quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Segunda Guerra Mundial - Ambiente e Origem - O Pacto de Munique

O Pacto de Munique 

Mas isso serviu apenas para diminuir temporariamente a tensão. A questão sudeta tinha levado a Europa à beira de uma conflagração geral. O ponto de vista britânico exigia urgentemente uma nova tentativa de "consulta para um acordo", antes que nova crise tornasse a guerra inevitável. A França estava igualmente ansiosa por uma solução pacífica. Uma sugestão alemã de que as quatro potências ocidentais "arbitrassem" a questão foi rejeitada a 22 de julho. Mas os tchecos sofriam pressão no sentido de fazerem as maiores concessões possíveis aos sudetos; e a 4 de agosto, no papel de "investigador e mediador", Lord Runciman chegou a Praga.

A situação nas seis semanas seguintes caracterizou-se pelo aumento das concessões tchecas e por uma agressividade cada vez maior por parte dos nazistas. A 5 de setembro, foi apresentado um plano liberal, que dava aos sudetos alemães autonomia local e plena participação no governo central. Mas a esse tempo a imprensa alemã estava publicando clamorosas histórias de atrocidades e denunciando os tchecos como mentirosos, torturadores e assassinos que queriam chapinhar em sangue alemão, e as desordens provocadas por alemães pareciam aplainar o caminho para uma intervenção.

"Estamos convictos" - disse Sir John Simon a 27 de agosto - "de que com boa vontade de todos será possível encontrar-se uma solução que satisfaça todos os interesses legítimos". Mas a Alemanha estava resolvida a obter uma solução de acordo com o seu ponto de vista, mesmo ao risco de guerra. A fase final foi inaugurada pelo discurso de Hitler em Nuremberg, a 12 de setembro de 1938. O Estado nazista, bradou ele, estava rodeado de conspiradores, desde democratas até bolchevistas. Os sudetos alemães estavam sendo tratados como animais ferozes. A Alemanha não se submeteria a um tratamento assim. Desde maio que os alemães apressavam a conclusão de suas obras fortificadas no oeste. "Não mais estou disposto, em circunstância alguma, a encarar com intérmina tranqüilidade o prosseguimento da opressão dos compatriotas alemães na Tchecoslováquia".

O discurso foi o sinal para distúrbios na região dos sudetos. Segundo parecia, esperava-se que o exército alemão atravessasse de uma vez a fronteira. Mas não houve invasão, e a polícia tcheca logo restaurou a ordem. A 15 de setembro, Henlein pela primeira vez exigiu claramente a anexação. O governo tcheco respondeu ordenando a sua prisão, e ele fugiu para a Alemanha. Apesar das ameaças de Hitler, Praga se manteve firme.

Era preciso saber-se, contudo, se uma atitude firme não fez senão aumentar o perigo da guerra. A 14 de setembro, o premier Chamberlain decidiu-se a uma tentativa pessoal de chegar a um acordo com Hitler. "Em vista da situação cada vez mais crítica" - telegrafou - "proponho avistar-me convosco com uma proposta tendente a encontrar uma solução pacífica". No dia 15, ele chegou de avião e encontrou-se com Hitler em Berchtesgaden.

Na entrevista que se seguiu, Chamberlain. descobriu que "a situação era muito mais aguda e muito mais premente do que eu tinha imaginado." Teve a impressão de que Hitler estava determinado a anexar a região dos sudetos e estudava uma invasão imediata. O máximo que ele prometeria seria, caso a Grã-Bretanha aceitasse as suas exigências, e se nada novo ocorresse para forçá-lo a uma ação, refrear-se de hostilidades ativas até Chamberlain ter tempo para consultar o seu gabinete. "Não tenho dúvida alguma" - disse mais tarde Chamberlain na Câmara dos Comuns - "de que somente a minha visita evitou uma invasão para a qual tudo tinha sido preparado".

No dia 16, Lord Runciman comunicou a substância do relatório que mais tarde vasou numa carta ao primeiro ministro (a 21 de setembro). Nesse documento, ele acentuou que os tchecos tinham concordado com, praticamente, todas as exigências de Henlein, e que pela maioria das recentes dificuldades a culpa deveria ser atribuída a Henlein e seus adeptos. Mas, prosseguiu, "há um perigo real, o perigo mesmo de uma guerra civil, na continuação deste estado de incertezas. Conseqüentemente, há razões muito reais para uma política de imediata ação drástica." Essa ação, concluiu Lord Runciman, por um curioso processo de lógica, deveria consistir antes de tudo em satisfazer Henlein pela entrega da região sudeta à Alemanha.

Havendo tomado tal decisão, o governo britânico entendeu-se com o premier e ministro dos Estrangeiros francês, que chegou a Londres no dia 19. O resultado foi a apresentação no dia seguinte ao governo tcheco de uma série de exigências cuja natureza era a de um ultimato. Essas exigências incluíam a transferência de todas as zonas com mais de 50% de habitantes alemães; o ajuste da fronteira por uma comissão internacional; e a garantia das novas fronteiras por uma fiança internacional de que participariam a Grã-Bretanha e a França. Quando o governo tcheco protestou, e propôs arbitragem sob o tratado germano-tcheco de 1925, o Sr. Benes foi informado por uma mensagem enviada às 2,15 da madrugada de que a Grã-Bretanha e a França lhe recusariam o apoio se rejeitasse a proposta. No dia 21, os tchecos cederam, e no dia seguinte Chamberlain voou a Godesberg a fim de obter de Hitler um acordo final.

Achou que Hitler ainda não estava satisfeito. Um novo memorando. acompanhado de um mapa, incluía exigências de mais outras concessões, inclusive a imediata ocupação militar das zonas a serem cedidas. Esta última condição abria justamente as perspectivas de um choque armado que Chamberlain se esforçava por evitar. Mas o seu protesto a Hitler obteve como resposta apenas demoradas invectivas contra os tchecos e a ameaça de ação imediata.

Chamberlain voltou de Godesberg com a paz ainda na balança. As novas exigências foram enviadas a Praga, com a observação de que "os governos francês e britânico não podem continuar a tomar a responsabilidade de aconselhá-los a não mobilizar". Foi uma promessa implícita de apoio no caso de os tchecos, como quase estavam prontos a fazer, rejeitarem as exigências. A rejeição e mobilização tchecas seguiram-se de fato; e a 26 de setembro a promessa foi feita em definitivo, por uma declaração em Londres, de que se a Alemanha atacasse a Tchecoslováquia "o resultado imediato tem que ser a França dar-lhe assistência e a Grã-Bretanha e a Rússia ficarem certamente ao lado da França".

Hitler mostrou poucos sinais de recuo. Uma proposta para uma conferência de potências resultou em nada. A 26 de setembro, Hitler exigiu que a rendição se efetuasse até o dia 1o de outubro, e prometeu que "se este problema estiver solucionado, a Alemanha não terá mais problemas territoriais na Europa." Mais tarde foi informado de ter dito a Mussolini que tinha decidido começar a invasão a 28 de setembro. Duas mensagens do Presidente Roosevelt não conseguiram demovê-lo dessa atitude. A frota britânica foi mobilizada. A França convocou reservas e guarneceu a Linha Maginot. Chamberlain apelou a Mussolini para que usasse sua influência, e escreveu a Hitler: "Sinto que podeis obter todo o essencial sem guerra e sem dilação." Mas tudo pareceu demonstrar que Hitler queria a guerra.

A 28, a tensão desfez-se. Hitler convidou Chamberlain, Daladier e Mussolini a uma conferência em Munique. No dia 30, pouco depois da meia noite, o acordo foi firmado. As zonas cedidas iriam ser ocupadas por escalas entre 1o e 10 de outubro. Uma comissão iria determinar as fronteiras e decidir em que zonas o plebiscito deveria realizar-se. Foram tomadas precauções quanto à Hungria e Polônia. A Grã-Bretanha e a França renovaram suas promessas de garantia. Em adição, a Grã-Bretanha e a Alemanha firmaram uma declaração de que o acordo era "simbólico do desejo dos nossos povos de nunca mais entrarem em guerra um contra o outro".

Mesmo este tratado não conseguiu reprimir as exigências hitlerianas. Ele acabou por tomar não somente as zonas da maioria alemã, mas também as puramente tchecas. A comissão internacional de fronteiras fracassou em impedir a rapacidade alemã. Uma força para policiar as zonas em plebiscito foi organizada na Inglaterra e depois dissolvida. Nenhum plebiscito foi realizado. O tratado de garantias jamais foi observado. E no dia 19 de dezembro, Mr. Chamberlain disse a respeito do governo nazista: "Estou ainda à espera de um sinal... de que eles estão prontos para dar a sua contribuição à paz".

Esse sinal nunca veio. A pressão alemã sobre o remanescente da Tchecoslováquia - reorganizada agora em um Estado federal - prosseguiu por meio de uma série de exigências econômicas e políticas. A 26 de setembro, Hitler dissera: "Não estamos interessados em oprimir outros povos. Não desejamos absolutamente ter outras nacionalidades entre nós... No momento em que a Tchecoslováquia tiver solvido seus outros problemas... o Estado tcheco não mais me interessa. Não queremos mais tcheco algum."

Em março de 1939, Hitler anexou a Boêmia e a Morávia e proclamou um protetorado sobre a Eslováquia.
 
 

fonte: http://www.2guerra.com.br

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