terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Rússia e o Eixo

A Rússia, por sua vez, parecia igualmente fria relativamente a idéia de uma cooperação mais estreita. Embora Berlim persistentemente informasse que o premier Molotov estava para visitar a capital alemã, não havia quaisquer indício de que tal se realizasse. Ao invés, a conclusão da paz com a Finlândia parecia ter sido aproveitada como oportunidade para a volta a uma atitude de vigilante e defensiva neutralidade.

A guerra finlandesa, de fato, já influenciara de modo importante as relações da Rússia com a Turquia e os Bálcãs. Os reveses iniciais das tropas russas tinham encorajado esses países, e particularmente a Romênia, a tomar uma atitude mais audaz em relação à perspectiva de ataques russos. Havia, mesmo, surgido na Turquia indícios de uma crescente hostilidade, que, juntamente com os preparativos militares dos aliados, tinham despertado certa preocupação da Rússia pela segurança de sua fronteira no Cáucaso. Essa sensação chegou ao clímax na parte final de fevereiro, quando uma retirada de peritos russos da Turquia foi seguida de informes sobre choques de fronteira e a declaração pela Turquia do estado de emergência. Mas isto desfez-se quando a Rússia deu garantias de que não tinha em mira qualquer ataque, e ambos os países concordaram em retirar suas tropas da fronteira, com a finalidade de evitar novos encontros. Pelos meados de março, essa mesma atitude conciliatória foi mostrada com o desejo de se dar à Romênia garantias contra ataques; e se a Romênia ainda não sentisse confiança bastante nas promessas da Rússia de reduzir suas preocupações militares, ao menos estas contribuíram para a diminuição das possibilidades de quaisquer hostilidades imediatas.

A atitude da Rússia foi resumida pelo premier Molotov num discurso perante o Soviete Supremo a 29 de março. Reiterando sua promessa de não reaver a Bessarábia da Romênia pela força, e relembrando a existência de pactos de não-agressão com a Turquia e o Irã, expressou ele suspeitas em torno dos preparativos dos aliados no Oriente Próximo e advertiu-os de que estavam brincando com fogo. Seu tom foi saturado de hostilidade clara aos aliados - hostilidade aumentada pela ação francesa de exigir o regresso do embaixador soviético depois de seu telegrama demasiado antidiplomático sobre a conclusão da paz finlandesa. Foi tornado abundantemente claro por essas passagens, como também pelas referências de Molotov à América, que a Rússia continuava a não sentir amizade às potências ocidentais.

Os aliados, contudo, acharam que um certo conforto podia ser extraído da carência de qualquer cordialidade fora do comum nas referências de Molotov ao Eixo. A julgar por esse discurso, a relutância da Itália em entrar em relações amigáveis com a Rússia parecia ser retribuída por Moscou. Houve um relancear à atitude da Itália em relação à guerra finlandesa, e uma referência cheia de ressentimento aos embarques italianos de aviões para os finlandeses. Quanto à Alemanha, a linguagem de Molotov podia ser simpática. Estabeleceu ele contraste entre os vínculos amigáveis de Moscou e Berlim com "a política hostil dos imperialistas em relação a um Estado socialista", e predisse outras conseqüências nas relações econômicas entre os dois países. Mas essas referências, embora sem dúvida cordiais, dificilmente chegaram à altura do entusiasmo; e a acompanhá-las havia a clara indicação de que a Rússia não tinha a menor intenção de transformar essas relações amigáveis numa aliança militar. "A União Soviética", disse Molotov, "nunca foi nem será instrumento da política de outrem. Somos pela neutralidade e não participaremos da guerra entre as Grandes Potências."

Assim, embora os aliados nada esperassem, no momento, da Itália e da Rússia, viam ao menos a perspectiva de que nenhum desses dois neutros teria pressa em lançar seu peso para o lado da Alemanha. Havia ainda para a Grã-Bretanha e a França a possibilidade de exercer pressão sobre eles por meio de apelos, se não à sua mais alta emotividade, ao menos à sua cupidez ou receios. E, enquanto tentassem por meios diplomáticos diminuir a hostilidade que essas potências continuavam a exibir, os aliados podiam contar em seu ativo com a constante amizade continuada dos Estados Unidos.
 
 
 

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