terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A situação do Canadá

ilustração
O contraste foi evidenciado pela situação do Canadá no continente americano. A proclamação de 10 de setembro, pela autoridade do Parlamento do Canadá, de um estado de guerra com a Alemanha, colocou o Domínio, sem reservas, na relação dos beligerantes. Contudo, nenhuma outra nação americana - apesar das observações alarmistas do coronel Lindbergh achou que com esse passo a ameaça da guerra tinha sido trazida para mais perto de suas portas. No continente europeu, se a Holanda fosse invadida, a Bélgica dificilmente poderia esperar permanecer à margem; se a Romênia entrasse na guerra, a posição de neutralidade de todos os outros Estados balcânicos estaria conseqüentemente periclitante. E o risco de que esses Estados fossem envolvidos era aumentado pelo fato de estarem eles ocupando uma posição estratégica que poderia ser de primeira importância a uma ou outra das nações em guerra. Mas não era provável que o Canadá se tornasse o foco de tais considerações estratégicas; nem também, no referente à frente ocidental, seria a sua participação na guerra capaz de provocar uma invasão ameaçadora da segurança de qualquer outro Estado americano.

Isto não quis dizer que o seu valor estratégico, à parte outros fatores, fosse de qualquer modo desprezível. Sem contar a possível importância de sua posição no Pacífico, possuía ele em Halifax uma base naval que era a chave do Atlântico norte. Desse porto, completado com bases nas Índias Ocidentais Britânicas, divisões navais poderiam operar no trabalho de comboios e na busca de submarinos e corsários inimigos. Em teoria, tal coisa traria a possibilidade de operações bélicas inquietadoramente perto do hemisfério americano. Mas na prática pouco mais fazia do que fornecer certas facilidades valiosas àquele controle marítimo que as armadas britânica e francesa de qualquer maneira teriam que procurar impor nas áreas em que fossem encontrados navios mercantes ou de guerra beligerantes.

As atividades do Canadá mesmo podiam, portanto, ser olhadas sem perturbação séria pelos seus vizinhos do continente. Nem o aumento de suas forças militares, nem a criação de sua parte de indústrias de guerra ameaçavam-nos com embaraços. Sem dúvida, os planos de utilização dos recursos industriais do Canadá para a manufatura extensiva de munições poderiam, afinal, reduzir em algo a dependência em que os aliados se encontravam dos Estados Unidos. Mas, entrementes, o esquema de treinamento aéreo, que visava a produção de 15.000 pilotos treinados anualmente, provavelmente exigiria a utilização em larga escala do equipamento americano; e o uso dos recursos financeiros do Canadá para a causa aliada dificilmente poderia provocar qualquer sério ressentimento da parte dos países a que as compras aliadas iriam ser feitas.
 
 
 

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