sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Open Minds em tributo à grande Dama da Ufologia

Revista norte-americana presta homenagem a Irene Granchi
Nostalgia de áureos tempos, lembrada pelo jornalista e ufólogo A. Huneeus, da Open Minds
Por Antonio Huneeus -Tradução: Eduardo Rado 

Morreu em 12 de dezembro no Rio de Janeiro, aos 97 anos de idade, Irene Granchi, uma das grandes pioneiras da Ufologia Brasileira. Embora já praticamente ausente havia alguns anos, devido a um avançado quadro de diabetes e outras complicações de saúde, os ufólogos brasileiros encontram-se em profundo pesar por esta perda.

O mais influente pesquisador brasileiro e editor da Revista UFO, A. J. Gevaerd, publicou um longo obituário em seu website Portal da Ufologia Brasileira intitulado Perdemos nossa Matriarca. O artigo começa com uma citação da própria Irene Granchi que demonstra sua filosofia prática sobre o que é necessário para solucionar o enigma dos UFOs: "Ufologia se faz coletivamente. Ninguém, sozinho, compreenderá o que querem nossos visitantes. Tem que haver a troca, o reparte e a discussão do resultado de nosso trabalho".

Tive o privilégio de conhecer Irene Granchi muito bem e posso confirmar que ela viveu sob este princípio de partilhar informações. Eu a conheci em dezembro de 1983, em um simpósio internacional sobre UFOs, em Santa Fé, Argentina.

Naquela ocasião, ela me convidou para falar em uma conferência que aconteceria no Rio de Janeiro, em abril de 1984, evento organizado pelo Centro de Investigação sobre a Natureza dos Extraterrestres (CISNE), grupo fundado por ela em 1982. Meu irmão mais velho, casado com uma brasileira, morava no Rio, então pude passar um mês hospedado com ele e tive muitas oportunidades de visitar Irene em seu apartamento no bairro de Botafogo.

Ela foi extremamente generosa e não economizou tempo abrindo seus arquivos e apresentando-me à nata da Ufologia carioca. Entre outros, conheci João Martins, lendário jornalista de O Cruzeiro, que publicou todos os casos clássicos dos anos 1950. Fernando Cleto Nunes, homem de ligações íntimas com o projeto de investigação ufológica da Força Aérea Brasileira liderado pelo General-Brigadeiro João Adil Oliveira, também nos anos 1950. E José Victor Soares, outro pioneiro da Ufologia Brasileira, porém nascido nos Açores, em 1931, e residente em Porto Alegre.

Soares foi palestrante naquele mesmo evento organizado pelo CISNE e, tristemente, faleceu no último dia 10 de dezembro, apenas dois dias antes de Irene Granchi.

Acabo de encontrar meu caderno com as anotações daquela viagem ao Brasil em abril de 1984. Há nele um tesouro de informações sobre casos e pesquisadores brasileiros, mas nada disso teria sido possível sem a generosidade e os contatos de Irene Granchi. Vejamos agora alguns fatos básicos sobre sua vida e seu trabalho.

Irene tinha um interessante histórico internacional e conhecia vários idiomas, o que veio a ser muito útil em suas investigações e contatos com ufólogos estrangeiros. Nascida na Alemanha em 26 de novembro de 1913, embora fosse britânica, viveu em várias partes da Europa e Oriente Médio em sua juventude, inclusive no Cairo e em Milão. Nesta cidade italiana onde estudou, também conheceu seu marido, o musicólogo italiano Marco Granchi.

O casal teria chegado ao Brasil ao final dos anos 1930, já que ela se tornaria cidadã brasileira durante a longa Era Getúlio Vargas, que governou o país de 1930 a 1945, como ditador, e de 1951 a 1954, como presidente eleito.

Foi exatamente no início da Era Moderna dos UFOs, em 1947, que Irene Granchi teve seu primeiro avistamento, o catalisador do que viria a ser uma dedicação em tempo integral. Ela descreve este contato em uma longa entrevista concedida anos atrás aos pesquisadores Cláudio Tsuyoshi Suenaga e Pablo Villarrubia Mauso. Os pesquisadores perguntam qual seria a origem de seu interesse pelos UFOs, o que Irene Granchi responde da seguinte forma:

"Foi quando vi um disco voador pela primeira vez, em julho de 1947. Naquele tempo, eu e a minha família morávamos em um sítio, em Vassouras, interior do Rio de Janeiro. Eram mais ou menos 15h30 quando fui à horta colher alface para o jantar e vi um objeto aparecer no horizonte, se aproximando até a altura dos eucaliptos. Tinha um brilho impressionante, era metálico e possuía uns círculos desenhados, como uma tampa de panela. Eu era dona-de-casa na época, por isso a comparação. Como naquele tempo não se falava em discos voadores e eu era bastante racional, até mesmo cartesiana, comecei a indagar o que seria aquele estranho objeto que se movia lentamente em movimento oscilatório acima e ao longo da estrada de ferro local. De repente, apareceram algumas idéias esquisitas na minha cabeça, que naquele tempo eu não sabia o que eram, mas hoje sei que eram mensagens telepáticas. A primeira delas foi: "Esse é um objeto manufaturado". A segunda: "Mas não foi manufaturado aqui na Terra". E a terceira: "Você não vai ter paz enquanto não se dedicar de corpo e alma ao estudo destes objetos". Vários pensamentos vieram à minha cabeça no momento, mas o que mais permaneceu foi o de que jamais poderia descansar enquanto não soubesse o máximo sobre o que acabava de ver. E aqui estou, mais de cinco décadas depois, ainda nesta procura"...
 
 
Agradecimentos a:
Paulo R. Poian.
Consultor da Revista UFO Brasi

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