quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Segunda Guerra Mundial - Ambiente e Origem - A anexação da Áustria

A anexação da Áustria 
 
A ascensão de Hitler ao poder fizera declinar o entusiasmo austríaco por uma união com a Alemanha, mas aumentara a pressão nazista sobre a Áustria, tanto no interior como no exterior. Já em maio de 1933, correram boatos sobre um possível golpe nazista. As organizações nazistas andavam ativas dentro do país; através da fronteira vinha uma torrente contínua de rádio-propaganda e injúrias; importante fonte de renda foi aniquilada com a taxação em mil marcos dos "vistos" aos turistas alemães que se destinavam à Áustria; uma "Legião Austríaca" de refugiados nazistas foi formada em solo alemão. A Áustria logo sentiu a necessidade de uma proteção substancial contra a sua agressiva vizinha.
 
Pelo ano de 1934, os apelos do chanceler Dollfuss causaram alguma impressão entre as potências. A 17 de fevereiro, a França, Itália e Grã-Bretanha anunciaram terem chegado a um "comum ponto de vista quanto à necessidade de manter-se a independência e integridade da Áustria, em conformidade com os seus tratados pertinentes ao caso." Mas era preciso algo mais que a manifestação de pontos de vista. Em março, uma série de acordos entre a Áustria, Hungria e Itália, materializados no protocolo romano de colaboração econômica e política, mostrou que Dollfuss se tinha lançado nos braços de Mussolini.

Os protocolos deixaram de salvar o próprio Dollfuss, mas, provavelmente para o momento, salvaram a Áustria. Em julho, uma tentativa de levante nazista resultou no assassínio de Dollfuss, mas fracassou na deposição do governo; e a pronta concentração de tropas italianas na fronteira foi uma advertência eficaz a Hitler para que não interferisse. O acontecimento de algum modo aumentou a preocupação da França e da Grã-Bretanha pela liberdade austríaca. A 27 de setembro estas duas potências e a Itália reafirmaram a sua declaração do mês de fevereiro anterior. Em janeiro de 1935, a França e a Itália prometeram consultar-se no caso de ameaça à independência austríaca. A 3 de fevereiro, a Grã-Bretanha concordou com unir-se a tais consultas. O compromisso foi reafirmado em Stresa, em abril. E em março de 1936, a reafirmação dos protocolos de Roma pareceu uma garantia do apoio de Mussolini.

Na verdade, entretanto, a desabrochante amizade entre Hitler e Mussolini já tinha amortecido os zelos deste com relação à independência austríaca. Mussolini estava agora ansioso por ver a Áustria em paz com a Alemanha, mesmo que fosse ao preço de concessões. Em conseqüência, o chanceler Schusschnigg, que sucedeu a Dollfuss, sentiu-se na obrigação de concluir o acordo austro-alemão de 11 de julho de 1936. Neste, Hitler reconheceu "a plena soberania do Estado Federal Austríaco"; mas a vaga promessa da Áustria de, em troca, reconhecer que era um Estado germânico, e agir nessa conformidade, encerrou possibilidades suficientemente alarmantes para aqueles que confiavam na continuação de sua independência.

Também aqui havia a questão de até onde as promessas de Hitler mereciam crédito. Na primavera de 1933 ele dissera que não nutria o pensamento de invadir país algum. No seu discurso de 21 de maio de 1935, asseverara: "A Alemanha não pretende, nem deseja interferir nos negócios internos da Áustria, anexar a Áustria ou realizar um Anschluss." Quando da ocupação da Renânia, ele anunciara que a luta alemã pela igualdade estava concluída, e que "nós não temos exigências territoriais a fazer na Europa." E ao compromisso específico à Áustria em julho ele poderia ter acrescentado a sua garantia de 30 de janeiro de 1937 de que "já passou o período das chamadas surpresas."

Mas contra essa resolução apresentou-se a reiterada insistência nazista em torno da união de todos os alemães num só Reich. Na primeira página do Mein Kampf, Hitler tinha escrito: "A Áustria germânica deve tornar à grande pátria alemã. . . Sangue comum pertence a um Reich comum". O problema era portanto saber em que palavras de Hitler acreditar; se nas faladas ou nas escritas. E neste, como na maioria dos casos, eram as pessoas que acreditavam no Mein Kampf que estavam com a razão.

Dentro de um ano, a contar de suas últimas garantias, Hitler se decidiu a marchar sobre a Áustria. O general von Fritsch, chefe do exército alemão, e o barão von Neurath, ministro das Relações Exteriores, opuseram-se a isso. Em fevereiro de 1938, eles foram afastados, como parte do expurgo geral nos postos mais altos. Uma vez mais, Hitler antepunha sua vontade à opinião dos peritos que receavam que tal ato significasse a guerra.

Os acontecimentos sucederam-se rapidamente. A 8 de fevereiro, o chanceler Schusschnigg foi convidado para uma entrevista com Hitler em Berchtesgaden, e quatro dias mais tarde, lá comparecia. Esperava ele poder confundir Hitler com a apresentação de provas duma trama nazista que violou o acordo de 1936. Ao invés disto, foi submetido a críticas prenhes de ameaças. Sob a ameaça de invasão, Schusschnigg concordou com a remoção de restrições contra o Partido Nazista e admissão de dois simpatizantes nazistas a postos ministeriais. Em troca, Hitler prometeu reafirmar a independência da Áustria.

Tornou-se em breve evidente que isto era apenas o começo. Em seu discurso de 20 de fevereiro Hitler proclamava em altos brados sua vontade de ser o protetor de todos os alemães, mas não assumiu nenhum compromisso específico quanto à liberdade austríaca. Sentindo-se traído, Schusschingg decidiu agir com coragem e firmeza. Iniciou negociações com os dirigentes da classe trabalhadora, cujas organizações tinham sido desfeitas nos dias sangrentos de fevereiro de 1934; e anunciou um referendum para o dia 13 de março sobre a questão da independência austríaca.

Essa última medida precipitou a ação. Mussolini chamou-a de "uma arma que explodirá em vossas mãos." Hitler estava certo de que dessa vez não haveria tropas italianas no Passo do Brenner. Von Ribbentrop, em Londres, assegurava ao governo britânico que Hitler não tinha intenção alguma de atacar a Áustria. A França, como um dos resultados da demissão do premier Chautemps, estava sem governo. Demonstrações nazistas irromperam na Áustria. A imprensa alemã clamou contra atrocidades austríacas. Um ultimato expedido ao meio-dia de 11 de março exigia que fosse revogada a convocação do plebiscito. As quatro da tarde, um segundo ultimato exigia a demissão de Schusschnigg às sete e trinta. A rejeição de qualquer um dos dois ultimatos significaria uma invasão alemã. Afim de evitar corresse sangue, Schusschnigg capitulou. Um governo apressadamente formado por chefes nazistas convidou Hitler a mandar tropas à Áustria afim de preservar a ordem. Na manhã do dia 12, a invasão começou. No dia 13, a Áustria era formalmente anexada. No dia 14, Hitler entrou triunfalmente em Viena, sua primeira conquista incruenta.

Bastava somente dar uma olhadela ao mapa para se ver que a Tchecoslováquia seria a próxima.
 
 

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