quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O gabinete de guerra britânico

imagem ilustrativa/google
Percebeu-se na Grã-Bretanha, durante a guerra passada, que um gabinete de uns vinte membros era organismo grande demais para uma eficiente direção dos negócios. Quando Mr. Lloyd George se tornou Primeiro Ministro, em 1916, ele criou um pequeno grupo interno de cinco, cuja função única era a direção da guerra. Esse foi o precedente que orientou a formação de um Gabinete de Guerra interno ao romper da presente conflagração. Presidiu-o o Primeiro Ministro e contava com Sir John Simon (Chanceler do Erário), Lord Halifax (Secretário do Exterior), Lord Chatfield (Coordenação da Defesa), Mr. Hore-Belisha (Guerra), Sir Kingsley Wood (Ar), e Sir Samuel Hoare (Lord do Selo Privado). Dois outros membros levaram a essa corporação a experiência obtida durante a Grande Guerra. Mr. Winston Churchill, voltando ao seu antigo posto no Almirantado, foi incluído no Gabinete de Guerra; e Lord Hankey, que tinha longa folha de serviço como Secretário do Comitê de Defesa Imperial e o qual servira como Secretário do Gabinete Imperial de Guerra, entrou como ministro sem pasta. Em edição, Mr. Anthony Eden, que foi nomeado Secretário dos Domínios, iria ter acesso ao Gabinete de Guerra no tocante a assuntos relativos ao seu departamento.

Em 1916 observaram-se certas divergências entre esse corpo e o Gabinete de Guerra. Em primeiro lugar, este não era uma coalizão de todos os partidos. Os partidos Liberal e Trabalhista tinham sido aproximados, mas, depois de confabulações, haviam decidido manter-se de lado, prontos a apoiar os esforços de guerra do governo, mas permanecendo livres para criticar onde a crítica se mostrasse justificada. Em segundo lugar, ele consistia em grande parte na chefia de pastas. Os membros do anterior gabinete de guerra tinham sido libertados de todos os deveres administrativos, com a finalidade de poderem devotar todas as suas energias aos problemas mais amplos da guerra. No caso presente, os membros retinham suas pastas executivas, e sentiu-se que isto seria um erro. Foi também sugerido em alguns círculos que devido a razões não alheias à inclusão de Mr. Churchill - o Gabinete de Guerra pendia pesadamente para o lado dos serviços militares, e que o fiel da balança poderia, com vantagens, ser desviado para o lado civil.

Mal se tinham passado quatro meses antes que uma mudança mais importante no Gabinete de Guerra tivesse lugar. A 5 de janeiro foi anunciado que Mr. Hore-Belisha renunciara a pasta de Secretário de Estado da Guerra. A notícia apanhou o público em geral inteiramente de surpresa. Mr. Hore-Belisha tinha ganho uma reputação de enérgico reformador, particularmente durante a sua gestão na pasta da Guerra. Sua drástica modificação do Supremo Comando, suas medidas para democratizar o exército e acelerar as promoções, seus esforços para melhorar o soldo dos soldados, tinham provocado comentários favoráveis. O mistério foi mal desfeito pelas explicações oficiais no Parlamento. A coisa mais aproximada a uma insinuação, na declaração algo velada de Mr. Hore-Belisha, foi a observação: "Não me ocorreu considerar que estávamos tornando o exército democrático demais para lutar pela democracia." O primeiro ministro limitou-se grandemente a negar algumas interpretações que corriam em forma de boatos. Não tem havido, disse ele, divergência alguma em política entre Mr. Hore-Belisha e o Gabinete ou o Conselho do Exército. Não tem havido pressão alguma para o seu afastamento de parte dos homens de "galões dourados", e nenhum membro do Alto Comando ameaçou renunciar. "Quero dizer apenas que cheguei à percepção de dificuldades - talvez possa descrevê-las como resultado das muito grandes qualidades de meu honrado amigo - que, a meu modo de ver, faziam desejável que alguma mudança ocorresse de quando em vez". Tudo que era possível deduzir-se de tal declaração era que, no caso de Mr. Oliver Stanley, que substituiu Mr. Hore-Belisha na pasta da Guerra, essas dificuldades peculiares dificilmente se apresentariam.

A substituição, se bem que aceita sem críticas sérias, pouco contribuiu para refrear a crescente impaciência que se tornou manifesta num certo número de círculos durante os meses que se sucederam. Um sentimento foi expresso abertamente: não apenas o de que certos funcionários se conduziam de um modo algo menos que ideal em seus postos, mas também o de que havia necessidade de mais eficaz coordenação dos esforços do que a empregada pelo Gabinete de Guerra nas bases existentes. No começo de abril foram tomadas medidas experimentais para conciliar esses sentimentos. Além de certas modificações ministeriais, inclusive a substituição de Sir Kingsley Wood no Ministério do Ar por Sir Samuel Hoare, e a resignação de Lord Chatfield ao seu cargo no Gabinete, a estrutura mesma do corpo central governante foi reorganizada. Mr. Churchill tornou-se chefe de um comitê composto dos chefes dos serviços de guerra; Sir John Simon, daí em diante, passou a presidir um comitê de política econômica; e Sir Kingsley Wood, agora Lord do Selo Privado, foi posto na chefia de um comitê de política interna. Assim, a direção das ativas hostilidades, dos assuntos econômicos e dos problemas sociais e domésticos foi entregue a uma autoridade coerente, com o Gabinete de Guerra a exercer a suprema função de órgão coordenador. Não era de modo algum tudo que a crítica esperava, mas representou progresso destacado em favor da unidade de direção.
 
 
 

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