segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dilma, Erenice e afinidades que vão além de pingentes e brincos

Chega a ser divertido notar o esforço de alguns coleguinhas para tentar distinguir Dilma Rousseff de Erenice Guerra e até mesmo para tentar divisar algumas supostas diferenças de estilo entre o presidente e a sua criatura eleitoral. Ela seria mais resoluta e determinada do que ele, menos tendente a passar a mão na cabeça dos faltosos. A demissão de Erenice na quinta, à esteira de uma crise iniciada no sábado, quando VEJA começou a chegar aos leitores, seria uma evidência disso. O que dizer a respeito? Trata-se, não necessariamente nesta ordem, de: 

a) besteira: para que fosse assim, Dilma teria de ter existência autônoma; por enquanto, não tem; 
b) mistificação: para que fosse assim, seria necessário haver alguma tensão ou contradição entre Lula e Dilma e entre Dilma e Erenice; isso é falso; 
c) lobby de marqueteiro: tenta-se criar a imagem de uma Dilma independente, com poder sobre seu próprio destino. Nesse particular, estou com José Dirceu e não abro: Lula pode ser maior do que o PT, mas Dilma é menor do que o partido. Pode até ser eleita com os votos do Babalorixá, mas será governada pelo PT e assediada pelos bárbaros do PMDB.

A pergunta é óbvia: se Erenice conseguiu se mexer com tanta desenvoltura sem que Dilma soubesse, com a Casa Civil servindo para abrigar lobistas, o que devemos esperar da petista se eleita presidente? Como diria Gregório de Mattos, “não sabe governar sua cozinha e quer governar o mundo inteiro”? Sob a sua gestão, o ministério parece ter virado uma lojinha. Só que os produtos que se vendiam ali eram bem mais caros do que bugigangas de R$ 1,99 importadas do Panamá (!?), para lembrar a malsucedida experiência da candidata no setor privado. Essa gente gosta mesmo é de coisa pública. A Dinastia dos Eus, então, adora!

Erenice é petista faz tempo. Grandeza, no entanto, ela só encontrou com Dilma Rousseff, de quem é uma invenção. São parceiras em tudo. Não há saia-justa pela qual a chefa tenha passado que a sua, vamos brincar um pouco, “Leporella” não estivesse pronta a coonestar. Foi assim no dossiê contra FHC, na tumultuada venda na Varig, no convite a Lina Vieira para um papinho, no PNBL (Plano Nacional de Bandalheira Larga)…  Será que Erenice ganhou autonomia só agora, quando a barra pesou? Então Dilma não tem nada com isso? Ah, tem. Num outro post, digo por quê.

Truculência
Lula lidera o governo institucionalmente mais truculento desde o fim do regime militar. Nenhum outro, por exemplo, atacou a oposição nos termos em que ele o faz. Um petista poderia responder: “Mas quem, antes, neste pais, teve 78% de aprovação?” Então a popularidade do demiurgo serve para que transgrida leis, Constituição, regras, decoro, em vez de ser a expressão do triunfo da democracia? Nem mesmo Collor, chegado a faniquitos, ousou ir tão longe. E o PT age assim porque, em muitos aspectos, continua a ser aquele mesmo que já foi oposição um dia, quando votou contra RIGOROSAMENTE TODAS AS PROPOSTAS QUE CONSTITUEM OS FUNDAMENTOS DA ESTABILIDADE BRASILEIRA.

E a truculência daquele partido de oposição se manteve depois que ele chegou ao poder. Não respeita o trabalho de FHC, que o precedeu. Passou oito anos atacando-o de forma vil. E Dilma segue seus passos no horário eleitoral, nos debates, nas entrevistas. As mentiras contadas são pavorosas. Não se trata de exposição da divergência. Não! O outro tem de ser aniquilado. Truculenta foi também a resposta dada às evidências de invasão ilegal de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB e de familiares do presidenciável tucano, José Serra. A escolha petista foi a mais sórdida possível: culpar a vítima. Por incrível que pareça, alguns setores até então respeitáveis do jornalismo acabaram aderindo a essa delinqüência. Parecia que Serra havia estimulado os petistas a rasgar a Constituição para que pudesse criticá-los depois.

Assistimos a um show diário de brutalidade, arrogância e falta de educação cívica: as evidências eram tratadas como “factóide”, “agenda do meu adversário”, “coisas de caluniadores”. Qual a certeza? “A população não consegue entender nada disso, e as pesquisas continuam na mesma”. O auge da ação truculenta foi a ida de Lula à TV, com o brochinho que usa na lapela em solenidades e em pronunciamentos oficiais, para afirmar que Serra era o “candidato da turma do contra”, aquele “que torce o nariz para tudo”. Ainda ontem, numa daquelas inserções curtas, repetiu a primeira expressão.

Sábado, com a reportagem da VEJA já nas ruas relatando coisas cabeludas  — e documentadas —, a reação não foi diferente, culminando com aquela nota bucéfala de Erenice Guerra. Depois o Planalto tentou tirar a corpo fora: ela teria feito aquilo sozinha, como se fosse possível… Dilma reiterou a sua confiança na colega. E, de novo, veio a conversa mole: tudo não passaria de uma movimentação de adversários para tentar interferir nas eleições… Aí veio a reportagem da Folha…

Mudou o tom
Na quinta, o tom mudou. O Lula rancoroso do horário eleitoral concedeu uma entrevista afirmando que aquele que comete erro tem de responder e tal. Dilma, no estilo condoreiro-indignado, quis saber se não existe mais presunção de inocência no Brasil, uma “conquista da civilização”. E afirmou que Erenice fez muito bem em se afastar para que a investigação possa ser isenta — a Receita nos mostra com que isenção as coisas estão sendo conduzidas.

O que terá determinado a mudança de comportamento? Em primeiro lugar, o fato de que se trata de um assunto “mais compreensível para as massas” do que invasão de sigilo; em segundo lugar, a existência de farta documentação evidenciando que o tal Israel andou se metendo onde não devia — além de Mamãe Gansa ter-se encontrado com seus clientes. Em terceiro lugar, a constatação de que há setores da imprensa ainda não moralmente corrompidos para os quais urna, afinal de contas, não é tribunal de absolvição de malfeitores.

Dilma pode até tentar se descolar de Erenice, mas Erenice não vai descolar de Dilma. As duas construíram juntas um método. E dividem bem mais do que o gosto por pingentes e brincos. E compartilham da moral petista. No PT, a comunhão vai da moral aos adereços.
Atenção,leitores! “Todas” quer dizer “todas”.

Fonte: Veja - Blog Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-erenice-e-afinidades-que-vao-alem-de-pingentes-e-brincos/


jornalvarginhahoje

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