quarta-feira, 30 de março de 2011

Assim comia Garibaldi ...

O líder Garibaldi não tinha um paladar muito apurado, ainda que seus gostos tivessem um quê de internacional. O general, artífice da Unificação da Itália, apreciava particularmente o bacalhau seco, mas também a sopa de peixe à francesa e a carne à brasileira.
 


Os ingredientes, a quantidade e o preparo foram minuciosamente registrados em um pequeno caderno que, das mãos da filha do Herói dos Dois Mundos, Clelia, passou por acaso para as de um advogado de Livorno, Sergio Gristina. Ali estão os pratos que eram servidos em casa Garibaldi.

A capa marrom recebe a inscrição "Receitas de Culinária". Em suas páginas, há uma centena de receitas divididas em tópicos, dos antepastos às sobremesas: para cozinhar dois quilos de bacalhau usa-se uma cebola grande, ½ quilo de tomates maduros, ½ quilo de anchovas salgadas e bem lavadas, muita salsinha e alho picados, azeitonas em conserva e azeite de oliva, sal e pimenta a gosto. Há uma década, o livro de receitas também foi colocado à venda nas livrarias.

Este ano, por ocasião dos 150 anos da Unificação da Itália, as receitas do livro serão servidas em 16 de abril, quando o advogado livornese fará cozinhar e servir algumas das especialidades no troféu de vela para a Academia Naval e Cidade de Livorno.

''Atualmente há uma infinidade de livros de receitas, mas antes não - explica Gristina, 67 anos, diretor livornese da Academia Italiana de Culinária. Na casa de Garibaldi se escreviam detalhada e diariamente todas as refeições preparadas. Garibaldi não comia muito, mas os pratos tinham sabores fortes. A preparação seguia a cozinha de Genova, da Sardenha e de Nice''.

Além do apreciadíssimo bacalhau, os outros pratos mais apreciados pelo líder dos Mil eram a bouillabaisse (uma sopa de peixe à francesa), o minestrone à genovese al pesto e a pissaladiere (uma espécie de focaccia, pão achatado), mas também o churrasco à brasileira, que Garibaldi conheceu no Brasil.

Foi Clelia Gonella (bisneta de Francesca Armosino, esposa de Garibaldi) a presentear Gristina com o receituário herdado após a morte de outra Clelia, filha do patriota.

As duas mulheres se conheceram em 1931 em Livorno, na Villa Francesca, a residência de Ardenza que Francesca Armosino tinha comprado quando seu segundo filho, Manlio, começou a frequentar a Academia Naval. E Clelia Gonella se tornou a dama de companhia de Clelia Garibaldi.

''Conheci Clelia Gonella em 1998 - diz Gristina. Falando com ela tinha a impressão de mergulhar na casa de Garibaldi''. Foi então que Clelia Gonella colocou à disposição o caderno dos pratos servidos a Garibaldi para publicar um livro.  
www.ansa.it/www.italianos.it

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