terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O que aconteceu com o cinema de M. Night Shyamalan?

O cineasta que um dia impressionou a todos com seu primeiro longa-metragem impressiona agora, do mesmo modo, mas pelo motivo errado. A cada produção, Shyamalan parece provar que é um diretor de um filme só. 

Nos últimos anos, os mais atentos ao Cinema estão se fazendo essa pergunta. Eu tive oportunidade de perguntar ao próprio cineasta, quando morei em Philadelphia, Pennsylvania, cidade de M. Night. Mas não achei conveniente, visto que na ocasião eu quase o atropelei em um estacionamento. Até porque, provavelmente, ele não teria a mínima disposição para discutir suas produções com a moça que o olhava com ar de reprovação.
Explico: naquela mesma semana tinha ido ao cinema ver o último lançamento de M. Night, Fim dos Tempos (The Happening, EUA/2008). E parecia mesmo o fim dos tempos. Dos tempos dos bons filmes de Shyamalan. Foi uma longa e impiedosa sessão, de uma produção nonsense com enredo enfadonho e diálogos fraquíssimos, uma trama um tanto desinteressante, sem pano de fundo, sem estória, enfim, sem nada. O título foi a única coisa que me pareceu apropriada, a julgar pelo fiasco da película.
Shyamalan já foi melhor. Ele já foi o herói do suspense contemporâneo, com uma boa fórmula que combinava o fantástico e o misterioso, além de saber usar muito bem os movimentos e angulações de câmeras. Um mestre em criar personagens enigmáticas, as quais coexistiam em tramas muito bem arquitetadas e imprevisíveis. Então, o que aconteceu com ele?
Imprevisível, aliás, é uma palavra que caracteriza o cinema do diretor. Tanto para os melhores quanto para os seus piores filmes, visto que também se previu que o Cinema de Shyamalan seria arrebatador depois de O Sexto Sentido (The Sixth Sense, EUA/1999). Mas a previsão estava errada. Ele errou mais do que acertou. Logo ele – que foi considerado como um “novo Hitchcock” pela crítica especializada.
Confesso que em M. Night foi depositada uma exagerada expectativa, por causa do sucesso inicial de carreira. Ele foi nitidamente superestimado. E a crítica e o público ficaram fatalmente decepcionados.


Em 2000 lançou Corpo Fechado (Unbreakable, EUA/2000), longa que tem como tema o sobrenatural, assim como os posteriores Sinais (Signs, EUA/2002), A Vila (The Village, EUA/2004), A Dama na Água (Lady in the Water, EUA/2006) e o já citado Fim dos Tempos.
Sua principal característica é utilizar o sobrenatural como uma espécie de metáfora para falar acerca da relação do homem com a fé, a natureza, o amor, etc.. Em todos os seus filmes esses temas travam um discreto diálogo com o espectador. É um Cinema de entrelinhas – reflexivo; crítico. No entanto, muitos não enxergam essas características, pois se concentram no entretenimento das estórias com extraterrestres, mortos-vivos, fantasmas e criaturas aterrorizantes.
Depois de O Sexto Sentido, em minha opinião, Shyamalan acertou apenas com o bucólico A Vila, uma excelente trama que prende o espectador do início ao fim. O filme provoca, é uma clara crítica ao moralismo e discute a cultura do medo. Além do enredo interessante, possui um elenco talentoso e uma fotografia espetacular, de Roger Deakins.


O Acontecimento
Apesar dos consecutivos fracassos, e de ser um pensamento quase unânime, não acho que Shyamalan seja um diretor de um filme só. Para mim, ele é de dois.
Sua última produção é O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010, EUA), que tem programada uma continuação para lançamento em 2012. E sua mais nova empreitada é o filme de suspense Demônio (Devil, EUA/2010), mas dessa vez Shyamalan é o produtor, deixando a direção para John Erick Dowdle. Quem sabe ele tenha mais sorte dessa vez?
Ainda espero muito mais de M. Night. No entanto, não deixei de admirá-lo. Talvez ele seja um daqueles gênios que estejam adormecidos. Espero que esse período de filmes mornos seja apenas uma fase de Shyamalan, que vem recebendo títulos nada lisonjeiros como “uma grande farsa do Cinema”.
O diretor indiano cresceu no subúrbio de Philadelphia, onde mora atualmente e que é, aliás, cenário de quase todos os seus filmes, denotando o grande apreço do diretor pela cidade.

O Sexto Sentido

A Vila


Fontes das imagens: 1, 2, 3, 4, 5.


fonte: http://obviousmag.org/

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