terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um passeio pela Itália com um pouco de história.


Lazio
O Lazio é uma região da Itália central com mais de 5,5 milhões de habitantes, cuja capital é Roma, que também é capital da Itália.A região confina ao noroeste com a Toscana, ao norte com a Umbria, ao nordeste con a Marche, ao leste com o Abruzzo e o Molise, ao sudeste com a Campania e ao oeste com o mar Tirreno. Dentro da região Lazio há o pequeno território do Estado do Vaticano.O nome da região deriva do antigo nome “Latium”, que foi-lhe dado pelo povo dos Latini, antepassados dos antigos romanos.A região é em prevalencia colinar: 54% do seu território é de fato ocupado por colinas, o 26% por montanhas e o restante 20% por planicies.
 
No Lazio estão presentes três lagos: o Lago de Bolsena, o Lago de Vico e o Lago de Bracciano.A região conta também com inúmeros parques ecológicos, reservas e áreas protegidas.
O Lazio é divididos em cinco províncias: Roma, Frosinone, Viterbo, Latina e Rieti, que somam 387municípios.Algumas áreas do Lazio eram antigamente de origem paludosa e portanto inóspitas e insalubres, porque infestadas de mosquitos que causavam a malária.
Durante o ventenio fascista Mussolini mandou bonificar estas áreas, que hoje são habitadas e produtivas.Interessante é o jeito de falar dos romanos, chamado de “romanesco”, que fica de dificil comprensão para quem não está acostumado a ouví-lo.
De fato, se trata do italiano, mas com algumas variantes na pronúncia: a letra “s” após uma consonante nasal, é pronunciada como “tz” (“insomma”, por exemplo, vira “intzomma”); as letras “b” e “g” são dobradas (“abile”, vira “abbile”; “regina” vira “reggina”, etc.).Muito difuso é também o habito de truncar as palavras, como “má” no lugar de “mamma”; “andá”, no lugar de “andare” e assim por diante.
Além de Roma, a região conta com importantes localidades arqueológicas, como Cerveteri, Ostia antica, Tarquinia, VIterbo, Vulci, Tuscania, Terracina, Sezze, Pomezia e muitas outras.


Roma
Achados arqueológicos testemunham a presença de antigos povoados sobre a colina Palatino já na metade do século VIII a.C. A comunidade romana teve progressivamente o influxo das civilizações sabina, etruscas e gregas. A lenda sobre a fundação de Roma no Palatino (753 a.C., lenda de Romulo e Remo), testemunha uma base de acontecimentos reais; durante a época da monarquia (sec. VIII-509 a.C.) lutas e alianças com os sabinos e etruscos levaram à formação da cidade através da fusão de vilarejos espalhados sobre as colinas ao redor do Palatino.No período da monarquia ao lado da figura do rei, depositário também do poder religioso, e que na tradição é escolhido com o princípio eletivo, se afirma o conselho dos Patres mais influentes. A Civitas se constitui ao redor da dialetica sócio-econômica entre os grupos de nobres famílias, aqueles que possuem terras, e a plebe, sujeita a ter um contato de clientela com estes. A população nas forças armadas era estruturada no comícios por cúrias.
Na passagem da monarquia à República que se determinou no âmbito do declínio da potência etrusca na Itália, elaborou-se um sistema militar e político baseado no censo, que sostituiu aquele de nobre família. Os aristocratas, por meio de um gradual processo deram vida a uma forma de governo baseada em magistraturas colegiais (consules, censor) e em quanto ao senado, estes controlavam inteiramente e concordavam com as exigências sócio-políticas da cidade que eram então rumo à expansão.Paralelamente à fase das guerras contra os povos que moravam aos limites, se desenvolveu ao interno da cidade um
contraste social e político entre os patrícios e os plebeus.
 
Derrotados os latinos (499 a.C.), com os quais foi estabelecida uma aliança (Foedus Cassianum, 493 a.C.), a república consolidou o próprio eixo jurídico-político (tribuno das plebes, leis das XII mesas, 451 a.C; leis canuleia, 445 a.C.; instituição da censura, 443 a.C.).As guerras de conquista continuaram com Fidene (426 a.C.) e de Veio (396 a.C.), com o conflito contra os sanitos (guerras saníticas, 343-41 a.C.; 326-304 a.C.; 298-290 a.C.) e contra os etruscos (310 a.C).
A conquista de Sannio levou Roma a contato com a Grécia. Nos acordos com a população itálica, tratados com os lucanos, 299 a.C., e com os Turos, 282 a.C.), se fez em seguida a guerra contra Taranto, ajudada pelo rei Pirro, ao final da qual Roma tornou-se dona da Itália meridional (Taranto conquistada em 272 a.C. e Reggio em 270 a.C.). 
As conquistas romanas prosseguiram apesar da resistência dos cartagineses (guerras púnicas, 264-241 a.C., 218-201 a.C.): foram conquistadas a Córsica (259a.C.), a Sicília (241 a.C.), a Sardenha (238 a.C.) e uma vasta província na península ibérica (226 a.C.).Roma iniciou então a própria expansão na Planície Padana (200 a.C), no Illirico e na Macedônia (196 a.C.). 

 Na conquista do Oriente com a guerra siriaca (193-188 a.C.) e com a redução da Macedônia e da Grécia em províncias (conquistada Coríntios, 146 a.C.) e contemporaneamente a destruição de Cartagine (146 a.C.), deu-se então início à conquista da costa africana.O processo de expansão modificou a estrutura econômica do estado; as imensas conquistas territoriais, das quais chegavam incalculáveis riquezas, determinaram a crise da estrutura agrícola sobre a qual se fundava a Itália; enquanto Roma procurou forçar as próprias estruras políticas a fim de se adaptarem como províncias, sem modificar naturalmente os
papéis de poder, se afirmou assim a classe dos cavaleiros.Importantíssimas foram as consequências culturais da expansão no oriente, que modificaram profundamente os identidade da civilização romana. 

 A guerra servil na Sicília (136-132 a.C.) abriu um periodo de fortes tensões sociais: o tribunato de Tiberio Gracco (133 a.C.) procurou favorecer a distribuição de terras públicas à plebe; Fulvio Flacco (125 a.C.) tentou sem algum sucesso dar a cidadinança romana aos itálicos; Gaio Gracco (123 a.C.) retomou a política do irmão Tiberio, mas foi assassinado em 121 a.C.A guerra social (90-88 a.C.), conduzida pelos itálicos que revindicavam a cidadinança, foi a expressão da profunda crise estrutural que desembocou numa guerra civil. O choque viu como protagonistas Mario e Silla (88-82 a.C.), depois do dissolvimento do primeiro triunvirato (César, Pompeu, Crasso, 60-53 a.C.), especialmente a Pompeu e César se deve a conquista da Gália e da Britânia. 

 Com o assassinato de César (44 a.C.) seguiu uma nova guerra civil, que teve como contendentes Otaviano e Antônio.Estabelecendo-se em Roma com a ajuda do senado, Otaviano depois de um breve acordo com o rival (segundo triunvirato a.C. com Otaviano, Antonio, Lepido) a fim de eliminar os sustentadores da linha de César (Pilippi, 42 a.C.), o atacou decisivamente no Oriente, onde este
havia estabelecido uma estreita aliança com a rainha egípcia, Cleópatra.
Em Azio (31 a.C.) Otaviano obteve a vitória decisiva e procedeu a fim de definir o próprio poder(auctoritas): garantia de paz, de tradição e de exigências de todas as classes sociais; se reconheciam todos os componentes do organismo imperial.Determinante foi a reorganização administrativa e militar do império, que determinou particularmente uma nova dinâmica social. O poder, então ligado fisicamente a uma pessoa, e não mais às instituições, favoreceu aos sucessores (dinastias Giulio, Claudia e Flavia) na tendência de modificar os métodos de governo, comportamentos e consensos políticos. Se Tibério (14-37 d.C.) e Cláudio (41-54) se demonstraram herdeiros do equilíbrio e da paz buscadas por Otaviano, Calígola (37-41), Nerone (54-68) e Domiziano (81-96) preferiram os modelos tipicamente orientais (autocracia, teocracia), enquanto Vespasiano (69-79) e Tito (79-81) foram prudentes administradores das fontes estaduais.

 Com a morte de Domiziano, para evitar a descontinuidade política, foi instituída a transmissão do poder através do princípio de adoção em sostituição àquele herdado. Nerva (96-98), Traiano (98-117), que conquistou a Dacia e a Arábia, Adriano (117-38) que reforçou as posses na Britânia (valo de Adriano), Pio (138-61) e Marco Aurélio (161-80), foram exemplos de capacidade política e de sábia administração.
O principado voltou a ser de herança com a sucessão do filho de Marco Aurélio, Commodo (180-92). Os altos gastos militares para proteger os limites, carestias e pestilências, a qual se acrescentaram uma guerra civil entre militares pela sucessão ao trono, enfraqueceram o império.Com Settimio Severo (193-211), não obstante as reformas administrativas e do exército, iniciou-se uma profunda crise que se arrastou até o governo de Diocleziano (284-305).

 Com a constitutio antoniniana de Caracalla (212), que havia alargado atodos os súditos do império a cidadinança romana, foi finalizada formalmente a açao de dividir por nível e equiparação o grande organismo territorial.Enquanto isso, a difusão do cristianismo ao interno das classes dirigentes e da mesma corte imperial e o formar-se da igreja como centro de agregação vital, não apenas religiosa mas também ética, constituíram um perigoso adversário que os imperadores combateram com contínuas perseguições.
Após a primeira Reforma de Diocleziano que definiu um novo eixo territorial e administrativo do império,separando os poderes militar e civil, colocando alicerces com a tetrarquia, desde a divisão do império do ocidente com aquele do oriente e, também o reconhecimento do cristianismo como licita (edito de Milano, 313) por Costantino (306-337), o ocidente viu o reforçar-se da autoridade da igreja romana e a progressiva decadência econômica e política. 

 Reunificado o império, Costantino viu novamente o império ser dividido por Teodosio (379-395) entre os filhos Onorio (395-423) e Arcadio. A continua infiltração dos povos germânicos, a solidaridade oferecida a eles pelos servos e agricultores endividados pela alta pressão fiscal, as lutas entre os proprietários de “Terrieri” da províncias e entre os comandamentos militares do exército, enfraqueceram as defesas dos limites, que não suportaram a invasão dos unos e dos godos (sacco di Roma de Alarico, 410) até a deposição de Rômulo Augustolo (476) por parte de Odoacre.

 A constituição dos reinos romano- bárbaros, especialmente daquele itálico tocado pelo ostrogodo Teodorico que em 93 havia tirado a autoridade de Odoacre, favoreceu o surgimento da potência papal ao redor do conspícuo patrimônio eclesiastico. Para a eleição do pontefice houveram sangrentos conflitos de natureza política e religiosa.Arruinada pela guerra greco- gótica, Roma sofreu uma drástica queda demografica e territorial.Ocupada pelo general bizantino Narsete (552), se reprendeu sob o pontificado de Gregório Magno (590-604), livrando-se das ingerências orientais após o cisma monotelita (segunda metade do VII) e as revoltas populares de 725 e 726-29. Em 754, para defender o território contra a expansão longobarda, o papado iniciou a política de aliança com os francos (Pipino, rei dos francos tornou-se patricius romanorum) que culminou o reconhecimento de Roma como sede da igreja e da monarquia universal (coroação de Carlos Magno, Natal de 800); formou-se assim um vasto domínio na Itália central que foi submetido à autoridade ponteficia (estado pontificio).Caindo sob a tutela dos duques de Spoleto, que interveniram na defesa da cidade após as tentativas de conquista saracenas (846), Roma encontrou-se em dificuldades por contínuas lutas entre a nobreza e o clero (IX-X). Todavia, não obstante as tentativas imperiais, a aristocracia da cidade continuou na luta pela hegemonia política que levou por dividir-se entre o papado e o império durante a luta pelas posses. 

 Ocupada por Enrico IV (1084) que teve imediatamente que abandonar a cidade, pois estava para ser invadida pelos normandos de Roberto o Guiscardo, foi por estes saqueada, enquanto o povo que se opunha ia sendo massacrado e deportado. Novamente em preda das lutas da nobreza, após a experiência municipal de Arnaldo da Brescia (1144-55), a cidade voltou às mãos do pontefice (1188).
Reerguendo-se sob Innocenzo III (1198-1216), conheceu um período de particular esplendor cultural e econômico com o jubileu de 1300 (o primeiro da história da igreja), promovido por Bonifácio VIII. Mas as lutas políticas e a decadência recomeçaram com a catividade dos avinhoenses (1309-77) não obstante os esforços de Cola di Rienzo (1347; 1353-54) de restaurar a ordem reconduzindo a cidade sob a proteção do império. A peste de 1348 e o terremoto de 1349, a devastaram e a despovoaram até os inícios do XV. Depois do retorno do pontefice Gregório XI de Avignon, a cidade começou a assumir o papel de capital do 

Estado da Igreja sob Martino V.Apesar do sacco dos Lanzichenecchi imperiais(1527), a retomada do XVI a transformou em um dos maiores centros artísticos e culturais do mundo, enquanto a autoridade do papa se consolidou após o concílio de Trento (1545-63) e a contro-reforma. No papel pontificio se sucederam ordenadamente os membros das potentes aristocracias da cidade, enquanto os territórios do estado se ampliavam com junção de Ferrara (1598) e Urbino (1631).

A prosperidade e o equilíbrio perduraram, com exceção de um breve período durante a guerra de sucessão espanhola (1701-14) até a ocupação francesa de 1808, seguida pelas tentativas da revolta dos jacobinos locais.
Retornando então ao poder do papa, foi reocupada pelos franceses (1809) que ali tentaram reorganizar a administração e as atividades econômicas, enquanto o papa Pio VII foi obrigado a exiliar-se em Savona. Após a queda de Napoleão (1814) e a Restauração (1815), constituíram-se as primeiras associações de carvão (Carboneria), ativas seja na cidade que nas legações. 

 Em 1849, após a fuga de Pio IX a Gaeta, Giuseppe Mazzini constituiu a República Romana, eliminada pelo exército francês.A proteção francesa retardou a ocupação de Roma e a sua anexação ao novo Reino da Itália. Depois das tentativas garibaldianas de Aspromonte (1862) e Mentana (1867), foi capturada pelas tropas italianas em 20 de setembro de 1870 (brecha de porta Pia), tornando-se capital efetiva (em 1861 tinha sido proclamada capital simbólica). Em 1871 a corte se transferiu na residência do Quirinale.

 Nos anos entre o final do século XIX e o inicio do XX determinou-se um rápido desenvolvimento da cidade caracterizado por uma intensa especulação de edificação, contida apenas na breve experiência da junta, guiada por E. Nathan (1907-13) que introduziu o plano regulador.Com a coroação a imperador de Carlo Magno pelo papa Leone III, em 25 de dezembro de 800, inicia a dominação estrangeira na Itália, que durará por 1.061 anos, até a Unificação.

Após a primeira Guerra Mundial, a cidade encontrou-se no centro das atenções fascistas (marcha sobre Roma em 28 de outubro de 1922) que levou Mussolini ao poder.Durante tal regime a cidade sofreu imponentes saneamentos, desejados para celebrar a capital do império. 

 Durante a II Guerra Mundial a cidade foi ocupada palos alemães (1943) e logo depois libertada (1944).No período pós-guerra o fenômeno de inurbamento de vastas áreas da Itália centro-meridional se acentuou e foi acompanhado por uma disatinada política urbanística seguida pelas administrações locais.Algumas das verdadeiras “carnificinas arqueológicas” praticadas por Mussolini, no centro de Roma.Um inteiro bairro medieval, muitos vestígios romanos e até um morro inteiro foram derrubados, para criar a “Via dei Fori Imperiali”, que devia celebrar os fastos de Roma (e de Mussolini).É espantoso que justamente o ditador que queria recriar o Império Romano possa ter tido a insensatez de destruir importantes vestígios milenares do verdadeiro império!

 Roma é a capital do Lazio. Todos sabem disso: é grande e irresistível a atração da Cidade Eterna, capital da cristandade, sede do Papado, incomparável receptáculo de obras-primas arquitetônicas e artísticas do mundo antigo.Pode-se resistir ao fascínio de Roma? É dificil, mas por que não fazermos a experiência e passarmos alguns dias “explorando” o Lazio? Descobriríamos assim uma região de grande fascínio natural e ambiental, com uma extraordinária variedade de paisagens: vastas praias, grandes bosques de pinheiros, montes como o Terminillo (ótima estação de esqui), suaves colinas e amplas planícies. 

 Uma região rica em monumentos de arte, que recordam com rara imediatez a longa e extraordinária história desta região.Em Tarquinia, Cerveteri e Tuscania, necrópoles e museus recordam o antigo e misterioso povo dos etruscos (séculos VII-VI a.C.), que dominou a Itália central antes da ascensão de Roma.Os testemunhos da romanidade e das épocas históricas seguintes são inúmeras fora de Roma, nas outras províncias do Lazio e nas próprias capitais provinciais: Rieti, Viterbo, Latina e Frosinone.Recordemos apenas a esplêndida, grandiosa Villa Adriana de Tivoli (onde também se acha a renascentista Villa d’Este), o Palazzo Barberini de Palestrina, do século XVII, a Catedral de Anagni. 

 A própria grandiosidade da religiosidade romana parece projetar-se e duplicar-se para fora de Roma: nas Abadias de Montecassino, de Casamari, de Fossanova e nos mosteiros de Subiaco, lugares caros a São Bento de Norcia.O Lazio, portanto, não é só Roma, mas Roma também é o Lazio. 

Acrópoles megalíticas de origens enigmáticas, estradas etruscas talhadas no tufo, igrejas românicas ricas em afrescos, fontes barrocas, brilham sem ser ofuscadas pela beleza da capital.A história do Lazio, e as vicissitudes do seu desenvolvimento urbano, poderiam muito bem ser separadas entre as de Roma e do restante da região, que por mais de dois milênios se alternaram e entrelaçaram.Os primeiros habitantes das áreas meridionais e orientais foram povos itálicos, enquanto os Etruscos, de origens até hoje desconhecidas, ocuparam o norte. 

 No centro, surgiu Roma (convencionalmente, em 753 a.C.), que cedo ganhou a supremacia, submetendo todo o Lazio (séc. III - II a.C.). Com isto, a atividade de construção, que antes se estendia à inteira região (como atestado pelos achados etruscos e os ciclópicos restos de muralhas itálicas), passou desde então a concentrar-se quase exclusivamente em Roma.
Só na alta Idade Média, após a queda do império e da sua capital, a região teve considerável retomada, com o surgimento de dezenas de centros agrícolas e a expansão de inúmeros outros povoados.Entretanto, desde o séc. VIII, com as doações dos Francos ao Papado, vinha tomando forma o Estado da Igreja, que porém exercia um poder não mais do que fraco, deixando ampla autonomia às Comunas, pelo menos até o retorno do Papado do exílio de Avignon (1377).Daí em diante, os feudos e as muitas senhorias da região entraram em franca decadência, que chegou ao seu termo no séc. XV, quando todo desenvolvimento urbano voltou a concentrar-se em Roma, assim permanecendo mesmo após o fim do Estado da Igreja, e sua anexação ao Reino da Itália (1870). 

 De fato, só o fascismo, no seu apogeu antes da II Guerra, executou uma série de obras no território, saneando áreas pantanosas ao norte e ao sul de Roma, criando centros agrícolas e fundando novas cidades, que deram lugar a uma forte imigração de camponeses do centro-norte da Itália, especialmente do Veneto.Se Roma foi o centro da urbanização, a região é por sua vez uma sucessão de extraordinários ambientes naturais, que foram determinantes para a localização e o tipo de assentamentos humanos.
Assim, ao norte, a Túscia lacial, antigo território dos Etruscos, é um dos lugares mais belos e fascinantes da Itália, feito de colinas de calcário, de profundos desfiladeiros escavados por torrentes tortuosas, de vegetação baixa e verdejante, de povoados sem tempo que se revelam de improviso aninhados no alto dos montes: criando um cenário tão típico a ponto de ser chamado de “posição etrusca”.Na realidade, os centros mais isolados e de difícil acesso remontam, sim, aos Etruscos - e foram deixados intocados pelos conquistadores romanos -, mas o seu aspecto atual é alto-medieval, de uma Idade Média pobre, primitiva, românica, feita de casas de tufo que se confundem com o ambiente.Muito diferente é a paisagem dos lagos de origem vulcânica, pois nos quase perfeitos cones de antigos vulcões hoje preenchidos pelas águas dos lagos de Bolsena, de Vico e de Bracciano, cresce uma mata intricada e rareiam os povoados: aqui também, em sua maioria, medievais, porque foi nessas encostas que os habitantes procuraram refúgio contra as invasões dos bárbaros. 

 Deve ser lembrado, ainda, o Lazio apenínico a leste e a sul de Roma, com suas vilas no alto dos montes, umas pobres e ainda hoje isoladas, outras ricas de suntuosos parques e mansões, como em Tivoli, a monumental Villa D’Este - erguida na segunda metade do séc. XV por vontade do cardeal Ippolito II d’Este - e Villa Adriana, magnífico complexo arquitetônico construído a mando do imperador Adriano, segundo uma simbologia hermética até hoje pouco decifrada; e ainda, ao sul, Frascati. 
Outra paisagem característica é a das rasas planícies saneadas, como dito, pelo fascismo, no extremo sul da região (Agro Pontino), onde ainda sobrevivem alguns dos originários pântanos costeiros.Cortando pela metade a região, do norte para o sul, passando por Roma, corre o mitológico rio Tibre, de curso amplo, lento e sinuoso, por séculos insalubre mas, apesar disso, sempre aproveitado como principal eixo de penetração para o interior, com seus numerosos atracadouros servindo aos povoados nas colinas (como Gallese). 
 
Ao longo da orla do mar Tirreno, ao contrário, por causa dos baixios costeiros, sempre escassearam os bons portos: assim, além de Óstia (o porto da antiga Roma, hoje aterrado a vinte quilômetros do mar), há só Civitavecchia, ao norte, e Gaeta, ao sul; enquanto as restantes melhorias costeiras são recentes e com fins predominantemente turísticos.

Finalmente, há duas partes do Lazio que sempre estiveram ligadas à Itália meridional e ao Reino das Duas Sicílias: a área montanhosa de Rieti, a nordeste de Roma, ligada à confinante região dos Abruzzi (tanto a ser chamada de “Abruzzo ultra”), de que ressente claramente a influência; e o Lazio meridional, uma área de baixos montes ao sul do eixo Sora- Terracina, definível como “lazio campano” por causa da planta das cidades e do estilo da arquitetura, e por ter sido por séculos parte da Terra di Lavoro do Reino de Nápoles.Dos Etruscos, que privilegiaram a crença na vida após a morte, chegaram até nós numerosas necrópoles de varia da configuração, como em Tarquinia, Cerveteri e Norchia, enquanto, como dito, nada sobrou de suas cidades; e também raros são os restos de outras ocupações pré-romanas. Os Romanos, ao contrário, influíram fortemente na região, desenvolvendo a capital e as áreas limítrofas, abrindo um leque de artérias de comunicação saindo de Roma - as vias Áppia, Aurélia, Cássia, Flamínia, Salária, Tiburtina, Tuscolana.. -, e povoando os centros preexistentes. Fora de Roma, porém, seus marcos hoje sobrevivem só em algumas cidades ao longo da via Áppia, para o sul, como Terracina e Fondi, e em alguns edifícíos.Ainda mais rica é a história urbanística medieval que, diferentemente da antiga, espalha-se em um sem número de exemplos, até menores ou mínimos, representando um período único da história da Itália. Assim, vários centros redescobriram as antigas acrópoles pré-romanas - delas fazendo o núcleo da expansão urbana - e, às vezes, também as ciclópicas muralhas: como em Anagni, Ferentino, Alatri, Segni, Veroli, todos a sudeste de Roma. 

No Lazio, são também incontáveis os castelos, erguidos para defesa de cada feudo em uma região só nominalmente unitária, sendo que a cada castelo ligava-se um burgo: em Bracciano como em Soriano, em Bomarzo como em Bolsena, em Rocca Sinibalda como em Palombara Sabina e Fumone.Outros exemplos de povoados medievais são: Sermoneta, com sua famosa abadia, Ninfa, Sperlonga, Gaeta e Formia.
Na Renascença, ao contrário, escassearam as iniciativas urbanísticas, exceto em casos especialíssimos. Neste sentido, devem ser lembradas a nova Óstia e a ampliação das muralhas de Nettuno, ambas por razões de defesa da costa e, portanto, para maior proteção a Roma.Uma história à parte têm a cidade e a província de Viterbo, no norte do Lazio, graças à presença do ducado autônomo de Castro, surgido em 1535 sob o papa Paolo III Farnese, e que durou por mais de um século, até 1649. Nele, os Farnese chamaram para trabalhar dois arquitetosde renome, Sangallo o Jovem e Vignola, que deixaram em muitos refazimentos e ampliações a marca do seu estilo maneirista. Se Castro caiu, e foi mandada destruir por Innocenzo X, as grandes obras continuaram nas vizinhas Caprarola, Ronciglione, Soriano, e no novo burgo e jardins de Bomarzo, com suas grotescas esculturas em pedra. Além do que, palazios, castelos e fontes dos mesmos arquitetos adornam todos os centros da redondeza. 

Outro caso à parte é o de Tuscânia, que no Quinhentos adquiriu um perfil renascentista, mas que ficou muito menor do original centro medieval, tanto que foram abandonados inteiros bairros da época já inclusos nas muralhas, como atestado pelas ruínas ao redor da igreja de S. Pedro.Entretanto, entre 1585 e 1590, Sisto V realizou em Roma, em poucos anos de pontificado, um extraordinário plano urbanístico, abrindo estradas retilíneas entre as principais basílicas, em cujas extremidades mandou colocar obeliscos a fim de ressaltar a perspectiva.Contemporaneamente, ocorreu a primeira grande sistematização das praças, como piazza Farnese e o Campidoglio, esta obra de Michelangelo. A época das principais intervenções urbanísticas foi todavia o Barroco, quando em Roma se realizaram os mais representativos projetos da história da arquitetura: de piazza San Pietro a piazza Navona, de piazza di Spagna a piazza del Popolo, a Roma monumental que conhecemos e que a todos encanta.Falar de Roma é falar do mundo antigo, da sua cultura e da sua história como um todo, sendo que a cidade é justamente considerada o berço da civilização ocidental.Para fazer isso, ainda que de maneira incompleta e sumária, não bastaria uma enciclopédia inteira; portanto resolvemos deixar falar as lindas imagens que seguem que, melhor que qualquer palavra, podem dar uma idéia da grandiosidade, da civilização e da arte alcançada pelo maior império ocidental que o mundo já viu e que durou mais de 1.200 anos (753 a.C. - 475 d.C.).

A “Cidade Eterna”, com os seus monumentos antigos e mesmo com as suas ruínas, se apresenta ainda hoje com sua majestosidade e sua imponência intactas, incutindo um sentimento de reverência a quem a visita, como se o tempo tivesse parado para sempre, no meio daquelas pedras e daqueles mármores que vivenciaram - testemunhas silenciosas através dos séculos - a esperança e a ilusão do maior sonho da humanidade: alcançar a eternidade!Não se pode deixar de sentir um nó na garganta e um sentimento de profunda humildade, diante daquelas pedras que viram a gloria dos imperadores, que ouviram os pensamentos dos grandes filósofos, que testemunharam o inebriamento da conquista e da expansão sem fim, que vivenciaram os fastos e a riqueza de uma cidade que já nasceu com o intento de se tornar eterna.

Pedras e mármores que porém assistiram também aos incêndios, às epidemias, ao assassinado de Julio César, às traições, aos jogos sujos ditados pela febre do poder, às loucuras de Nero e de Calígola, às matanças dos primeiros cristãos, à escravidão, à decadência dos valores que a fizeram grande, até à chegada das hordas bárbaras e ao seu inevitável fim, que desdobrou o véu piedoso do descanso sobre este sonho impossível que, desafiando o mundo e os deuses, por um tempo tornou-se realidade!
Conhecer Roma é, no fundo, descobrir a si mesmo, pois boa parte do que nos hoje somos, no bem e no mal, teve aqui sua origem.E no mesmo tempo é a demonstração tangível que mesmo o sonho mais grandioso e impossível, às vezes se torna realidade!
imagens/google

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