terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hitler e Mussolini

A 10 de março, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, von Ribbentrop, chegou a Roma em missão diplomática de exploração. Além das conversações com o rei e Mussolini, fez uma visita ao Vaticano, no desejo de suavizar as relações tensas entre o Papado e o Reich. Aí, foi friamente correta a recepção de que o fizeram alvo. O Papa tinha estado durante algum tempo gravemente ressentido com a cruel brutalidade do tratamento alemão aos poloneses derrotados, e ele deixou claro, como o fizera no programa de paz de cinco ítens apresentado no Natal, que a reparação de tais injustiças era, a seu modo de ver, condição essencial à paz.

Parecia certo que von Ribbentrop falhara em quaisquer tentativas que pudesse ter feito para obter o apoio do Pontífice em favor de uma cruzada de paz. Suas conversações com os líderes italianos, embora possivelmente mais cordiais, não pareciam ter conseguido nenhum resultado mais tangível. Um acordo sobre os fornecimentos de carvão alemão sugeriu que a influência de von Ribbentrop tinha sido utilizada para apoiar as negociações comerciais que o dr. Clodius estava na ocasião realizando em Roma. Mas embora o comunicado final dissesse que as conversações haviam sido levadas a efeito dentro do espírito e da estrutura do pacto de aliança e dos acordos existentes entre a Itália e a Alemanha, não pareceu que se tivesse concordado sobre qualquer medida positiva. Foi significativo o fato de nem bem havia von Ribbentrop cruzado os Alpes, ter sido anunciado oficialmente que as novas fortificações italianas cobriam as fronteiras tanto da Alemanha como da França - declaração essa saudada com entusiásticos aplausos pela Câmara italiana.

Nessa situação, Hitler se decidiu a tratar ele próprio do problema. Numa declaração de surpresa a 17 de março, foi revelado que os dois ditadores tinham combinado um encontro para o dia seguinte na fronteira italiana.

O encontro de Brennero de 18 de março foi oficialmente descrito como um "colóquio cordial". Além desta, nenhuma informação positiva foi concedida. Mas embora quaisquer conclusões fossem, portanto, algo especulativas, era ainda possível divisar entre essas várias atividades diplomáticas os contornos da política que a Alemanha tinha em mente.

O primeiro elemento nessa política era o desejo de se impedir que as hostilidades se estendessem. Fossem quais fossem os planos militares da Alemanha, ela parecia inclinada a confinar a guerra ao ocidente e a impedir a criação de uma nova frente na qual os aliados pudessem atacar. Isto envolvia a manutenção da neutralidade balcânica - uma área resistente que guardaria as portas de fundo da Alemanha. Para plena segurança, era desejável que a influência política predominante nos Bálcãs fosse a da Alemanha e seus amigos. Isto aplanaria o caminho ao incremento da influência econômica que traria os Estados balcânicos de modo efetivo sob dominação alemã e permitiria a plena exploração de seus recursos agrícolas e outros. A criação de um forte bloco econômico nessa região, firmemente ligado à Alemanha, pelas relações comerciais, representaria longo caminho percorrido em favor da frustração do bloqueio aliado; e se o xeque-mate resultante não convencesse os aliados da desesperança em continuar a luta, poderia aplainar o caminho para um golpe esmagador e possivelmente decisivo da Alemanha no ocidente.

Um plano desta ordem, entretanto, requereria a cooperação tanto da Rússia como da Itália com a Alemanha. A concorrência dessas três potências pela influência nos Bálcãs, e os receios que ela provocou, tornaram possível à Turquia e aos aliados manter viva a sua influência naquela região. Uma frente comum, por outro lado, poderia estabelecer tal pressão sobre os Bálcãs que eles não teriam outra escolha a fazer, senão a de aceitar o domínio e de adaptar as respectivas políticas para servir as necessidades bélicas da Alemanha.

Esse era o ponto crítico de todo o plano, e, sob quaisquer aparências, constituía um obstáculo que não era fácil de transpor. A hostilidade italiana ao bolchevismo, que aumentou rapidamente depois do tratado germano-soviético de agosto, tinha-se inflamado com o rebentar da guerra finlandesa. A possibilidade de um avanço russo nos Bálcãs fez com que a Itália encarasse a Rússia como a inimiga mais imediata. A Alemanha parecia esperar que o fim da guerra finlandesa diminuísse essa hostilidade, e que a garantia de que a Rússia estava pronta para proteger as fronteiras romenas e turca aquietaria o temor italiano. Mas a Itália mostrava-se céptica; e a anunciada alegação de Ciano a Ribbentrop de que a Itália não tinha intenção alguma de mudar sua política era relativa tanto à sua atitude para com a Rússia como à sua manutenção da neutralidade.
 
 
 

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