sábado, 15 de maio de 2010

Os refletores acústicos de Denge






Na região de Denge, no condado de Kent, em Inglaterra, a paisagem litoral é povoada por estranhas construções em betão armado de aspecto simultaneamente decadente e futurista. A explicação é simples. O local albergou no início do século passado uma base da RAF onde foram feitas as primeiras experiências de detecção aérea e as estranhas construções eram, afinal, colossais reflectores acústicos, hoje abandonados.

Tudo começou cerca de 1915 quando a Royal Air Force decidiu criar um sistema de defesa que detectasse a aproximação aérea ao território inglês. Para isso, projectou uma imensa rede de postos de escuta colocados ao longo da linha litoral fronteira ao Canal da Mancha que teriam como missão "ouvir" possíveis ruídos provenientes de motores de aviões. Cada posto foi concebido como uma megaestrutura de betão armado composto por dois reflectores de forma parabólica virados para o mar que direccionariam o som para microfones situados no ponto focal, no fundo o mesmo princípio das actuais antenas parabólicas.
O sistema é impressionante e revela uma grande capacidade visionária, sobretudo se tivermos em conta que a aeronáutica, a acústica e até o próprio betão armado eram, nesta época, tecnologias emergentes. E não se julgue que não era eficaz - porque era.


Ao longo de uma década vários destes postos foram sendo edificados ao longo da costa inglesa até que em 1930 o sistema foi melhorado. Um novo tipo de reflector surgiu então, maior, mais abrangente e mais preciso: uma parede hemisférica de 60 metros de comprimento por 10 metros de altura. As capacidades de detecção desta nova infraestrutura eram espantosas. Um indivíduo situado no ponto focal era capaz de ouvir o som de um motor de avião a 10 Km e, com o auxílio de microfones e amplificação, o alcance subia para mais de 32 Km!
O plano original previa a construção de reflectores deste tipo de 40 em 40 Km ao longo da linha costeira, intercalados por reflectores parabólicos mais pequenos. Porém, em meados dos anos 30', a invenção do radar e a velocidade dos aviões tornou o sistema rapidamente obsoleto. Os militares abandonaram então a ideia mas deixaram intactos os postos já construídos até à data. O complexo de Denge é um dos mais bem conservados na actualidade e inclui três reflectores, dois parabólicos, com um raio de 6 metros e 9 metros cada um, e a colossal muralha de 60 metros.



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Inclusão Digital: NEPAD começa a ter sucesso em África

NEPAD, a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África, foi criada em 2001 para produzir um quadro Africano, dirigido por africanos, para o desenvolvimento social e econômico do continente. A história de sucesso mais recente é a NEPAD TIC Infra-estrutura da Rede de Banda Larga, que oferece conexões à Internet de banda larga em todo o continente, eliminando o fosso digital e providenciando aos africanos a igualdade de oportunidades.
Os dias em que o fado de um ser humano foi decidido pelo acidente do local de nascimento, felizmente são numerados. Em vias de extinção também, é o mundo em que as pessoas eram rotuladas de acordo com qual lado de uma linha invisível nasceram, uma linha que determina se iriam ser ricos ou os pobres, ou se eles tinham acesso a direitos básicos como a liberdade de circulação, educação ou saúde.

NEPAD tem sido fundamental no fornecimento de quadros de pessoal africanos, trabalhando para os africanos, classificando e resolvendo os problemas de África sem a interferência das potências ex-coloniais que criaram os problemas do continente por desmembramento de territórios, divisão das sociedades e o hábito de traçar linhas em mapas. Fornecendo soluções em diversas áreas, incluindo Desenvolvimento de Género, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento de Recursos Humanos em Educação e Saúde, Governação e Capacitação, Infra-estrutura, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar, Comércio e Acesso a Mercados, a mais recente história de sucesso da NEPAD é na área de acesso à Internet de banda larga.
Numa altura em que uma criança que não tem acesso à Internet vive em desvantagem, a Rede tem como principal objectivo a meta de conectar todos os países africanos entre si e ligados aos outros continentes através de sistemas de cabos existentes e previstas.
De acordo com NEPAD, "O objetivo principal do programa é integrar o continente, para que as trocas comerciais, sociais e culturais sejam mais fáceis e mais baratas". Esta será implementada através de cabos submarinos (Uhurunet) e terrestres (Umojanet).
Haverá três principais vantagens desta nova rede. Em primeiro lugar, irá reduzir o fosso digital, permitindo que as comunidades digitais isoladas possam comunicar via Internet; em segundo lugar, irá fornecer uma plataforma mais barata e mais acessível para as comunicações regionais e internacionais, abrindo as comunidades da África ao resto do mundo e oferecendo oportunidades; em terceiro lugar , a conectividade regional e internacional terá maior fiabilidade e qualidade.
Até hoje, o consórcio ACE e a NEPAD ligaram a África Ocidental para a Europa através da rede de cabo submarino Uhurunet, a primeira etapa de um projeto Pan-Africano, um processo que deve ser prosseguida nos órgãos da Comissão e-Africa da governação no Senegal a partir de 7-9 de Junho.
Depois que o continente africano sofreu tão profundamente ao longo de tanto tempo, vivendo com cicatrizes causadas por estranhos criando uma via de canais para a saída de seus recursos para mãos estrangeiras, é o dever da comunidade internacional facilitar o desenvolvimento de África e dar aos seus filhos uma oportunidade igual . É altura que a noção de que as hipóteses de um ser humano possam ser moldadas através do lugar onde ele(a) nasceu, deixe de existir de imediato.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru
Fonte: Pravda.ru

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O maior desastre ecológico – e um aviso

O dia 20 de Abril de 2010 decerto marcará o maior desastre ecológico de todos os tempos, quando a plataforma de extraçao de petróleo Deepwater Horizon, da empresa BP, explodiu no Golfo do México, matando 11 trabalhadores, e ferindo 17.
A plataforma de águas profundas operava a 1.500 metros baixo do nível do mar, cerca de três vezes menos que a profundidade do nosso pré-sal, e a apenas 60 quilômetros da costa do Estado de Louisianna.
A Guarda Nacional do Estados Unidos estima o vazamento em 5.000 barris (159 litros) diários de petróleo, embora vozes discordantes, baseadas no vídeo do local, divulgado somente em 13 de maio, ceriam queb possa ser até 12 vezes maior.

A enorme mancha de óleo segue na direção do Delta do Rio Mississippi, e pequenas quantidades de óleo haviam alcançado a costa dos Estados de Louisiana, Alabama e Mississippi em 3 de maio.
Imagens de satélite permitem avaliar com precisão a extensão da calamidade. O satélite ASTER, da Nasa, captou imagens noturnas do crescente derramamento, em 7 de maio. Suas fotografias térmicas cobrem uma área medindo 60 por 240 quilômetros, a maior parte sobre o Golfo do México.
Uma nova foto de satélite da NASA mostra a extensão da crescente mancha de óleo no Golfo; a imagem do ASTER cobre uma área medindo 79,1 por 103,9 quilômetros, a cerca de 32 quilômetros do Delta do Mississippi.
Helicópteros da Guarda Nacional dos Estados Unidos jogam sacos de areia sobre uma praia a oeste da Grand Isle, Louisiana, numa tentativa de proteger os delicados pantanais da mancha de petróleo que se aproxima.
Há 13 mil funcionários da BP, governo e outras empresas envolvidos nos trabalhos de contenção e nas tentativas de fazer cessar o vazamento. Desde o começo da resposta ao incidente, 120 voos para despejar dispersantes foram realizados até agora, e 97 mil barris, segundo a BP, foram recuperados. Apenas dois dias após o acidente, a empresa dizia havermais de 530 embarcações nas operações, e aviões Hércules c-130 despejando dispersantes sobre as áreas atingidas.
O comprimento total de bóias de barreira jogadas ao mar para tentar impedir o óleo de chegar à costa é, até agora, de 1,2 milhão de pés, mais 400.000 pés de reserva para uso imediato.
O custo das operações,até 13 maio, atingiu US $450 milhões, e dado o tempo estimado para a resolução do problema – até 80 dias -, irá muito além dessa cifra, especialmente contado-se os danos ambientais.
Imagine-se o pré-sal, aqui, em profundidade muito maior, a 300 km da costa, e o custo de um eventual acidente semelhante.Aí, cabe a pergunta, na hora de pôr a mão no bolso: os royalties servem para compensar as perdas, mas os Estados iriam arcar com as inestimáveis despesas? Seria muito prudente o governo criar um substancioso fundo de contingência para uma eventualidade semelhante .

Na verdade, a tamanha distância da costa, não se pode falar em Estados, mas em águas territoriais brasileiras, e ponto.
Luiz Leitão é jornalista Drt 57952/SP luizmleitao@gmail.com
Fonte: Pravda.ru

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Aeolus, o som do vento


Aeolus, na mitologia grega, o Senhor dos Ventos, foi o nome escolhido por Luke Jerram para um projecto que une arquitectura, som e imagem. O designer britânico, criador de várias esculturas e instalações, recebeu recentemente fundos para projectar e construir um espaço arquitectural que ressoará e, no fundo, cantará ao vento.
Com o apoio dos departamentos de Engenharia Acústica da Universidade de Southampton (UK) e da Universidade de Salford (UK), Aeolus é uma pesquisa no campo da acústica, vento, luz e arquitectura. Destes factores nasceu um conceito inspirado nas torres de vento de Yadz, no Irão, usadas desde tempos antigos para captar ar fresco e refrigerar os edifícios.
Conjugando a tecnologia que permite o fluxo de ar no interior destas, com outro elemento ancestral, harpas eólias que ressoarão com o vento, a instalação permitirá que os visitantes possam ouvir dentro do espaço uma paisagem acústica tridimensional, provocando a percepção natural do som do vento sem necessidade de recorrer a quaisquer instrumentos eléctricos ou qualquer amplificação. Mais ainda, centenas de tubos ocos deixarão passar a luz, e a própria forma semi-esférica do complexo, permitirá não só ter uma percepção melódica do exterior, mas também uma imagem fragmentada e extremamente direccionada da luz, trazendo o exterior para o interior.
A luz deixada passar pelos tubos e o som produzido pelas harpas permitirá ao público, posicionado estrategicamente no centro da estrutura, uma experiência única, podendo formar um mapa visual e auditivo, alterado dramaticamente a cada momento. Jerram espera que esta instalação única possa, assim que criada, percorrer os ventosos montes da Inglaterra, antes de ser instalada num local permanente algures no país.
Aeolus, inovador e arrojado, é um projecto que pretende alterar percepções do mundo que são normalmente naturais e objetivas, evocando o passado mas buscando novas sensações.

ASSISTA AOS VÍDEOS
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No Brasil, juiz é punido por deixar sua mulher dar até voz de prisão

No Brasil, o juiz José Francisco de Almeida Filho, da cidade de São José do Egito, no Estado de Pernambuco, foi punido com afastamento do cargo por 90 dias por permitir, segundo denúncias, que sua mulher, Maria do Socorro Mourato Almeida, que não é juíza, nem funcionária da justiça, mandasse no fórum, participando de audiências, arbitrando valores de pensão alimentícia e até dando voz de prisão às pessoas.
A decisão foi tomada pela Corregedoria do próprio Tribunal de Justiça de Pernambuco que, segundo seu presidente, desembargador José Fernandes de Lemos, declarou à imprensa não ser fato inusitado, em Pernambuco, casos como esse.
Segundo as denúncias, em Maceió, Alagoas, há quatro anos, o marido da empregada doméstica do juiz José Francisco de Almeida Filho, Hélio de Nóbrega, pediu R$ 300,00 emprestados ao magistrado para quitar uma suposta dívida.
Como Hélio de Nóbrega não pagou o empréstimo, foi intimado, duas vezes, para comparecer ao Fórum de São José do Egito, de onde saiu preso por ter alegado que não tinha o dinheiro para quitar o empréstimo feito junto ao juiz.
Segundo o oficial de Justiça Reginaldo Pereira, a ordem de prisão foi dada pela mulher do juiz, Maria do Socorro Mourato Almeida, que sequer é formada em direito ou é servidora da Justiça. Em depoimento no Tribunal de Justiça de Pernambuco, o oficial de Justiça disse a mulher do juiz, Maria do Socorro Mourato Almeida, mandou que levassem Helio de Nóbrega para a cadeia pública, o que, segundo ele, aconteceu. “Foi preciso a mãe do devedor vender a televisão de casa para, com o dinheiro apurado, efetuar o pagamento”, relatou Reginaldo Pereira.

Segundo relatos de funcionários e réus em processos, a mulher do juiz seria a responsável por uma série de decisões importantes. Maria das Graças Brito, funcionária do Fórum de São José do Egito, afirmou ser Maria do Socorro Mourato Almeida, mulher do juiz, “quem na verdade dá as ordens no fórum, marca as audiências, realiza audiências, em quaisquer feitos, interfere e intervém quando da realização de audiências presididas pelo juiz”.
Vários são as denúncias de pessoas que afirmaram ter decisões judiciais arbitradas por “Dona Socorro”. A mãe de um réu, que participou de uma audiência, disse que "A audiência foi totalmente conduzida pela esposa do magistrado... Ela ameaçou de prisão caso não pagasse a pensão alimentícia. O juiz permaneceu calado".
Rosineide Santos da Silva foi outra pessoa que denunciou a mulher do juiz José Francisco de Almeida Filho. Segundo ela, "Dona Socorro" trata as pessoas com desprezo, não deixa ninguém falar nas audiências e chega a expulsar as pessoas da sala.
O corregedor-geral do Tribunal de Justiça de Pernambuco, desembargador Bartolomeu Bueno, fez um relatório que aponta “a força de dona Socorro”. “[Ela] vem praticando atos privativos de juiz, dispensando tratamento inadequado aos jurisdicionados, notadamente em processos que envolvem direito de família, conduzindo audiências, arbitrando pensões alimentícias e ameaçando, pessoalmente, os alimentantes de prisão, em caso de não pagamento das verbas por ela arbitradas”, disse o desembargador.

O juiz se defende, afirmando que sua mulher o ajudava como uma espécie de “secretária”, mas nega a influência dela em decisões judiciais. Depois da repercussão do caso, o magistrado afirmou que quer voltar ao cargo e, para isso, está disposto a abrir mão da "auxiliar".
José Francisco de Almeida Filho nega que a mulher tenha participado de qualquer decisão no Fórum. “Jamais ela decidiu qualquer coisa. Ele me ajudava nos processos, e não cobrava nada por isso. Mas ela nunca decidiu nada por mim. Essa denúncia partiu de um advogado apenas; as testemunhas eram todas clientes dele. Isso só aconteceria se tivéssemos um Ministério Público omisso e um bando de advogados incompetentes”, alegou o juiz.
“A contribuição que minha esposa me dá aqui, na vara, é a seguinte: faço o despacho e ela passa para o computador, porque não sei usar bem. Às vezes ela separa os processos dos civis e criminais. Temos cinco funcionários no fórum e 5 mil processos, pois acumulamos as comarcas São José do Egito, Santa Terezinha e Tuparetama. Minha esposa me ajuda, mas não dando sentença”, justificou o juiz.
Sobre a prisão de Helio de Nóbrega, por dever-lhe R$300,00, o juiz disse que não acha que foi um abuso de autoridade. “Adiantei parte do salário da minha empregada e esse dinheiro seria usado para completar o pagamento de uma casa que ela queria comprar. Só que o marido dela gastou o dinheiro, creio que em jogo. Então, mandei detê-lo e ele arrumou o dinheiro na hora”, enfatizou o juiz José Francisco de Almeida Filho em uma declaração à imprensa.

ANTONIO CARLOS LACERDA
PRAVDA Ru BRASIL
pravdarubrasil@gmail.com
Fonte: Pravda.ru

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Monstruosa União Europeia

A União Europeia é a mais antidemocrática das instituições que só existe para servir aos interesses daqueles que por algum motivo não conseguiram entrar na hierarquia política nos seus próprios Estados-membros e que vivem para servir de lacaios aos interesses de um bando de intrigantes e sonhadores que vivem nas nuvens, alimentados por alguma ilusão demente de uma quimera quixotesca: uma Europa Unida.
Eu nasci fora da União Europeia, num país cujo governo teve a brilhante idéia de entrar, sem realização de um referendo. Eu mudei para outro país europeu, mas fora da União Europeia - Portugal. Novamente, o Governo deste país decidiu aderir. De repente encontrei-me com liberdade de movimento e de residência. Outra vez, ninguém me pediu a minha opinião. Ninguém me perguntou onde ou como o dinheiro dos fundos estruturais deveria ser gasto, ou se estava a ser bem aplicado, apesar de eu ver há vinte anos que estava a ser pessimamente empregue.
O economista Michael Porter E.U. foi convidado a escrever um relatório, que foi recebido com um sorriso de escárnio pelo Governo do então primeiro-ministro Aníbal Silva (actual Presidente de Portugal), o homem que alegou humildemente que raramente se engana e costuma ter razão, o homem por cujas mãos passaram milhares de milhões de Euros.
Para quê? O resultado imediato foi uma política de obras públicas que tem continuado ininterruptamente em Portugal desde meados da década de 1980, sem produzir qualquer resultado tangível do que indicadores sócio-económicos que se tornam cada vez mais deprimentes enquanto países como Chipre e Malta sobem na tabela e Portugal s e afunda cada vez mais.
É irônico que, hoje, um grupo de ex-ministros das Finanças de Portugal visite o presidente Silva, quando foi justamente ele que foi o pai do gasto público maciço em Portugal.

Ninguém me perguntou se eu queria Maastricht, ninguém me perguntou se eu queria Nice, ninguém me perguntou se eu queria que o Tratado de Lisboa. Ninguém me perguntou se eu queria aderir ao Euro e prontamente ver os preços a triplicar enquanto os salários permaneceram os mesmos.
Ninguém me disse em nenhum manifesto político que aqueles que realmente controlam a minha pensão de reforma, o meu nível de vida, os que realmente controlam os impostos que eu pago no final do dia são anónimos que eu nunca elegi, trabalhando em alguma agência de rating do outro lado do oceano Atlântico chamado Moody's ou Standard and Poors ou Fitch.

Eles são aqueles que de forma unilateral e antidemocrático anexam taxas de crédito para a dívida da Grécia, Rep. Irlanda, Itália, Portugal ou Espanha (GRIPE não demonstra mais respeito do que PIGS (porcos)?) E esta notação de crédito tem um efeito directo sobre os cupões (juros) ligados às obrigações ou dívida nacional, tanto na data de vencimento (quando o prazo para o rembolso expira) e também sobre a capacidade de vender novos títulos (que afeta o rendimento).
Ninguém me perguntou se eu queria que esse regime ridículo, ninguém me disse que o sistema financeiro que está sendo criado era insustentável e sujeito a ataques especulativos. Nem um único governo ou instituição europeia me protege apesar de eu ter passado décadas cumprindo cada e todo o pré-requisito que tenha sido colocado pelas autoridades no país onde eu escolhi viver, como foi meu direito.

Agora que eu estou perto da idade para me reformar, por causa da estranha e maravilhosa anti-democrática União Europeia e os seus iluminados eurocratas, eu nem sei se vou ter uma pensão. Só sei que apesar de ter trabalhado mais do que qualquer pessoa que eu conheço, com certeza o cálculo vai ser bastante mais pesado contra mim. Depois de uma vida inteira de sacrifícios, e de ter cumprido a letra de todas as exigências que foram feitas cada vez que sucessivos governos pediram mais sacrifícios aos portugueses, nem sei se vou receber o meu subsídio de férias ou meu subsídio de Natal. Sei, sim, que o Primeiro Ministro José Sousa está pensando em aumentar o IVA e incrementar os impostos.
Se esta é a União Europeia, então eu acredito que está na hora de mudar de rumo pela terceira vez, saindo fora dela e nunca mais voltar, mesmo que isso envolve a perda de todos os meus direitos acumulados. Porque ao fim e ao cabo, vivendo em Portugal e na União Europeia, quase não tenho direitos nenhuns.

John WHITEHOUSE
PRAVDA.Ru
Fonte: Pravda.ru

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Palestra: "Imprensa italiana em Terra Estrangeira (Belo Horizonte 1900-1920)


Novos Registros apresenta a história da imprensa italiana em Belo Horizonte.



A atuação da imprensa italiana em Belo Horizonte no início do século XX é o tema da palestra do Projeto Novos Registros – Banco de Teses sobre BH, que acontece na próxima terça-feira, dia 18, às 19h, com entrada gratuita, no Centro de Cultura Belo Horizonte (Rua da Bahia, 1.149, Centro).
A prof.ª Geralda Nelma Costa apresenta ao público a sua dissertação de mestrado “A Imprensa Italiana em Terra Estrangeira: vozes sociais em ação (Belo Horizonte 1900-1920)”, defendida na UFMG.
Promoção: Prefeitura de Belo Horizonte, Fundação Municipal de Cultura, Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte.

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Comunidades latino-americanas participarão de festival em Florença

Florença, Ansa - A comunidade de estrangeiros da cidade italiana de Florença participarão da primeira edição de um festival cultural de imigrantes, que acontecerá entre os dias 19 e 22 de maio, no Teatro Affratellamento. O evento, denominado "Sentidos na migração", será dedicado a América Latina, Oriente, África e Europa do Leste. Além disso, também pretende divulgar a cultura dessas regiões, por meio da divulgação de suas comidas, músicas e literatura. A assessora para políticas juvenis do Município de Florença, Cristina Giachi, disse que "o evento pretende favorecer a integração cultural através da arte".
O primeiro dia festival será dedicado ao Oriente. O segundo dia é o da América Latina, com a participação da comunidade do Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Peru. O encerramento, dia 22, será realizado com homenagem à Europa do Leste.

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Movimento Turismo do Vinho: Cantinas abertas na Itália


A livraria Feltrinelli da praça Piemonte, 2 em Milão, hoje é palco da deliciosa antecipação do evento “Cantine Aperte“ (Cantinas Abertas), evento esse que acontecerá domingo, dia 30 de maio e que abrirá mais de 900 cantinas integrantes do “Movimento Turismo del Vino” à todos aqueles que nutrem um desejo de conhecer os segredos do vinho e o seu território.
Das 18.30 em diante, entre provas e degustaçoes, Carlo Pietrasanta, presidente do “Movimento Turismo del Vino”, apresentará oficialmente o evento, as cantinas visitáveis e os conselhos dos experts em vinho. Um evento imperdível!


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Caxias do Sul comemora 135 anos de Imigração Italiana com festa nas réplicas

No mês de maio Caxias do Sul comemora os 135 anos de Imigração Italiana. Para marcar a data, a Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria da Cultura, promove uma série de eventos, concentrados principalmente entre os dias 21 e 23 de maio. É a Festa nas Réplicas, programação que integra o Calendário de Eventos Caxias 2010.
No dia 21 ocorre Filó no Salão Paroquial do Parque da Festa da Uva, a partir das 20h30. Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 20,00. Como são em número limitado, a aquisição deve ser feita com antecedência.

No dia 23 de maio haverá Almoço colonial, também no Salão Paroquial do Parque da Festa da Uva. Os ingressos são limitados e já podem ser adquiridos. O valor é de R$ 25,00.
Não serão vendidos ingressos na hora. A compra deve ser antecipada. É preciso informar o número de ingressos desejados, tanto para o filó, como para o almoço colonial. Para reserva e aquisição dos ingressos, entrar em contato com Claudia, na Secretaria da Cultura (3901.1388/3901.1288).
O cenário das Réplicas de Caxias 1885 é o palco ideal para comemorar e celebrar os 135 anos da imigração italiana. O conjunto das casas, a igreja, o coreto, o salão paroquial, e os espaços de lazer serão ocupados pelos cultuadores dos valores e das tradições italianas, com música, jogos, gastronomia e fé. Iniciando na sexta-feira, fim da tarde, as atividades ocorrerão durante todo o dia de sábado e domingo. O evento é destinado não só aos descendentes de italianos, mas a todos os caxienses e aos turistas que aqui buscam desfrutar desta história e desta alegria.

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135 anos de Imigração Italiana no RS em Antônio Prado.


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Febre do vinil - Unison MK2



Os tempos áureos do disco de vinil começaram nos anos 50 e viriam a durar até ao final dos anos 80. Em 1948 a Columbia Records apresentava em Nova Iorque um novo material, o primeiro LP de 33 rpm, e, no ano seguinte, a RCA Victor lançou o primeiro de 45rpm. As rotações foram diminuindo e o mote estava lançado: tinha nascido o disco de vinil, um novo meio de reprodução musical.
Composto por micro-sulcos ou ranhuras em forma espiral, estas permitem que as agulhas dos gira-discos leiam a informação que contêm. A vibração que advém do toque da agulha no disco é transformada em sinal eléctrico que, por sua vez, é amplificado num som a que chamamos música. Mas é até possível ouvir um disco de vinil sem a ajuda de amplificadores eléctricos: é esse o charme do meio analógico. Mais maleáveis e resistentes, deixaram rapidamente de lado os discos de goma-laca, que se usaram na primeira metade do século XX.
No entanto, com o advento do Compact Disc nos anos 80, o vinil pareceu tornar-se obsoleto. Ao contrário deste novo meio, os LPs são bastante frágeis e qualquer arranhão pode danificar a qualidade sonora. O vinil precisa ainda de ser constantemente limpo e convém que os exemplares sejam guardados na vertical: cuidados que hoje em dia pouca gente está disposta a ter. Além disso, o CD, sendo o primeiro meio digital, é muito mais duradouro, fiável e com muito maior capacidade de armazenamento.

A febre do vinil
Apesar das claras vantagens do CD sobre o vinil, este último continua a subsistir e parece que nos últimos anos tem até ganho força. Mesmo com a supremacia da internet, em que os álbuns são facilmente descarregados, e com o declínio da indústria discográfica, não há ninguém que retire os vinis das lojas de música.
Aliás, parece até que as lojas de música voltam a dar destaque a estas grandes bolachas, mantendo viva a cultura do vinil. Se, por um lado, os CDs cada vez se vendem menos e o praticismo e acessibilidade deste meio estão a ser ultrapassados pelos computadores e pela internet, o vinil é uma cultura completamente à parte, que rema contra a maré - e é isso mesmo que lhe permite continuar a resistir.

Em primeiro lugar, este culto está em muito relacionado com a rivalidade entre o digital e o analógico. Os puristas musicais defendem que o meio digital não tem tanta qualidade como o analógico porque elimina as frequências sonoras mais altas e mais baixas, eliminando os ecos e as batidas graves e tornando a música menos natural. Para eles, o que interessa é a música na sua forma original. Também a quantidade de informação debitada por unidade de tempo no vinil é muito maior, tornando a qualidade da música deste materior superior, tal como a sua atenção ao pormenor.
Por outro lado, os coleccionadores interessam-se muito mais pelo vinil, do que pelos Compac Discs. É que, enquanto que o segundo é, na sua grande maioria, um meio potenciado pelas indústrias discográficas e, por isso, menos artístico, o vinil tem todo um conjunto de especificidades que deixam qualquer amante de música a salivar. Os lado b, as canções inéditas, as edições especiais e, até, as capas são pontos a favor deste meio. Por exemplo, nos anos 70, os invólcuros eram alvo de um cuidado artístico levado ao extremo: tornaram-se tão importantes e minuciosos que os fãs dedicavam-lhes horas para tentarem descobrir os pequenos pormenores escondidos.
Hoje, a febre não é tão alta, mas os coleccionadores ainda andam por aí, e não são apenas nostálgicos crónicos ou saudosistas: muitas camadas mais jovens estão a apaixonar-se por este meio retro. Existem até bandas que, devido à pirataria, decidem editar os seus álbuns apenas em vinil, para que não sejam copiados ilegalmente.

O Unison MK2
Agora, os amantes do vinil têm mais um objecto de culto: lançado pela Da Vinci Audio Labs, o In Unision MK2 é um gira-discos composto por 3 unidades - fácil de desmontar para poder levá-lo para outras festas - e com rolamentos magnéticos completamente silenciosos, para que apenas oiça o que interessa. A parte má é que pesa 35kg e custa 27800 dólares, não sendo, por isso, acessível a todas as bolsas.
Trata-se de um aparelho moderno e sofisticado, com a base preta, o apoio para o disco prateado e o braço da agulha dourado. O design é minimalista está de acordo com o mote da empresa Da Vinci Labs: "sentido e sensibilidade". Eles próprios se definem como fascinados pela música na sua forma mais pura.





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Tripoli: Outro Airbus cai do Céu?

O milagre é que um jovem holandês é o único sobrevivente entre os 104 passageiros e tripulantes a bordo do Airbus A330-202 da Afriqiyah Airways voo 771 que pousou no aeroporto de Tripoli, vindo de Joanesburgo, África do Sul. Após a tragédia do Verão passado com o mesmo tipo de avião, quando o voo AF447 desapareceu no Oceano Atlântico, se levanta a pergunta: como pode um Airbus de repente cair do céu?
Os que investigam este tipo de incidente irão dizer que um acidente de aviação é normalmente causado por uma conjuntura de vários factores, envolvendo erro humano/fádiga, falha dos sistemas a bordo do aparelho, controle de tráfego aéreo, condições meteorológicas e sistemas aeroportuários. Os a eronaves não podem simplesmente cair do céu. Ou podem?
Por exemplo, mesmo no caso improvável de falha catastrófica dos motores, um avião pesado como um A330 tem uma taxa de planar de cerca de 15 km para cada km de altitude. Por exemplo, a uma altitude de 3363 pés, ou um quilômetro (1.000 metros) a aeronave deve ter uma capacidade de planar de 8,27 milhas náuticas, dando ao piloto 2,09 minutos para preparar uma aterragem forçada. No entanto, as aeronaves não voam a 1.000 metros de altitude, a menos que eles estão se aproximando para o pouso ou decolagem.
A altitude de cruzeiro de uma aeronave comercial normalmente é de 12.000 metros, o que daria cerca de 25 minutos de tempo de planar, e permitir uma distância para aterragem de cerca de 100 milhas náuticas, período durante o qual o piloto terá acesso a informações que demonstrem o aeroporto mais próximo e também indicando a pista mais comprida . Assim, analisando os dois incidentes com essas aeronaves no ano passado, podemos perguntar o que está acontecendo com o Airbus A330?

Primeiro incidente: AF447, Oceano Atlântico Junho de 2009
No verão passado, em 01 de junho de 2009, o A330, voo da Air France AF447, do Rio de Janeiro para Paris, estava em altura de cruzeiro a FL 350 (Flight Level [nível de voo] 350 = 350 x 100 pés, ou ótima altitude de cruzeiro de 35.000 pés) quando entrou no zona de convergência inter-tropical, com alguns grupos poderosos de nuvens cumulonimbos.

Às 02:10 UTC, 24 mensagens ACARS foram enviados automaticamente pelo avião durante um período de quatro minutos, mostrando falha do sistema múltiplo, inconsistências na medição da velocidade no ar, desconexão do piloto automático e modo de controlo do voo alternativo (indicando um modo de operação que prevê que a aeronave possa parar ou executar movimentos que são considerados anormais).

Desde 02.10 até 02.13 UTC, as mensagens revelaram falhas no ADIRU (Unidade de Referência Inicial sobre Dados Aéreos) e ISIS (Integrated System Standby Instruments) sistemas PRIM1 (computador principal de controle de vôo) e SEC1 (computador de controle secundário de voo) e, finalmente, às 02.14, o avião caia em direção ao oceano em alta velocidade, de mergulho vertical, embatendo contra o mar e quebrando em pedaços. Todos os 228 ocupantes (216 passageiros e 12 tripulantes) morreram com o impacto.
Parece que a decisão de voar através de poderosos grupos de nuvens cúmulonimbos, juntamente com uma falha nos indicadores de velocidade no ar, poderia ter causado uma situação em que, eventualmente, um raio de relâmpago atingiu de forma desastrosa os sistemas da aeronave. Mas o A330, AF447 na verdade simplesmente caiu do céu.

Segundo incidente: Afriqiyah Airways 771, Tripoli Maio 2010
O incidente no aeroporto de Tripoli em 12 de Maio foi o segundo acidente do A330. O Airbus A330-202 da Afriqiyah Airways, voo 771, estava a chegar a partir de Joanesburgo, África do Sul no aeroporto de Trípoli. Enquanto as investigações prosseguem, há testemunhos oculares, que afirmam que o aparelho caiu e explodiu ao tocar na pista, outros dizem que aterrou a um metro da pista e explodiu e ainda outros que tentou aterrar a meia milha da pista, e explodiu . 92 passageiros e 11 tripulantes morreram no impacto. Um rapaz holandês sobreviveu e está em condição estável em um hospital de Trípoli, com múltiplas fraturas nas pernas. Parece que ele perdeu os pais e o irmão no acidente.

O denominador comum é que a aeronave sofreu uma pane na abordagem final, o que é estranho, porque a visibilidade era de 6 km. O sol da manhã pode ter sido um fator, brilhando diretamente nos olhos dos pilotos, obrigando-os a realizar uma aterragem com instrumentos. Dois fatores podem ter contribuído aqui.
Em primeiro lugar, Tripoli não tem um ILS (Instrument Landing System, ou Sistema de Aterragem com Instrumentos) e então os pilotos teriam contado com a VOR (rádio omnidireccional VHF). Além de relatórios feitos por pilotos que afirmam que o VOR de Tripoli é propenso a leituras falsas, também é uma possibilidade que as obras no aeroporto podem ter interferido nos sinais.
Em qualquer caso, o que é estranho é que neste acidente, mais uma vez, a aeronave não fez uma aterragem normal, mesmo fora da pista, mas parece ter caído do céu voando horizontalmente e bateu com barriga no chão. O GPS do Airbus teria fornecido informações sobre o ângulo da aproximação, então pode ser que alguns sistemas de segurança foram ignorados?

Quais, os investigadores estão a tentar descobrir. A verdade é que dois Airbus A330 caíram do céu no espaço de um ano.

Timothy BANCROFT-Hinchey
PRAVDA.Ru
Fonte: Pravda.ru

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Entre minérios e silvérios

As Minas eram gerais. Foi primeiro o ouro. Depois, os diamantes, incalculáveis tesouros. Portugal sabia que tudo muito valia. Cobrou e Minas pagou, grama por grama, oitava por oitava, quilate por quilate. Bancou, com sua pobreza, a vida nababesca dos castelos portugueses, a revolução industrial inglesa. Fez a riqueza de fora, alimentou a pobreza aqui dentro.
Hoje, muitos anos depois, Minas insiste em manter a pobreza de sua gente, de sua natureza, de seu patrimônio histórico, cultural, arqueológico e espeleológico, o martírio das populações que vivem em suas áreas rurais, fazendo a riqueza das grandes corporações, das grandes multinacionais que exploram seu minério; as novas portugais. Tudo, por algumas moedas de ferro, sinais de uma mentalidade decadente e enferrujada, como se essa terra não fosse cenário de uma heróica inconfidência.
Ao que se constata em uma primeira análise, Minas deixa de arrecadar, anualmente, só com os royalties do minério, mais de R$ 3 bilhões. O que isso significa? Significa que as mineradoras vão extrair nosso minério, comer nossas serras, engolir nossas florestas e nos deixar apenas uma mísera gorjeta, um agradozinho bem barato frente ao patrimônio incalculável que elas nos levam, diariamente.
Seus caminhões, cada vez maiores e mais pesados, estão destruindo nossos asfaltos, formando verdadeiras valas em nossas vias. Nas rodovias, o perigo iminente de acidentes por veículos longos, lentos e pesados.
O petróleo tem sua extração no mar, distante das populações que vivem no litoral. Sua extração não come serra, não destrói a história, não derruba árvores, não seca nascentes, não assoreia rios e, no entanto, paga 5% do valor bruto arrecadado ao estado produtor. Em Minas, a extração do minério deixa apenas 0,2% do valor líquido arrecado. Em 2010 o Rio de Janeiro arrecadou R$ 10 bilhões advindos do petróleo. Minas, só R$ 65 milhões com o minério. Como classificar um disparate desses? Bom, por muito menos, outros mineiros fizeram uma histórica revolução e vidas, das mais nobres, foram ceifadas.

A poeira do minério é depositada, minuto a minuto, nas fachadas de nossas casas, nos bancos de nossas praças e dentro dos pulmões dos mineiros que moram perto dos locais de mineração. Do Pico do Cauê, declamado por Drummond em poesia, só restou um monte de tristeza e pó. No infinito, o Pico do Itabirito assiste ao seu fantasma despido e desolado. Em algumas áreas de exploração, o mal maquiado, o feio escondido, guardado, envergonhado, pobre Serra do Curral. O que vamos ganhar por tudo isso?
Menos que os índios primeiros, que deram o caminho, mas não entregaram o tesouro.

Por que essa vergonhosa realidade calada em nosso Estado? Porque Minas aprendeu a entregar suas riquezas sem cobrar algo em troca. Foi assim com o ouro, foi assim com o diamante e está sendo assim com o minério de ferro. Se por um lado a doação do ouro e dos diamantes nos deu a nossa história, nossas igrejas, nosso casario e nossa cultura, a doação do mineiro deixa apenas um buraco em nossas almas, em que sepultamos os nossos rios, nossas belezas e a certeza de que nossas vidas valem muito menos que as de outros.

Petrônio Souza Gonçalves é mineiro, jornalista e escritor
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com

Fonte: Pravda.ru

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O BRASIL NA II GUERRA MUNDIAL - Lapa Azul

Antecedentes
O documentário reconstitui o quadro do Brasil da época: um País essencialmente rural, exportador de produtos agrícolas e minerais, carente de recursos de toda ordem, tendo em sua modesta frota de navios mercantes, o principal, senão único meio de contato da Capital Federal, no Rio de Janeiro, com os Estados do Norte e do Nordeste e de comércio com outros Países.
Americanos e alemães disputavam o apoio brasileiro, enquanto o Presidente Getúlio Vargas procura manter o Brasil neutro, tirando dessa neutralidade a maior vantagem possível.

Nossa frota de navios mercantes começou a ser destroçada por submarinos, tanto alemães quanto italianos, particularmente, quando do rompimento das relações diplomáticas com o Eixo, fruto do traiçoeiro ataque japonês à base americana de Pearl Harbour, uma afronta a todos os povos americanos.
Não restava mais dúvidas sobre qual lado apoiar, e o povo foi às ruas em massa, cobrando do governo uma atitude frente às agressões sofridas. Os “protestos enérgicos” da diplomacia brasileira, emitidos quando do ataque aos navios brasileiros, durante a I Guerra Mundial, já não eram suficientes. A Nação viu-se impelida a dar uma resposta altiva e soberana.

O Presidente Getúlio Vargas, acuado por gigantescas manifestações, sabia que a ditadura do Estado Novo não ficaria de pé por muito tempo sem o apoio popular. Foi obrigado a ceder.



A declaração de guerra brasileira, à Alemanha e à Itália, em agosto de 1942, foi uma decisão sobretudo corajosa, já que nos primeiros meses do ano, o Eixo obtinha expressivas vitórias militares em todos os continentes.
No Oriente, com a frota americana do Pacífico destroçada, o Japão era o senhor dos mares, conquistando a China, a Coréia, Cingapura e ameaçando invadir a Austrália. Na África, o “Afrika Corps”, do General Rommel, avançava impetuosamente rumo ao Cairo, ficando prestes a invadir o Oriente Médio, cortando o fornecimento de petróleo para o Ocidente. Na Europa, a França foi humilhada numa Campanha relâmpago da Wermacht. A Inglaterra estava de joelhos, asfixiada pelo bloqueio naval alemão. Sua capital, Londres, era bombardeada dia e noite pela Luftwaffe. Na frente oriental européia, as tropas nazistas cercavam Stalingrado, alcançando os subúrbios de Moscou. Jamais a Democracia e a liberdade no mundo correram tamanho risco.


A Preparação para a Guerra
O Exército Brasileiro da época estava bastante defasado em armamento e equipamentos. A doutrina, ultrapassada, era baseada ainda no modelo francês da I Guerra Mundial. A última experiência bélica nacional vinha da distante Campanha da Tríplice Aliança, há mais de oitenta anos.
Estávamos em franca desvantagem frente aos experimentados exércitos europeus, veteranos da I Guerra Mundial. Além do mais, nosso irrisório parque industrial, sem nenhuma experiência de mobilização, muito pouco oferecia de suporte a um conflito armado.
Havia ainda os simpatizantes do Eixo e os chamados “Quinta-Coluna”, atuando em diversos postos do governo, inclusive nas Forças Armadas. Os “Quinta-Coluna” eram representantes do Movimento Integralista - uma versão cabocla do Fascismo italiano e do Nazismo alemão. A atuação desse grupo fortaleceu-se bastante após a vitória alemã contra franceses e ingleses, na Europa.

Nos Corpos de Tropa houve muitos atropelos provenientes da falta de experiência. Para o “Lapa Azul”, por exemplo, foram convocados muitos soldados das colônias alemãs em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul que mal falavam o português.
Tudo conjurava contra a preparação da FEB para a Guerra, em particular, os baixos índices sanitários da população. Retrato de um Brasil agrário, subdesenvolvido e insalubre.
Mas, acima de tudo, havia o irreprimível sentimento patriótico em se responder com as armas, ao assassínio de quase 1.000 homens, mulheres e crianças, tripulantes e passageiros dos navios mercantes brasileiros, afundados por submarinos do Eixo.



O Embarque
Embora torcendo pela sorte da FEB, o povo não acreditava que o nosso soldado pudesse lutar de igual para igual contra a máquina de guerra nazista. Temia-se um vexame internacional, afinal nossa última experiência de guerra vinha da Campanha da Tríplice Aliança, 80 anos atrás.
Nossos soldados partiram sob o ceticismo de boa parte da população. Era comum ouvir-se nas ruas: “É mais fácil uma cobra fumar que a FEB embarcar”, um dito espirituoso típico do carioca, repetido pelos simpatizantes do Eixo e pessimistas. Para o desapontamento deles, a cobra fumou, e o Brasil embarcou.



Na Itália
A tropa brasileira desembarcou em Nápoles literalmente com a roupa do corpo, sem quaisquer equipamentos ou armamentos. Por falta de material de acampamento, foi obrigada a bivacar na cratera de um vulcão extinto. Nossos soldados vieram a receber até mesmo peças de uniforme e calçados das mãos dos americanos, já que as fardas trazidas do Brasil eram inadequadas ao clima europeu e tinham a coloração idêntica às utilizadas pelos alemães. Os calçados, de má qualidade, desfaziam-se após curto uso. Uma triste lição que não pode ser esquecida.
Os “pracinhas”, denominação carinhosa dada aos expedicionários, superaram deficiências de toda ordem: de adaptação a uma nova doutrina, do emprego de novos armamentos, equipamentos e materiais de toda ordem, até então desconhecidos pela tropa.



O Combate
A frente aliada na Itália foi enfraquecida com a retirada de um numeroso contingente para a invasão da Normandia, restando um efetivo similar às tropas do Eixo. Não foi possível, portanto, completar-se o ciclo de treinamento da FEB para o combate. Ou seja, aprendemos a lutar na marra.
Aprendemos a lutar nas montanhas: teatro de operações para o qual não estávamos preparados. Vimos temperaturas abaixo de –15ºC sob um metro de neve.
Combatemos contra tropas calejadas, possuidoras de cinco anos de experiência em combate. Nem por isso nos intimidamos. Fomos à luta. Vencemos.

O Retorno
Por fim, gloriosos no campo de batalha, de libertadores e defensores da Democracia, os pracinhas passaram a ser vistos como uma verdadeira ameaça. Uma ameaça tanto para a ditadura Vargas quanto para as forças que planejavam, secretamente, o retorno do País a normalidade, visto que o Presidente Getúlio Vargas também era muito querido entre os pracinhas.
A solução encontrada foi dissolver a FEB ainda em território italiano. Um episódio que até hoje revolta nossos veteranos.
A MEMÓRIA DA FEB
Passados sessenta e dois anos do maior conflito da história da humanidade, a trajetória vitoriosa da “Lapa Azul”, e da FEB como um todo, é cada vez mais ignorada pela grande maioria do povo brasileiro.
Segundo uma pesquisa realizada pelo historiador César Campiani Maximiano, da USP, 70% dos estudantes da Universidade de São Paulo, tida como referência nacional na qualidade do Ensino, desconheciam o significado da sigla FEB. Que razões levaram a tal desconhecimento ?

Uma bom caminho para responder a esta pergunta pode ser encontrada nos livros escolares dos nossos filhos. Ao se procurar o tema FEB, encontramos-lo restrito a poucas linhas, quando não é totalmente suprimido.
Muitas razões podem ser apontadas para justificar tal desconhecimento: o baixo nível educacional no Brasil; a propalada falta de memória da nossa gente; reformas curriculares inadequadas; ou mesmo o ranço existente nos meios acadêmicos por tudo que, de alguma forma, remeta, positivamente, ao meio militar, fruto do período autoritário (1964-1985).
As reformas curriculares ocorridas nas décadas de 80 e 90, enfatizaram, claramente, a interpretação sociológica dos fenômenos históricos. As transformações e convulsões da sociedade: revoluções, guerras, conflitos internos e externos, passaram a ser vistos – e ensinados aos alunos da rede pública e privada, como fruto único e exclusivo da “exploração do oprimido pelo opressor”.

Como disse o Historiador Francisco César Alves Ferraz, Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo: “os episódios da História Brasileira que de alguma forma se encaixavam nessa visão limitada foram enfatizados ao extremo. As revoltas internas e movimentos sociais ganharam espaço e projeção na memória escolar. Já as guerras contra países estrangeiros perderam destaque, sendo recontadas segundo os paradigmas da Escola dos Annales e do marxismo.”
Conflitos de reduzida importância histórica foram supervalorizados, enquanto as ações mais importantes da nossa história, cujo desfecho contrário alterariam profundamente o mundo em que vivemos, são desprezados. A memória da FEB, bem como a de outros tantos episódios da História do Brasil, foi omitida ou deturpada.

Dentro desse contexto enquadram-se a Guerra da Tríplice Aliança e Campanha da FEB, na II Guerra Mundial. Qual seria a nossa realidade atual se o ditador Solano Lopez houvesse atingido seu intento, anexando ao território paraguaio parte do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul e Santa Catarina?
O que hoje seria da humanidade se Adolf Hitler, Mussolini e o Império Japonês houvessem vencido a II Guerra Mundial ? Ainda que a participação da FEB não tenha sido determinante para a vitória aliada, ela o foi para a redemocratização no Brasil, derrubando o ditador Getúlio Vargas; quase que, simultaneamente, ao regresso das tropas ao Rio de Janeiro.



Atendendo às novas diretrizes educacionais, os autores e o mercado editorial naturalmente supriram à demanda do meio escolar, adequando-se às novas diretrizes e currículos oficiais. Por isso, em linhas gerais, as publicações escolares de História do Brasil, dos anos 80 em diante, tiveram um viés ideológico nocivo. Milhões de estudantes passaram pelos bancos escolares recebendo um ensino com graves lacunas e vícios.
Um reflexo desse processo foi a formação dos novos gestores educacionais. Moldados segundo os valores da “nova educação” ideologizada, e investidos em cargos de chefia, nos diferentes níveis de hierarquia educacional dos estados e da União, repassaram adiante, exatamente, o que lhes foi ensinado. Fechou-se, assim, o círculo vicioso.
Nos anos 80, a propaganda nazi-fascista, anti-americana, ressurgiu na onda do revisionismo histórico manipulado, desta vez usando uma nova roupagem. Ganhou alguma notoriedade no terreno das artes - mais pela polêmica do que pelo conteúdo -, inspirando obras que viam com desprezo, a relação de amizade e de colaboração entre brasileiros e americanos, forjada nos campos de batalha.



Esse mesmo revisionismo ganhou eco naqueles que enxergavam no culto à memória da FEB uma exaltação indireta do Exército Brasileiro, fruto de ressentimentos ou de interesses suprimidos pelo Movimento Cívico-Militar de 31 de março de 1964.
Na literatura e no cinema, o revisionismo depreciativo da FEB foi explorado por pseudo-pesquisadores, jornalistas travestidos de historiadores e cineastas engajados politicamente. Tais autores pretendiam, indiretamente, solapar o apoio popular ao Regime Militar. Para tanto, investiram contra a memória dos seus patronos e glórias militares passadas, incluindo a Campanha da FEB.


Difícil imaginar uma forma mais vil e covarde de promover-se pessoalmente, do que à custa da difamação daqueles que tombaram lutando pela Pátria. De lucrar, financeiramente, caluniando os que já não podem mais se defender.
Hoje, felizmente, uma nova geração de autores talentosos e capacitados editam livros contando a verdadeira história da FEB. Diferente dos seus congêneres da década de 80, são habilitados na área: Doutores e Mestres em História do Brasil, como César Campiani Maximiano e Francisco César Alves Ferraz. Amparam-se, inclusive, na bibliografia de nossos adversários na guerra. Afinal, quem melhor para avaliar o soldado brasileiro do que seus adversários alemães e italianos ?



Por fim, mais do que o resgate de um momento histórico decisivo na História do Brasil e da Humanidade, a produção do “Lapa Azul” é uma sincera homenagem àqueles que lutaram nas montanhas geladas dos Apeninos italianos; àqueles que perderam a vida nos campos de batalha para que todos nós pudéssemos desfrutar um futuro melhor com liberdade e democracia,
O LEGADO DA FEB
Se por um lado a convocação para a FEB encontrou um Brasil dependente de recursos de toda ordem, sem indústrias de base, um mero exportador de produtos agrícolas, borracha e minerais, pouco tempo mais tarde construímos nossa primeira usina siderúrgica em Volta Redonda, entrando assim, para valer no Séc XX..

Se em nossa viagem para a Europa nos deparamos com um Exército dotado de material e armamento ultrapassado, com uma doutrina também ultrapassada, no retorno dispúnhamos de uma tropa altamente adestrada, dotada dos armamentos mais modernos da época. Mesmo com a desmobilização daninha de todo o seu contigente ainda na Itália Se nos anos 40 a ameaça representada pelo poderio militar de nossos vizinhos argentinos era fictícia ou não, no retorno da FEB ela verdadeiramente deixou de existir.
Na convocação da FEB vimos o deplorável estado de saúde do povo brasileiro, um retrato de um povo doente e sem rede de saúde, dificultando sobremaneira a mas sinalizando uma necessidade urgente das política governamentais



Se o Brasil era visto com indiferença no cenário internacional, ao fim da guerra voltou fortalecido e líder incontestável na América do Sul. Nossa ambição de um assento permemnente não foi possível face a uma incompreensível recusa em participar na ocupação da Itália no Pós-Guerra e, principalmente, ao lamentável falecimento do presidente americano Franklin Delano Roosevelt, principal aliado brasileiro e amigo pessoal de Getúlio Vargas
Na partida e no retorno dos nossos comboios o presidente Getílio Vargas esteve presente, incentivando nossos soldados e garantindo também sua popularidade junto a FEB. Não foi suficiente. Antes mesmo do regresso dos último contingente, o destino do ditador estava selado. Lutamos em defesa da liberdade, da auto-determinação dos povos e pela democracia. Nosso povo não mais viveria sob uma ditadura.



O convívio intenso entre brasileiros e americanos, lutando lado a lado nos campos de batalha, mostrou aos brasileiros que com eles estiveram, do que é capaz uma nação organizada e desenvolvida. A mera observação da capacidade de mobilização, a abundância de recursos e a organização norte-americanas nos fez ver o quanto o Brasil era pobre e atrasado.
Este convívio nos foi extremamente útil 20 anos depois. A admiração pelo poderio econômico e bélico dos Estados Unidos e a confiança na liberal democracia forjou líderes que evitaram um verdadeiro desastre nos rumos da política brasileira.

Muitos dos militares presentes na FEB foram partícipes no Movimento Cívico Militar de 31 de março de 1964, em particular o Capitão Humberto de Alencar Castello Branco, Chefe da 3ª Seção da FEB, futuro presidente do Brasil.
A iniciativa e clarividência de Castello Branco lançaram as bases para o período de maior desenvolvimento da História do Brasil, livrando-nos das garras do marxismo-leninismo, hoje uma doutrina morta e enterrada.
A PRODUÇÃO
Reproduzir o ambiente de um determinado período histórico para um documentário não é exatamente uma tarefa simples. Ainda mais quando se trata de um período distante 63 anos no passado.
A atual facilidade na captação de imagens e sons do mundo moderno não existiam nos anos 40. As câmeras fotográficas eram artigos de luxo, utilizadas por poucos. As filmadoras, por sua vez, eram de posse dos órgãos de propaganda do governo e das classes mais abastadas.
Sendo a película cinematográfica um material orgânico, facilmente degenerável pela umidade, pela temperatura e por fungos, pouco restou do escasso material filmado à época.
Todos os fatores adversos acima citados, somaram-se à incapacidade das nossas instituições em preservar, com eficiência, o seu próprio patrimônio histórico, seja por desconhecimento, incúria, imprudência ou má fé.
Daí transformou-se num desafio enriquecer um documentário com cerca de 1 hora de duração, utilizando vídeos e fotografias, a fim de deixá-lo mais dinâmico e atraente.
Felizmente, o descaso na preservação de tão valioso material não acontece no mundo inteiro. Durante a pesquisa histórica, filmes e vídeos, em quantidade e qualidade muito superiores aos encontrados no Brasil, foram, surpreendentemente encontrados em institutos de preservação da história nos Estados Unidos da América e na Itália. Fotografias raras foram enviadas, graciosamente, por dedicados pesquisadores italianos.
No Brasil, um vasto material iconográfico foi cedido pelo Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília; pelo Arquivo Histórico do Exército, no Rio de Janeiro; pela Fundação Getúlio Vargas e pelas sedes regionais das Associações de Veteranos em Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Petrópolis, São João del Rei e São Bernardo do Campo.

Já nos arquivos pessoais dos veteranos, em especial, no extenso e bem cuidado arquivo da Major Elza Cansação Medeiros, pôde-se obter fotografias inéditas.
Reviver um episódio tão grandioso para a memória nacional exigiu uma pesquisa séria. Significou empreender uma profunda pesquisa na bibliografia do tema e a consulta a profissionais de reconhecida competência.
O auxílio de pesquisadores e historiadores do Brasil e do Exterior. revelou-se essencial na produção do “Lapa Azul”. Pessoas como o pesquisador italiano Giovanni Sulla, e os também italianos Sr. Fábio Gualandi e Mário Pereira, disponibilizaram um farto material iconográfico e documental, além de colaborarem dando entrevistas.
A gravação dessas entrevistas abrilhantou muito a obra. Deu a ela um caráter puro e genuíno, pois exibiu o testemunho de italianos que conviveram com a FEB no passado, somados ao relato imparcial de um pesquisador estrangeiro, livre das nocivas distorções ideológicas que, normalmente, acontecem em nosso País.
No Brasil, vários historiadores brasileiros sensibilizaram-se com o trabalho, colaborando no envio de informações, fotos e arquivos de áudio, alguns deles, verdadeiras jóias. Dentre os colaboradores, destacaram-se o Dr. César Campiani Maximiano e o Sr. Roberto R. Graciani, autênticos guardiães da memória da FEB.

Embora tenha sido uma missão árdua, a busca de material para o documentário acabou transformando-se em objeto de uma verdadeira paixão. Quanto mais imergia-se no universo conturbado dos anos 40, mais crescia o sentimento de brasilidade, revivendo-se o clima de euforia e de patriotismo que marcou a história da FEB,
A produção do “Lapa Azul” envolveu a gravação de imagens no Brasil e na Itália, incluindo mais de 120 horas de entrevistas junto aos remanescentes do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria em Juiz de Fora, Petrópolis, Rio de Janeiro, São Bernardo do Campo e São João del Rei, ao longo de quase três anos de pesquisa.
Embora os veteranos da FEB possuam idade avançada, em média 86 anos de idade, todos se colocaram à disposição para a gravação das entrevistas. Até mesmo aqueles com precárias condições de saúde e de locomoção o fizeram, num comovente esforço em reviver a memória da FEB.
O roteiro da obra quase que implorava pela gravação de imagens dos Montes Apeninos italianos. Nestas montanhas bateram-se brasileiros, alemães e italianos em 1944-1945. Como fazê-lo ? Como incluir num modestíssimo orçamento a viagem de uma equipe de produção à Itália?
Somente com uma grande dose de criatividade, de conhecimento e de trabalho foi possível resolver a questão. Foi realizado um pedido de dados para a Agência Espacial norte-americana (NASA), que graciosamente respondeu enviando um DVD com informações colhidas por seus satélites; o que permitiu a construção de um modelo digital de todo o território italiano.
Baseado nos dados fornecidos, e com a utilização de modernas ferramentas de modelagem digital do terreno, programas de animação gráfica, estudos de cartografia avançada, técnicas de pós-produção de última geração e inúmeras horas de estudo e experimentação, foi possível reproduzir a “Linha Gótica” e os Montes Apeninos com fidelidade, desenvolvendo-se uma técnica inédita na produção audiovisual brasileira.

Assim, algumas cenas da produção foram habilmente “criadas em laboratório”; depois envelhecidas, digitalmente, para misturarem-se ao contexto, evitando-se a quebra da continuidade visual.
Se por um lado foram muitas as dificuldades encontradas; por outro, muitas pessoas, dentro e fora da equipe de produção, interessaram-se em colaborar.
A equipe de produção do “Lapa Azul” correspondeu plenamente ao esperado: a direção segura da fotografia evidenciou a experiência profissional e o talento inato do professor Mauro Pianta. Já a inspiração da roteirista, Adriana Barata Resende de Pinho, soube destacar os aspectos fundamentais da história. As ilustrações primorosas do desenhista Alessandro Ribeiro Corrêa, mestre no Photoshop e no After Effects, deram flexibilidade ao trabalho de pós-produção, possibilitando a animação individual de cada layer das ilustrações.

Na parte musical, o trabalho de Scoretrack do Estúdio Caraíva, revelou porque ele é referência no Estado de Minas Gerais em seu ramo de atividade. As trilhas compostas pelo músico Fernando Barreto e mixadas por seu irmão, Nilo Barreto, captaram, no tempo certo, toda a carga emocional que a narrativa oferecia.
O Colégio Militar de Juiz de Fora colaborou, decisivamente, na produção do vídeo. Além de ceder o seu auditório para a gravação das entrevistas, diversos dos seus profissionais, civis e militares, trabalharam, intensamente, das mais variadas formas.
Fazer chegar aos jovens, aos alunos do Colégio Militar em especial, a memória da Força Expedicionária Brasileira, foi um dos principais objetivos do Projeto Cultural. Para tanto, foi incentivada a participação dos integrantes do seu Corpo de Alunos.

Um feliz retorno desse incentivo foi verificar a participação e a colaboração espontânea de muitos alunos do Colégio, tanto na elaboração das perguntas aos pracinhas, quanto na realização das entrevistas, no auxílio à produção, na iluminação, e até mesmo na maquiagem.
À Prefeitura de Juiz de Fora, em particular aos integrantes da FUNALFA, a gratidão pela confiança depositada em minha pessoa, possibilitando o aporte da maior parte dos recursos solicitados. Parabéns pela ação de apoio aos produtores e aos artistas da cidade através da Lei Murilo Mendes de Incentivo á Cultura. Que o seu exemplo, único no Brasil, possa ser seguido por outras Prefeituras e pelos Governos Estaduais.

Deixo aqui o reconhecimento à minha esposa Juliane, pelo seu dedicado trabalho como assistente de produção, acompanhando-me nas viagens de pesquisa e entrevistas por Minas Gerais e Rio de Janeiro, inclusive, nos feriados e em períodos de férias.
À minha querida filha Christiane, pelo vivo interesse em ajudar. Embora não possuísse o conhecimento técnico, muniu-se de intuição e perspicácia infantis, acompanhando, atentamente, a edição da obra, surpreendendo-me com inusitadas e oportunas sugestões.
A vocês duas agradeço, acima de tudo, a compreensão da inevitável ausência do esposo e do pai, nesses quase três anos de pesquisa e produção.
A todos os que nos auxiliaram na produção da obra, tornando possível a sua finalização, deixo aqui o meu sincero obrigado.









Meus agradecimentos ao Srº Durval Jrº

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