quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Segunda Guerra Mundial - Ambiente e Origem - A Alemanha e o desarmamento

A Alemanha e o desarmamento 
imagem ilustrativa/arquivo Google
 A qualquer um que percebeu o significado desse programa, deve ter ficado claro que a Alemanha de Hitler precisava ser tratada de um modo muito diferente do da Alemanha de Stresemann. Contudo, a despeito de seu interesse pela ascenção de Hitler, as potências demonstraram pouca compreensão da natureza fundamental da metamorfose que assim teve lugar, não somente na Alemanha, mas também na situação internacional. Elas estavam talvez menos dispostas que nunca a fazer concessões de grande alcance que pudessem enfraquecer a sua presente situação de segurança; mas o método do gradual ajuste pela negociação, foi ainda o que tentaram aplicar nas suas relações com o novo regime.

E, de fato, a despeito da crescente impaciência da Alemanha, esse método lhes trouxe já importantes benefícios. O mais notável foi a solução da questão das reparações. Haviam sido feitos esforços para modificar e regularizar suas dificuldades econômicas por meio do Plano Dawes de 1924 e do Plano Young de 1929; e quando o último destes planos fracassou como resultado da depressão, ficou finalmente claro que toda a política de reparações se tornara impraticável. Ela foi abandonada em conseqüência da conferência de Lausanne de 1932; embora certas reivindicações fossem pró-forma mantidas e apesar de uma tentativa ter sido feita para encadear a resolução com o problema do débito da guerra, a resolução significou para todos os efeitos que o problema das reparações chegara a um fim.

Outro terreno em que a Alemanha obteve uma vantagem importante, se bem que muito mais limitada, foi o do desarmamento. As nações vitoriosas se colocaram na obrigação moral de tomar medidas reais nesse terreno. O Covenant da Liga asseverava que isso era necessário para a manutenção da paz. A cláusula do Tratado de Versalhes que impôs o desarmamento à Alemanha, afirmou que isto foi feito "com a finalidade de tornar possível a iniciativa de uma limitação geral dos armamentos de todas as nações." Numa nota à Alemanha a respeito dessa cláusula, os aliados tinham dito:

As potências aliadas e associadas desejam tornar claro, que as suas exigências em relação ao armamento alemão, não foram feitas unicamente com o objetivo de tornar impossível à Alemanha retomar a sua política de agressão militar. Elas também representam os primeiros passos para a redução e limitação dos armamentos, o que constituiria um dos mais frutíferos preventivos da guerra e cuja realização deverá ser um dos primeiros deveres da Liga das Nações.

Quando, pois, se reuniu a primeira conferência do desarmamento, em fevereiro de 1932, a Alemanha achou que tinha o direito de exigir que essa promessa fosse cumprida, ou que a Alemanha fosse libertada das limitações que lhe tinham sido impostas. Ficou demonstrado ser difícil a adoção do primeiro caso, e a França em particular mostrou-se relutante em aceitar o segundo. Apesar de tudo, um acordo foi conseguido a 11 de dezembro de 1932 - acordo por meio do qual a Inglaterra, a França e a Itália concordavam com o princípio de "igualdade de direitos, num sistema que daria segurança a todas as nações". O passo foi dado somente depois que a Alemanha se retirou da conferência de desarmamento, e a efetiva aplicação do princípio foi passível de nova dilação. Mas a própria aceitação do princípio, foi uma concessão muito real. Não mais foi possível resistir-se indefinidamente às reivindicações da Alemanha neste terreno.

Cedo tornou-se aparente, entretanto, que Hitler tinha pouca intenção de aguardar o lento progresso das negociações - se é que tinha mesmo algum desejo de obter um acordo negociado. Pelo mês de março de 1933, seus desafios tinham ido tão longe que a Grã-Bretanha se viu compelida a apresentar uma série inteiramente nova de propostas, numa tentativa para solver o impasse. A 13 de maio, um discurso do vice-chanceler von Papen, fez com que o mundo aguardasse com alarme, em suspense, a mensagem que Hitler devia dirigir ao Reichstag quatro dias mais tarde. Um apelo direto do presidente Roosevelt, teve o efeito de moderar a linguagem de Hitler, mas não a sua atitude fundamental. Já ele estava pondo em jogo as táticas que se iriam tornar familiares, que consistiam na apresentação de propostas aparentemente razoáveis e, em seguida, na fuga a qualquer negociação efetiva pela rejeição de tudo que pudesse significar uma garantia de sua boa fé. O clímax sobreveio a 14 de outubro de 1933. Na manhã desse dia, tinha sido discutida em Genebra uma nova proposta britânica que considerava um gradual desarmamento geral, sob a condição da Alemanha abster-se do rearmamento durante o intervalo necessário à realização da iniciativa. À tarde desse mesmo dia, Berlim anunciou a retirada da Alemanha, não somente da conferência, mas também da Liga das Nações. Foi o sinal de que Hitler tinha abandonado toda az pretensão de uma ação coletiva em favor do desafio, baseado na força.

Duas outras tentativas de manter a Alemanha associada aos esforços conjuntos desenvolvidos pelas outras potências, tinham fracassado nesse ínterim. Em junho, uma Conferência Econômica Mundial teve lugar em Londres. Em agosto, ela foi protelada numa atmosfera de desapontamento e desilusões. Mas no decorrer da conferência, a Alemanha tinha revelado a idéia que fazia das soluções econômicas, num memorando em que exigia a devolução das colônias alemães e a liberdade de agir à vontade contra a Rússia. Em julho, realizou-se em Roma uma conferência e nela Mussolini buscou um acordo que aplainaria o caminho do desejo mútuo da Alemanha e da Itália de revisar o tratado de paz, com o apoio benevolente da Grã-Bretanha a sobrepor-se à oposição da França. Mas a idéia somente conduziu a um Pacto das Quatro Potências, pacto tão inútil que nenhuma delas se deu sequer ao trabalho de o ratificar. Pelo mês de outubro, a Alemanha estava convencida de que, no momento, iria mais longe, caminhando sozinha.
 

fonte: http://www.2guerra.com.br

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