quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Segunda Guerra Mundial - Ambiente e Origem - Locarno e Renânia

arquivo/google
Locarno e Renânia 
 A maneira da França abordar o problema foi completamente diferente. Desde o fim da guerra a França tinha estado receosa do restabelecimento militar alemão e resolvida a pôr-se em guarda contra tal fato. Falhando nos esforços para obter uma garantia militar da Grã-Bretanha, ela se lançou a alianças com os pequenos Estados da Europa oriental, os quais também careciam de proteção contra os desejos das potências derrotadas de recuperar os territórios perdidos. Estas ligações de certa maneira enfraqueceram quando a França pareceu não desejosa ou incapaz de oferecer oposição efetiva durante o período inicial do governo de Hitler. Pelo verão de 1934, entretanto, a França estava fazendo novos esforços, não somente para fortalecer amizades existentes como para atrair-lhes também a Rússia. A Grã-Bretanha, resolvida a evitar a divisão da Europa em dois campos hostis iguais aos que existiram antes de 1914, insistiu em que o tratado deveria ajustar-se à estrutura do Covenant da Liga e apresentar-se à Alemanha em termos de igualdade. Por meio de interpretações extremamente engenhosas, essas condições foram triunfalmente obtidas. A 2 de maio de 1935, foi assinado um tratado, pelo qual a França e a Rússia prometeram apoio mútuo contra a agressão, em termos especificamente vinculados ao Covenant e compatíveis com a participação alemã.

Mas a Alemanha de jeito nenhum ficou abrandada com esse convênio. A sua objeção de que o tratado foi na realidade dirigido contra si podia constituir um reconhecimento implícito de intenções agressivas, mas apesar de tudo, não foi molestada por isto. Até então seus progressos tinham sido feitos com êxito em relação à França e à Inglaterra. Agora, tinha de levar em conta a Rússia; e se as suas atividades provocassem guerra, seria uma guerra em duas frentes, igual a que Bismarck sempre procurou evitar e igual à precipitada pelos seus mais ineptos sucessores em 1914.

A par disto, houve um fator altamente emocional. Hitler e o movimento nazista eram os inimigos declarados e mortais do bolchevismo. As páginas do Mein Kampf estão prenhes de diatribes contra os comunistas e de ataques aos dirigentes da Rússia como "comuns criminosos tintos de sangue, a escória da humanidade." O espetáculo da França procurando a ajuda dos Sovietes foi apenas menos chocante que a compreensão de que os Sovietes agora tinham a garantia da ajuda da França.

O primeiro passo de Hitler em resposta foi de uma simplicidade impudente. Acusou a França do rompimento de um tratado. Num memorando de 29 de maio de 1935, o governo alemão expressou a opinião de que qualquer ação militar baseada no pacto franco-soviético seria "uma flagrante violação do Tratado de Locarno". Se o problema se tivesse limitado à discussão de um princípio, teria sido apenas mais um exemplo divertido de Satanás censurando o pecado. Mas esta reivindicação trazia consigo uma conseqüência prática de vital importância tanto para a França como para a Alemanha.

Pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha estava proibida de construir fortificações ou de manter forças armadas na Renânia ou numa faixa de 50 quilômetros a leste do Reno. A despeito do rearmamento e conscrição, a fronteira ocidental da Alemanha estava, assim, aberta à invasão francesa. Com a entrada da Rússia no quadro, este apresentava um perigo mais grave que nunca. Se a Alemanha quisesse ter um caminho livre para o leste, teria, a todo o custo, que barrar o caminho aberto a oeste.

Já foi tornado claro que a Alemanha não teve escrúpulo algum em violar o Tratado de Versalhes. Mas a zona desmilitarizada estava garantida pelo Tratado de Locarno - o tratado que Hitler, a 21 de maio, tinha prometido respeitar. Se, contudo, a França realmente tivesse rompido o Tratado de Locarno, Hitler poderia sentir-se livre de seus compromissos. Este foi o ponto de vista que ele resolveu não somente adotar, mas agir sobre essa base. A 7 de março de 1936, tropas alemãs marcharam sobre a Renânia, numa demonstração designada como ocupação "simbólica" - simbólica, com a duração de uma semana, com a participação de 90.000 homens.

O estado-maior alemão tinha-se oposto ao movimento, convicto de que dessa vez a França lutaria. O estado-maior francês queria a luta. Mas Hitler ao escolher essa oportunidade fizera-o com característica astúcia. A França e a Grã-Bretanha já estavam envolvidas na situação criada pela invasão da Etiópia e a adoção por parte da Liga de sanções contra a Itália. Um voto impondo sanções de petróleo, que a Grã-Bretanha estava advogando, podia conduzir à guerra. Sob as circunstâncias era improvável que a Itália, embora um dos garantidores de Locarno, - entrasse em ação contra a Alemanha. O outro garantidor, a Grã-Bretanha, sofria a pressão da França por promessas de ação, mas mostrava uma aversão arraigada a comprometer-se. E a França estava envolta no turbilhão político precedente a uma eleição que enfraquecia as mãos de seu governo para negócios estrangeiros.

Assim, Hitler jogou e ganhou. A Itália não agiu. A Grã-Bretanha associou-se a um apelo francês à Liga, e aprovou a oferta francesa de submeter a questão da validade do Locarno à corte de Haia, mas se recusou a considerar uma ação militar ou a solicitar à Liga uma ação contra a Alemanha. A usual oferta alemã de uma nova base de paz, incluindo uma série de pactos de não-agressão, pode ter contribuído para essa moderação. Indubitavelmente a Grã-Bretanha estava menos impressionada que em ocasiões anteriores. O discurso de Hitler a 24 de março mostrou quão pouco um documento assinado poderia fazê-lo respeitar compromissos. "Se o resto do mundo se cinje à letra de tratados, eu me cinjo a uma eterna moralidade. Eu, como representante do povo alemão, devo assegurar à nação o direito de viver e de salvaguardar sua honra, liberdade e interesses vitais." Expressando "alguma dúvida em torno da concepção mantida pelo governo alemão sobre a base em que os futuros entendimentos fossem fundados", Mr. Eden dirigiu àquele governo um questionário em que solicitava explicações precisas sobre os vários pontos de Hitler, demonstrando ao mesmo tempo que as negociações por um tratado seriam inúteis "se uma das partes doravante se sentisse livre para negar suas obrigações sob o fundamento de que ela, na ocasião, não estava em condições de concluir um tratado a cujo cumprimento se obrigara". Não surpreende o fato da Alemanha, depois de procurar uma resposta evasiva a essas perguntas desastradas, ter-se decidido em suma a deixar de responder. A despeito disto, a Grã-Bretanha ainda prosseguiu nos esforços para chegar a alguma base de entendimentos.
 
 
 

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