quarta-feira, 13 de abril de 2011

Lixo Extraordinário

A escolha política e equivocada do péssimo Lula, o Filho do Brasil para representar o Brasil no Oscar não deixou o país inteiramente sem representante naquela festividade do cinema norte-americano (há testemunhos idôneos, como o do famoso crítico Rubens Ewald, de que o filme foi imposto à comissão que fez a escolha). Lixo Extraordinário, co-produção entre Brasil e Inglaterra assinada por Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim, conseguiu ser indicado na categoria de Melhor Documentário. Não ganhou, mas pelo menos fez seu papel com brilho, já que, ao contrário do citado, tem qualidades. O filme acompanha o trabalho que o artista plástico Vik Muniz realizou com pessoas que trabalhavam no aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, o maior da América Latina, selecionando o que poderia ser reciclado. Conceituado internacionalmente, Vik conta, no início do filme, que foi pobre e que tinha vontade de um dia usar seu prestígio internacional para mudar a vida de um grupo de pessoas, o que o levou ao lixão. Seu objetivo e projeto era fotografar cenas locais e reconstruí-las com o material reciclado coletado. Aos poucos, ele vai se envolvendo com a comunidade local e ganhando a confiança dos catadores, especialmente ao mostrar os primeiros resultados, acabando por conseguir reconhecimento internacional não apenas para as novas obras, como também para os seus modelos.

Os diretores acertaram ao focar o documentário nas pessoas que são o objeto da obra, dessa forma humanizando um filme sobre arte. É a espontaneidade delas o melhor de Lixo Extraordinário. Se há um erro na postura inicial de Vik Muniz, que mostra uma postura algo emproada, de certa forma se vangloriando por seu sucesso e dizendo repetidas vezes que foi pobre, como se tentasse convencer o espectador, essa falha é compensada pelo flagrante da transformação nas pessoas, que acontece diante dos olhos do espectador. É fascinante ver os catadores utilizando a matéria-prima, que antes não passava para eles de meio de ganhar a vida, para fazer arte. Um trabalho que antes as envergonhava passa a ser motivo de orgulho. O horizonte delas se alarga e elas ganham projeção internacional, se vendo em situações nunca antes imaginadas. Algumas viajam ao exterior na companhia de Muniz, são reconhecidas como seus modelos, e ficam maravilhadas de ver as obras das quais participaram vendidas por fortunas.

O filme ganha em nos apresentar essas pessoas, mostrar o ponto de vista delas e nos fornecer verdadeiras lições de vida. Deixa também Muniz muito bem na fita, como seria de se esperar. Mas o resultado é algo um pouco forçado. Falta a Lixo Extraordinário a espontaneidade dos coadjuvantes do artista. Talvez nas mãos de algum dos documentaristas geniais que abrilhantam o cinema brasileiro, como Eduardo Coutinho, teríamos aqui uma obra-prima. Mas pelo menos Lixo é um bom documentário, vale não apenas como uma exaltação do trabalho de Vik Muniz, mas principalmente como uma verdadeira lição de vida.
Cotação: *** (bom)

 porFlavio Orsini Costa Val
jornalvarginhahoje

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