sábado, 11 de dezembro de 2010

Segunda Guerra Mundial - Setembro a Dezembro de 1939 - O avanço da Rússia

O avanço da Rússia 
 
Desde a data do pacto de não-agressão, a Alemanha procurou dar ao mundo a impressão de que suas novas relações com a Rússia eram tão estreitas que seriam capazes de conduzir a quase uma aliança militar. Cada novo acontecimento foi apresentado como um passo para mais perto da cooperação completa. O tratado de 29 de setembro, com a sua promessa de conjugar esforços em favor da paz e de promover consultas mútuas se estes esforços falhassem, foi apresentado como um prenúncio da entrada da Rússia na guerra. E as cláusulas que prometiam uma troca de matérias-primas russas por produtos industriais alemães numa escala que traria a troca de mercadorias ao nível máximo obtido no passado, pareciam indicar uma reviravolta completa das anteriores relações econômicas.

Os verdadeiros fatos, entretanto, não estavam inteiramente em harmonia com tais concepções. A falência da oferta de paz de Hitler, conquanto tenha provocado uma nova diatribe do Sr. Molotov contra os aliados, fez com que a Rússia manifestasse o firme desejo de manter sua neutralidade. A troca de produtos, apesar de uma promessa a 9 de outubro de que começaria imediatamente, deixou de desenvolver-se em grau apreciável.

Quanto às armas russas, ficou logo claro que elas não tinham outra utilidade senão a de serem logo postas ao serviço do Reich.

A verdade era que a Rússia pensou tirar vantagem da única posição em que a guerra a colocara. Nunca desde a Revolução tinha estado ela tão livre do receio de um ataque imediato. A conclusão de um armistício com o Japão a 16 de setembro reforçou essa liberdade. Mas aí havia ainda o receio de que um ataque acabaria por ser dirigido contra ela de parte das potências capitalistas. Sua determinação era tirar vantagem do presente para reforçar sua posição contra essa eventualidade, e particularmente consolidar seus flancos enquanto a Alemanha mantinha o centro ocupado.

Seus esforços no flanco meridional não foram, em absoluto, coroados de êxito. Tratava-se aí da Turquia, com a qual a Rússia iniciara negociações a 22 de setembro. Conquanto nenhum detalhe preciso tenha sido revelado, parecia que os objetivos da Rússia eram o fechamento dos Estreitos contra potências externas, e a criação de um bloco balcânico que realizaria um ajuste as espensas da Romênia. De qualquer modo, os turcos recusaram-se a aceitar as exigências russas. Embora as negociações tenham finalizado a 17 de outubro com protestos mútuos de amizade contínua, o máximo assegurado foi afastar a Rússia dos efeitos da aliança anglo-turca firmada dois dias depois. E a ameaça de uma penetração russa ergueu tanto a Itália como as nações balcânicas para a exploração, em seu próprio favor, da possibilidade de um pacto defensivo. Embora no momento o problema da Romênia omitisse de qualquer acordo, era claro que qualquer ameaça direta por parte da Rússia encontraria séria resistência.

Na frente setentrional, em contraste, o avanço russo foi espetacular. Ministros dos Estados Bálticos foram convocados a Moscou para negociações. Foram, ouviram e concordaram. Um tratado com a Estônia a 29 de setembro, promovendo a assistência mútua, deu aos Sovietes direitos a guarnições militares e bases navais e aéreas em solo estoniano. Este serviu de modelo para os tratados concluídos com a Letônia a 5 de outubro e com a Lituânia a 10 de outubro, o último dos quais devolveu à Lituânia o distrito de Vilna há muito desejado. Esses tratados tornaram a influência russa suprema numa esfera que sempre tinha sido considerada de influência alemã; e para demonstrar isto, o Reich, a 7 de outubro, convidou todos os cidadãos de origem alemã residentes nesses países a retornarem à Alemanha, com a intenção anunciada de estabelecê-los nos distritos recém-anexados da Polônia. Estava claro que Stalin estava disposto a não ter nas mãos problema nenhum relativo a minorias alemães molestadas.

O próximo na lista era a Finlândia; e aqui o avanço veloz e sem obstáculos da Rússia topou com dificuldades. A 9 de outubro foram iniciadas as negociações numa atmosfera que mostrou que o governo finlandês estava pelo menos encarando a possibilidade de resistência. Nos dois dias seguintes os habitantes das cidades mais expostas foram avisados de que deviam evacuá-las como medida de precaução. No dia 14, a Finlândia anunciou que qualquer espécie de aliança estava fora de questão. As negociações, suspensas de uma vez, foram definitivamente rompidas a 13 de novembro. Foi revelado que as exigências russas se referiam principalmente à segurança de Leningrado e do golfo da Finlândia. Para esta finalidade, eles pediram certas ilhas no golfo e uma base naval à entrada de Hangoe; a cessão de um território no istmo de Carélia que removeria a fronteira finlandesa bem para fora do alcance de artilharia contra Leningrado; e um ajuste da fronteira na região de Petsamo. A Rússia, de sua parte, estava pronta a ceder 5.500 km² ao longo da parte média da fronteira. Os finlandeses queriam uma nova discussão em torno da cessão da ilha de Hogland e estavam irremovíveis na recusa de emprestar ou vender o porto de Hangoe, o que, asseguraram, seria inconsistente com a sua política de neutralidade.

Pareceu por um momento que a Rússia estivesse disposta a contemporizar na crença de que os finlandeses acabariam finalmente por chegar a um acordo. Mas, na última semana de novembro, esta atitude mudou abruptamente, e uma campanha de injúrias foi lançada subitamente contra o governo finlandês. A 26 de novembro, a Rússia protestou contra um pretenso incidente fronteiriço de tiroteios. A 28, a Rússia denunciou seu pacto de não-agressão com a Finlândia. Uma oferta finlandesa de negociações não foi tomada em consideração e no dia 30 as tropas soviéticas invadiram a Finlândia.

O resultado foi uma explosão mundial de indignação. Já tinha havido expressões diretas de simpatia tanto da parte do presidente Roosevelt como dos soberanos escandinavos, que se tinham reunido em conferência a 18 de outubro. A Suécia a 3 de dezembro atuou como intermediária na apresentação a Moscou de uma nova oferta finlandesa; mas a Rússia tinha organizado um governo finlandês próprio em Terijoki dois dias antes, e ignorou a nova medida. Mas, a 2 de dezembro a Finlândia deu um novo passo tendente a obter apoio, apelando para a Liga das Nações baseada nos artigos 11 e 15.

A Liga agiu com uma prontidão algo inusitada. Quando um apelo inicial viu-se à frente da asserção russa de que ela não estava em guerra com a Finlândia, o Conselho foi convocado para 9 de dezembro e a Assembléia para 11 do mesmo mês. Quando a Rússia não levou em consideração outro apelo para aceitar a mediação da Liga, estes organismos adotaram uma resolução condenando a URSS como agressora e estabelecendo que ela se colocara fora da Liga das Nações. Apelaram em seguida para os seus membros no sentido de que emprestassem à Finlândia toda a assistência dentro de suas possibilidades.

Tornou-se em breve evidente que, embora fosse dada certa assistência por meio de movimentos voluntários e suprimentos, nenhum país estava ainda preparado para efetuar uma ação militar direta em favor da Finlândia. Mas, enquanto aguardavam a ajuda dos outros, os finlandeses mostraram-se extremamente dispostos a defender-se a si mesmos.

A invasão russa deu-se em cinco pontos principais. Ao norte, o porto de Petsamo foi capturado e uma expedição mandada rumo sul. Ao mesmo tempo, uma segunda expedição encaminhou-se para a extremidade do golfo de Bothnia, via Sala, e uma terceira procurou penetrar a "cintura" da Finlândia em torno de Suomussalmi. O objetivo principal dessas forças, comparativamente pequenas em número, era a estrada de ferro que circundava a extremidade do golfo de Bothnia e ligava a Finlândia com a Suécia.

Mas, o esforço principal teve lugar no sul. No istmo de Carélia, as posições fortificadas finlandesas - a linha Mannerheim - opuseram formidável obstáculo a um ataque direto. Os russos de momento contentaram-se com um ataque de fixação nesta zona, e procuraram flanquear as defesas finlandesas com o lançamento de seu principal avanço em duas colunas em torno do norte do lago Ladoga.

Todas essas colunas tiveram um certo êxito inicial, que incluiu a captura de Petsamo e um avanço além de Salla até o rio Kemi. Pelo fim do ano, entretanto, nenhuma só das cinco colunas isoladas conseguiu alcançar seu objetivo essencial. As tropas utilizadas nas primeiras fases eram em muitos casos de qualidade inferior. Havia uma incrível falta de coordenação entre os diversos comandos. No caso das comunicações e abastecimentos, os russos dependeram da única e não muito adequada rota da estrada de ferro de Murmansk. Os finlandeses, que tinham a vantagem de lutar em linhas interiores, possuíam também uma rede de estradas de ferro da qual podiam dispor tanto para abastecimentos como para reforços, e demonstraram uma qualidade de organização incomparavelmente melhor que a dos russos. Foram capazes de barrar as colunas envolventes ao norte do lago Ladoga e depois mandar forças para o norte a fim de infligir novos reveses aos russos em Sala e Suomussalmi. Pelo fim de dezembro, a desordenada máquina militar russa parecia temporariamente paralisada; e o prestígio tanto militar como moral da União Soviética estava ameaçado de sofrer severamente, a menos que esses reveses fossem rápida e eficazmente compensados.
 
 
fonte: http://www.2guerra.com.br

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