripta degli Scavi” (cripta das escavações), onde são visíveis os restos da primitiva Basílica Páleocristã.
Imperdível também uma visita à área arqueológica, com o foro romano e outros vestígios do II séc. a.C.

 Udine
O último Doge de Venezia, Ludovico Manin, retirou-se para estas terras quando, ao final do século XVIII, a República de Venezia desmoronou sob os golpes de Napoleão Bonaparte. Quem hoje visita a Villa Manin, na província de Udine, sente no ar algo de crepuscular, como se a memória do velho senhor que aqui veio passar o seu outono sugerisse aos visitantes a melancolia e os levasse a ela. Mas se trata de uma sensação agradável, que nos predispõe a uma espécie de deleite estético mais íntimo e intenso.A mesma sensação reaparece em toda parte, nesta belíssima e severa região de fronteira, onde quase todas as cidades ostentam um museu (são de especial importância e interesse os de Udine, Tolmezzo, Pordenone, Cividale del Friuli, Gorizia, Aquileia), e mostram uma capacidade de surpreender com a grande quantidade de estilos arquitetõnicos (em Udine, no centro, ficam frente a frente o gótico veneziano do “Palazzo del Comune” e o belíssimo “Caffé Contarena”, em estilo Art Decô, do século XX) e de interesses culturais (ainda em Udine, há uma Galeria de arte antiga e uma Galeria de arte moderna).
Muito sugestiva a Basílica de Aquileia, hoje um pequeno comune, outrora uma importante cidade do Império Romano.
Trieste, na Venezia Giulia, a mais “mittel-européia” das cidades italianas, rica em história e em cultura, com um património artístico antigo e moderno de alto nível, foi amada e representada por grandes escritores (James Joyce, Italo Svevo, Umberto Saba e tantos outros).Grado, na província de Gorizia, é a preferida de inúmeros e fiéis turistas, pelo seu mar e pelo seu clima particularmente saudável.

imagens arquivo virtual/google

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