domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Política da Itália

A atitude de encorajamento em favor da idéia de um bloco balcânico, que a Itália, numa fase, pareceu ter adotado, diminuía de força à medida que o ano se escoava. Ela tinha sido motivada em primeiro lugar pelo receio da penetração russa nos Bálcãs, talvez mesmo de um ataque russo naquela região. Mas esse receio se desfez quando a Rússia ficou com a Finlândia, e com isto também diminuiu o desejo de solidariedade nos Bálcãs.
Afinal de contas, havia ao menos a possibilidade de que a influência da Turquia sobre um agrupamento dessa espécie pudesse tornar-se forte bastante para atraí-lo à órbita aliada, e isto não seria de modo algum vantajoso para a Itália. Seus propósitos seriam melhor servidos se os Estados balcânicos pudessem continuar suspeitando de todos os beligerantes, inclusive da Rússia. Então, movidos pelo desejo de manter sua neutralidade, poderiam mostrar-se inclinados a procurar o apoio da Itália, e a aceitar uma benévola orientação política deste país em troca da perspectiva de sua proteção.

Isto significava que a Itália, como as outras Grandes Potências, tinha um interesse, bem definido quanto à situação da Romênia. Se a Rússia tinha alguma intenção de expandir-se nos Bálcãs, a Romênia é que deveria formar a primeira linha de defesa. E se a Itália obtivesse garantias de que a Romênia estava firmemente resolvida opor-se ao avanço do bolchevismo, verse-ia obrigada neste caso a ir em socorro da Romênia. Foi, de fato, assegurado no Senado romeno que Mussolini tinha prometido vir em auxílio desse país em caso de ataque, não importa de onde partisse.

Havia razão para dúvidas, entretanto, sobre se a Itália faria uma promessa de tal natureza, inteiramente sem reservas. Embora ela reconhecesse a posição crucial da Romênia, tinha um interesse tradicional muito mais vivo pela Hungria; e a Hungria, embora mantivesse uma atitude moderada, de modo nenhum tinha abandonado o desejo de reaver o território perdido para a Romênia. A Hungria também estava numa posição de certo modo exposta. Ela também tinha a Rússia por vizinha; e, o que ainda é mais importante, estava obstruindo grandemente o caminho de qualquer projetada expansão alemã pelo Danúbio.

Para a Hungria, pois, havia boas razões em fortalecer os laços com a Itália, e para a Itália em apoiar a Hungria como um baluarte de uma zona balcânica neutra. Nos começos de janeiro, os dois ministros das Relações Exteriores, conde Ciano e conde Csaky, tiveram uma conferência na Itália. A declaração de que tinham estabelecido "uma perfeita identidade de vistas" foi interpretada como significando quase tudo para uma aliança militar definitiva. Foi desmentido em Roma que qualquer novo acordo formal tivesse sido negociado; mas pareceu provável que os dois estadistas tinham acordado a resistência comum à Rússia, e que Ciano, enquanto, possivelmente, tivesse renovado a promessa de apoio italiano às reivindicações territoriais da Hungria, usara de sua influência para persuadir este país a não exercer pressão em tal sentido no momento.

A carência de qualquer acordo preciso foi sugerida pelas circunstância que cercaram a visita do primeiro ministro Teleki a Roma na última semana de março. Os rumores de que o encontro de Hitler com Mussolini no Brenner era o prelúdio de uma reaproximação ítalo-russa deixaram naturalmente a Hungria nervosa a respeito de sua posição. Aparentemente, o conde Telek foi tranqüilizado quanto a este ponto particular pela informação de que a Itália não encarava transformação fundamental alguma de sua atitude em relação a Moscou. Ao mesmo tempo, entretanto, foi-lhe dado perceber que as próprias ambições da Hungria não poderiam complicar uma situação extremamente delicada. "A Hungria", disse ele numa entrevista, "plenamente cônscia da dificuldade do momento, adotou uma atitude que harmonizava com as necessidades superiores da Europa. Meu país é paciente. Ele tem uma história milenar, e portanto pode esperar." Era uma clara demonstração de que as reivindicações particulares da Hungria iriam ser protelada: para quando o resultado da guerra européia se mostrasse mais certo do que parecia no momento.

O que não era tão claro era fazer com que tudo isso ficasse dentro da influência alemã na bacia do Danúbio. Embora a Itália naturalmente desejasse uma posição predominante, poucos sinais havia de que ela estivesse disposta a oferecer qualquer forte resistência à penetração alemã na Hungria e nos Bálcãs. Sua atitude era a de que a Itália não era neutra, mas sim um país não-beligerante cujos laços com a Alemanha permaneciam firme; como nunca. A conclusão de um acordo comercial a 24 de fevereiro, após um mês de negociações, foi transformada na oportunidade para a reafirmação da colaboração política entre a Alemanha e a Itália; e a imprensa controlada continuava a manifestar uma contínua hostilidade em relação à Grã-Bretanha e à França.

Era essa uma atitude que poderia ter graves complicações. A Itália estava numa posição de poder causar sérios incômodos aos aliados, se assim o quisesse. Poderia instigar revoltas nas colônias africanas da França, como também no Egito e na Arábia. Poderia fazer muito para tornar difícil a situação aliada no Mediterrâneo, difícil e mesmo incerta. E se os aliados viessem a ficar seriamente envolvidos nos Bálcãs ou no Oriente Próximo, então a Itália, ocupando-lhes as comunicações marítimas, também estaria capacitada para mantê-las em cheque.



fonte: http://www.2guerra.com.br

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