domingo, 3 de outubro de 2010

Veja o filme, vote no candidato - política no cinema

O termo “cinema político” dá origem a uma série de ramificações com visões que vão da militância de esquerda à defesa do neoliberalismo puro. Renomados diretores são enquadrados numa galeria de autores de obras do tipo, como Chaplin, Godard, Glauber Rocha e Orson Welles. A reverberação causada por uma arte politizada pode impactar diretamente nas urnas - logo, muitos filmes são lançados unicamente com esse intuito, disseminando ideias que criticam ou apoiam um candidato ou partido em pleno período eleitoral.
Na corrida ao cargo máximo da Casa Branca, cineastas norte-americanos podem ter conseguido números significativos (é difícil obter dados quantitativos) a favor da campanha do Partido Democrata. Para exemplificar, em 2008 Oliver Stone lançou a mordaz cinebiografia W., que retrata a ascensão de George W. Bush de um jeito irreverente e recheado de humor negro, o que levou muitos eleitores republicanos a boicotar as salas de projeção.
Em 2004, ano eleitoral anterior, Michael Moore, o audaz crítico dos sistemas capitalista-armamentista-sanitarista-ambientalista, teve como alvo a população dos estados decisivos, incentivando os jovens a comparecer às zonas eleitorais – num país em que o voto é facultativo – em prol de John Kerry. Estava tão engajado na ideia que o filme Slacker Uprising não foi lançado comercialmente, mas distribuído na internet e em DVD’s de baixo custo. Chegou a ser relançado em 2008, com cenas e comentários inéditos a favor do também democrata Barack Obama.
Em contrapartida, nesse mesmo ano, David Zucker (de O Aeroplano/Apertem os Cintos - O Piloto Sumiu!), simpatizante da campanha de John McCain, contra-atacou Moore ao lançar An American Carol, uma comédia supra-satírica onde o personagem principal, um documentarista anti-americano chamado Michael Malone (clara alusão a Moore), deseja abolir o consagrado feriado de 4 de julho. A película é uma paródia politizada e muito irreverente de Um Conto de Natal de Charles Dickens, pois Malone recebe visitas dos espíritos de John F. Keneddy e Mussolini e participa de diálogos semelhantes ao da obra clássica.
Escândalos políticos também dão ótimos roteiros. Assistimos isso há pouco, no filme Frost/Nixon, drigido por Ron Howard (de Uma Mente Brilhante), que dramatiza a histórica entrevista do ex-presidente Richard Nixon ao apresentador de TV David Frost, que tenta extrair respostas e confissões acerca dos motivos que levaram Nixon a renunciar ao cargo três anos antes. O filme venceu nas cinco categorias em que concorreu no Festival de Filmes de Las Vegas, não só por seus atributos técnicos e boas interpretações, mas por motivos implícitos, como retomar manchas pouco esclarecidas do passado e lembrar à população a responsabilidade que cada voto carrega.
Uma corrida eleitoral esbanja todos os elementos que um roteirista de cinema almeja para uma trama complexa, atrativa e que prenda a atenção do espectador até o final. Berry Levinson (de Rain Man) soube aproveitar o tema: Man of the Year (batizado de O Homem do Ano em Portugal e Candidato Aloprado no Brasil) é uma comédia onde o personagem principal, interpretado por Robin Williams, um carismático jornalista cansado do estagnado sistema partidário norte-americano, resolve candidatar-se às eleições de forma independente e conquista a simpatia do eleitorado. O filme mostra uma forma de protesto muito comum no Brasil, onde um cidadão propositadamente excêntrico candidata-se apenas para expor o famigerado sistema eleitoral e a precariedade dos ideais de seus concorrentes.
Recentemente no Brasil, dois filmes também se destacaram por estrearem próximos ao período eleitoral: Lula – O Filho do Brasil e O Bem Amado. O primeiro, cinebiografia dirigida por Fábio Barreto, foi acusado de alimentar o populismo e contribuir para o fortalecimento do partido, mas, na opinião de alguns analistas políticos, alcançou um objetivo positivo: incentivar o debate acerca da possível sucessão por uma candidata co-partidária. Foi o escolhido para concorrer à vaga de finalista na categoria Melhor Filme Estrangeiro, no Oscar 2011. Já O Bem Amado, de Guel Arraes, é uma caricatura estereotipada de prefeitos municipais corruptos, infelizmente ainda tão presentes no interior do país.
Longe de se enquadrar em fórmulas prontas, roteiristas, diretores e produtores se desdobram ao tentar construir argumentos que atraiam a atenção do grande público para uma questão de máxima importância: semear ideias e, assim, garantir apoio para a melhor administração que uma nação possa ter ou, pelo menos, a que acham melhor. Cabe a nós assistir, refletir e, é claro, votar conscientemente.

Fontes das imagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Fonte: http://obviousmag.org/

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