sábado, 11 de dezembro de 2010

Segunda Guerra Mundial - Setembro a Dezembro de 1939 - A frente ocidental

A frente ocidental 
 
Ao começar a guerra o problema imediato dos aliados no ocidente foi dar auxílio eficaz à Polônia. Uma assistência direta era visivelmente impossível, a menos que eles estivessem preparados para arriscar a perigosa empresa de forçar o Báltico. Uma assistência indireta somente se poderia tornar efetiva com o levar uma pressão ao ocidente capaz de forçar os alemães a afrouxar a tenaz na Polônia e consagrar suas principais energias à defesa da Renânia. Mas esta também era uma empresa cujo preço poderia ser nada menos que ruinoso se desenvolvesse um ataque frontal às defesas permanentes da muralha ocidental ou da Linha Siegfried.

Estas defesas eram a resposta alemã à Linha Maginot francesa. Esta última tinha sido construída no decorrer de um período de anos e a um custo de cerca de 500.000.000 de dólares. Consistia numa série de fortificações subterrâneas, intercaladas de casamatas e fortins de defesa circular, cobrindo a fronteira desde Luxemburgo até a Suíça, e estendendo-se em certos pontos numa profundidade de 40 km. Nessas fortificações interligadas, uma guarnição poderia manter-se durante um período prolongado sem auxílio de fora; e sob sua cobertura os exércitos franceses poderiam concentrar-se e manobrar sem recear um ataque de surpresa. As linhas alemães eram uma série de posições independentes, construídas sob o princípio de defesa em profundidade e dispostas de maneira a submeter a um mortal fogo cruzado quaisquer forças que penetrassem naquela zona. Seu término foi apressado desde 1937 com nada menos de meio milhão de homens, que nela trabalharam durante a crise de 1938. Embora diferentes na construção, ambas tinham isto em comum: uma progressiva resistência de defesa contra forças atacantes com a finalidade de desgastá-las a um ponto tal que pudessem ser destruídas por contra-ataques antes de terem transposto a última das fortificações.

Foi contra esta posição que os exércitos franceses começaram a movimentar-se ao rebentar a guerra. A 5 de setembro, um comunicado francês anunciou: "Nossas tropas tomaram contacto com o inimigo em todos os pontos de nossa fronteira entre o Rheno e o Mosela." Durante os dez dias seguintes, eles ocuparam uma área de cerca de 100 milhas quadradas dentro da fronteira alemã. O avanço caracterizou-se por uma deliberação cautelosa que mostrou a intenção de evitar qualquer inútil perda de vidas e de completar cada estágio da operação antes de proceder-se ao seguinte. No dia 12, foi anunciada forte resistência alemã, e contra-ataques alemães tiveram início no dia 15. E quando a resistência polonesa ruiu, apenas os postos avançados tinham sido tomados e as fortificações principais ainda estavam adiante. Mas com a queda da Polônia desapareceu a urgência imediata, e a Alemanha estava livre para mandar o grosso de seus exércitos para a frente ocidental.

Pelos meados de outubro, uma série de ofensivas locais foi lançada contra os franceses. Nesse meio termo, contudo, o comando francês decidira "retrair para outras posições as divisões francesas que entraram em ofensiva em território alemão com a finalidade de indiretamente levar assistência aos exércitos poloneses". No fim do mês elas se tinham retirado até às suas próprias fronteiras e as operações ficaram reduzidas a incursões ocasionais e choques de patrulhas intercaladas de duelos de artilharia.

Enquanto os franceses efetuavam tais operações, as tropas britânicas avançavam em maciças correntes através do Canal. A 11 de outubro, Mr. Hore-Belisha anunciou que durante as primeiras cinco semanas de guerra 158.000 homens tinham sido transportados à França e deu a entender que outros movimentos estavam em progresso. A 10 de dezembro foi anunciado que tropas britânicas estavam ocupando uma seção da Linha Maginot, entrando em contacto com o inimigo.

O inimigo nesse meio tempo não mostrou intenção alguma de efetuar um ataque direto contra a Linha Maginot. Ao invés, havia sinais de que a idéia de um ataque de flanco através dos Países Baixos estava uma vez mais exercendo uma atração sobre os líderes alemães. À medida que tropas transferidas da Polônia começaram a concentrar-se nas fronteiras belga e holandesa e a imprensa alemã verberava com intensidade crescente a Holanda pela sua fraqueza em aceitar a violação de seus direitos pelos britânicos, o alarme nesses países aumentava. A 1o de novembro o governo holandês, que realizara inundações preliminares, proclamou o estado de sítio em certos distritos fronteiriços. A 6 de novembro o rei dos belgas fez uma repentina e secreta visita à rainha Guilhermina em Haia, e no dia seguinte os dois soberanos enviaram às potências beligerantes um apelo de paz e uma oferta de seus bons ofícios. No dia 9, a Bélgica aumentou suas forças para 600.000 homens e a Holanda inundou outras áreas.

Havia argumentos persistentes de que a Alemanha se tinha decidido a atacar a 12 de novembro; mas se isto era verdade, sobreveio uma mudança de intenção. Possivelmente a solidariedade dos dois governos neutros teve seus efeitos, mesmo que seu apelo de paz não tenha dado resultado. Respostas cautelosas da Grã-Bretanha e França no dia 12 eram seguidas, a 14, pela rejeição alemã, sob o fundamento de que as respostas britânica e francesa constituíam uma recusa. Mas embora a tensão se atenuasse, as tropas alemães permaneceram na fronteira. Foi talvez a título de advertência, à vista do prosseguimento do perigo, que a França anunciou no começo de dezembro o reforçamento e a extensão da Linha Maginot, que cobriria as fronteiras suíça e belga com uma linha defensiva que, disse o porta-voz francês, com otimismo cauteloso; "pode muito bem ser descrita como formidável." Em conexão com essas operações terrestres, houve uma circunstância notável a ausência de qualquer atividade aérea intensa. Os reides mortíferos esperados contra centros civis não se concretizaram. As próprias comunicações atrás das linhas foram poupadas ao bombardeio. Os franceses foram capazes de fazer avançar suas tropas; aos alemães foi permitido trazer suas forças da Polônia ao ocidente sem interferência do ar. Os dois lados pareciam pouco desejosos de começar, ou devido ao receio às represálias ou por medo da opinião neutra. Houve ativos vôos de reconhecimento, e a Royal Air Force efetuou extensos vôos para distribuição de propaganda em território alemão. Mas a não ser choques ocasionais entre patrulhas, as operações militares foram pouco apoiadas pelo ar. Foi mais em relação à guerra marítima que a aviação mostrou a maior atividade.
 
 
fonte: http://www.2guerra.com.br

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